IBGE

Produção agrícola: queda no AM reforça necessidade de políticas públicas, diz Faea

Levantamento do IBGE aponta queda nas principais culturas do estado, que tem já tem baixa presença no cenário nacional. Safra do milho deve cair 58% em 2026

Waldick Junior
14/06/2026 às 12:42.
Atualizado em 14/06/2026 às 12:42

(Foto: Divulgação)

A estimativa de queda de 16,1% na produção agrícola do Amazonas, em 2026, mostra que o setor ainda carece de políticas públicas para o seu fortalecimento, avalia a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas (Faea). 

Outros fatores, como o clima, o encarecimento de insumos e queda no preço internacional também influenciam a previsão de queda. Com o início do fenômeno climático El Niño, que ocasiona redução de chuvas no Amazonas e seca intensa, o setor agrícola deve ser ainda mais impactado.

“A redução prevista em cereais, leguminosas e oleaginosas para o Amazonas está praticamente no mesmo patamar da queda a nível nacional, em termos de redução de produção de feijão, arroz e milho”, avalia o presidente da Faea, Muni Lourenço. 

Além de apontar a queda de 16,1% na produção geral, o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado na semana passada, estima quedas no milho (-59,6%); café canephora (-42%); e feijão (-22,4%). 

Os alimentos com maior nível de produção em 2025, e muito característicos do Amazonas, também devem sofrer pequenas quedas. A estimativa para a banana, que somou 166.166 toneladas no ano passado, é chegar a 145.637 toneladas em 2026, queda de 12,35%. A mandioca, com 784.795 mil toneladas em 2025 deve retrair 0,16% neste ano, com 783.551 toneladas.

“Isso remete à importância do fortalecimento contínuo de políticas públicas de fomento ao aumento da produção agrícola e de alimentos básicos”, acrescenta o presidenta da Faea. Por outro lado, ele destaca a estimativa positiva na produção da soja, “uma exceção tanto em nível estadual quanto nacional”. 

O IBGE aponta que essa cultura deve manter, em 2026, o mesmo nível de produção do ano passado: 35.820 toneladas. O órgão estima aumento, no Amazonas, apenas para o  tomate, com aumento previsto de 6,8% (47 toneladas) e laranja, com aumento de 5,6% (3 mil toneladas).

Milho 

A queda de 59,6% do milho, em 2026, é a que mais chama a atenção no levantamento divulgado pelo IBGE. Em nível nacional, o órgão estima que a primeira safra deve crescer 15,8%, enquanto a segunda safra tem previsão de redução de 5,5%.

“A redução específica na produção de milho, no Amazonas, pode ocorrer principalmente em decorrência dos altos custos de produção, como fertilizantes e insumos, queda nas cotações internacionais e adversidades climáticas que impactam a produtividade, além de dificuldades com regularização fundiária e ambiental”, avalia Muni Lourenço.

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