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Políticos da direita e esquerda criticam ação de vereador na Ufam

Arthur Virgílio Neto, Marcelo Ramos e Yann Evanovick reagiram à ofensiva do vereador contra estudantes; reitoria apura episódio

Waldick Junior
06/05/2026 às 17:02.
Atualizado em 06/05/2026 às 17:04

(Foto: Reprodução)

Políticos de diferentes espectros ideológicos criticaram a ofensiva do vereador Coronel Rosses (PL) contra estudantes da Universidade Federal do Amazonas, ocorrida na terça-feira (5). A reitoria informou que apura o caso.

O vereador esteve no campus após estudantes recriarem um mural com cartazes políticos e mensagens em defesa de pautas como luta antirracista e cotas para pessoas trans. O mesmo espaço havia sido vandalizado, na semana passada, por ativistas ligados ao PL, segundo relatos da comunidade acadêmica.

O ex-prefeito de Manaus e ex-senador Arthur Virgílio Neto afirmou ter recebido com tristeza as imagens do episódio. Ele destacou que o campus onde ocorreu a confusão leva o nome de seu pai, Arthur Virgílio Filho, autor do projeto de criação da então Universidade do Amazonas.

“Infelizmente, o que vimos foi mais um reflexo dos extremos, que pouco contribuem e muito prejudicam, pois a política não pode se resumir à busca por likes e engajamento. Sempre defendi, e continuo defendendo, o equilíbrio, o respeito e o diálogo como caminhos para avançarmos”, escreveu.

O ex-deputado federal Marcelo Ramos também criticou a atuação do parlamentar e classificou a ação como uma tentativa de intimidar a comunidade universitária.

“Sai da Câmara de Vereadores de Manaus e vai para a Universidade Federal do Amazonas tentar, de forma violenta, constranger a liberdade de expressão de professores, servidores e estudantes”, afirmou.

Na mesma linha, o presidente estadual do Partido Comunista do Brasil, Yann Evanovick, declarou solidariedade a estudantes e professores e defendeu a universidade como espaço democrático.

“O ambiente universitário precisa ser sempre de diálogo permanente, não espaço para caçador de like, aproveitadores e agressores”, disse em vídeo publicado nas redes sociais.

Reitoria apura episódio

Em nota, a Ufam informou que abriu apuração administrativa para identificar os responsáveis e analisar possíveis condutas que atentem contra a integridade institucional e a comunidade acadêmica.

“A apuração administrativa focará na identificação dos responsáveis e na análise de condutas que desrespeitem a dignidade humana ou que atentem contra a integridade institucional e o patrimônio da universidade”, afirmou a instituição.

Versão do vereador

Após o episódio, Coronel Rosses divulgou nota afirmando ter sido alvo de hostilidade, intimidação e tentativas de cerceamento de liberdade durante a visita ao campus.

“No exercício de suas funções fiscalizadoras e movido pelo espírito democrático, o vereador foi recebido por um grupo de manifestantes que, de forma agressiva e organizada, o cercaram e proferiram ofensas pessoais”, diz trecho da manifestação.

O parlamentar também criticou cartazes expostos no local, entre eles frases como “Direita não entra na UFAM”, “Seja marginal, seja herói” e “Morte ao Nikolas Ferreira”.

“O vereador Coronel Rosses reitera que não se deixará intimidar por gritos de ordem, ameaças ou tentativas de silenciamento”, conclui a nota.

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