Desde a regulamentação dos jogos no Brasil, a propaganda tem sido alvo de críticas, inclusive pelo presidente Lula, que nesta sexta-feira (25) deve vetar as apostas no país
(Foto: Jeiza Russo/A CRÍTICA)
As casas de apostas on-line, que tiraram R$ 62,5 bilhões do orçamento das famílias brasileiras em 2025, agora têm anúncios espalhados por Manaus enquanto cidades como Rio de Janeiro (RJ) e Belo Horizonte (MG) proibiram esse tipo de publicidade.
O dado mencionado acima foi produzido pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) em parceria com o Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento (Cicef).
Desde a regulamentação dos jogos no Brasil, a propaganda tem sido alvo de críticas, inclusive pelo presidente Lula (PT), que nesta sexta-feira (25) deve vetar as apostas no país em meio à campanha à reeleição.
Outro estudo, divulgado nesta semana, aponta que as bets tiraram entre R$ 120 bilhões a R$ 140 bilhões da economia brasileira, em 2025. A fonte é o Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo (FEA/USP).
(Foto: Jeiza Russo/A CRÍTICA)
Desde julho, há restrições para a publicidade de apostas on-line (veja abaixo), mas atualmente não existem vetos à propaganda em espaços públicos, por onde circulam perfis que não são direcionados à prática, como crianças e adolescentes.
Na Câmara Municipal de Manaus (CMM), está parado há um mês o Projeto de Lei 659/2026, de autoria do vereador Rodrigo Guedes (Republicanos), que propõe a proibição desse tipo de publicidade em espaços públicos. À reportagem, ele criticou a exploração econômica dessas áreas para a divulgação de bets.
“Isso é serio, grave. A questão das bets é um problema de saúde publica, de saúde mental, financeira, porque milhares de pessoas estão ficando endividadas .Tivemos casos de suicídios, porque vira um vício, uma prática que a pessoa não consegue parar e se a gente não pode proibir as bets, podemos pelo menos inibir as propagandas em espaços públicos”, defende ele.
Com a volta dos trabalhos na CMM, que havia se dado um período de recesso em meio ao período eleitoral, Rodrigo Guedes diz que vai priorizar a articulação junto aos colegas para aprovar o texto. No último dia 15, o vereador Joelson Silva apresentou proposta similar, o PL 743/2026, que também segue com a tramitação parada.
Outro Projeto de Lei na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) quer proibir a propaganda de apostas em espaços do poder público estadual ou em eventos custeados com recursos públicos, mas é bem menos restritiva. Não veta, por exemplo, o uso de outdoors e painéis nas ruas. O autor é o deputado Felipe Souza (Podemos), que foi questionado pela reportagem sobre a abrangência da proposta.
“O Projeto não disciplina a publicidade veiculada em imóveis privados, em vias e logradouros municipais ou em mobiliário urbano sob gestão dos Municípios. Essa delimitação é definida pela Constituição Federal, e não por escolha discricionária do legislador estadual. Compete aos Municípios legislar sobre assuntos de interesse local e promover o ordenamento do uso e da ocupação do solo urbano”, disse, por nota.
A reportagem observou propagandas a um site de apostas em vias de grande circulação de Manaus, incluindo na avenida Ephigenio Sales, no Aleixo, e na avenida Umberto Calderaro, no Parque Dez. A CRÍTICA procurou a Kallas Mídia, empresa responsável por oferecer espaços publicitários em diferentes áreas da cidade, e que tem recebido recurso para divulgar bets.
Conrado Kallas, vice-presidente da Kallas Mídia OOH, disse que é importante ter regras claras sobre publicidade de bets e que a legislação traga segurança jurídica aos anunciantes. Ele também destacou que a proibição gera impactos ao setor.
Só no Brasil, mais de 25 milhões de pessoas apostaram em 2025. Dessas, cerca de 1,4 milhão já são considerados dependentes. O SUS registrou aumento de 104% nos atendimentos por transtorno do jogo entre 2018 e 2025. O custo anual para o sistema de saúde ultrapassa R$ 30 bilhões.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica o transtorno do jogo como uma dependência. Pessoas com esse problema têm até 15 vezes mais risco de suicídio. No dia a dia, segundo a entidade, o vício provoca culpa, irritação, perda de sono e afastamento da família e dos amigos.