declaração

Rosses acusa governo Lula de “ditadura”, e Zé Ricardo rebate apontando contradições no discurso

O vereador de direita comemorou a reprovação do Senado à indicação de Jorge Messias ao STF

Emile de Souza
05/05/2026 às 13:59.
Atualizado em 05/05/2026 às 13:59

(Foto: Divulgação/ CMM)

Do partido do presidente Jair Messias Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado, o vereador Coronel Rosses (PL) acusa o governo de Luiz Inácio Lula da Silva de impor uma ditadura no país. A declaração foi contestada por Zé Ricardo (PT), que afirmou não compreender como o parlamentar pode, simultaneamente, defender a ditadura militar, apoiar a dosimetria que reduz penas de condenados e, ainda assim, posicionar-se contra uma suposta “ditadura”.  

“É reflexo de um Brasil que realmente casou de um judiciário aparelhado por um partido que tornou o Brasil uma ditadura, onde os cidadãos de bem são presos e os bandidos vagabundos soltos”, disse Rosses ao celebrar a reprovação no Senado de Messias para o Supremo. 

Ele afirmou, ainda, que a esquerda tem aparelhado o Supremo Tribunal Federal (STF) e que foi uma vitória para “o cidadão de bem” derrotar a esquerda. 

“Ali não foi o presidente Lula que perdeu não, foi o Brasil que ganhou. Afinal, sempre que o PT sai derrotado, que a esquerda sai derrotada, os brasileiros de bem são vitoriosos. Foi um marco e eu tive a honra de estar, acompanhar tudo de perto. Estava em Brasília e acompanhei tudo de perto ao lado do futuro presidente Flávio Bolsonaro, vendo a história do país mudar”.

Em resposta, Zé Ricardo (PT) questionou Rosses se matar uma autoridade era correto e que, biblicamente, as autoridade são instituídas por deus, mas que no golpe defendido pela direita, incluía o assassinato de Lula e outras autoridades. 

“O Lula nem estaria vivo se o golpe de estado tivesse dado certo. Interessante como essa turma da direita adora um golpe de estado, porque o plano deles, demonstrado pela Polícia Federal, era assassinar o presidente, assassinar o vice Alckmin, ministro do Supremo. Era isso que queriam fazer e talvez eu nem estivesse vivo aqui, podendo falar. Talvez tivesse uma perseguição total no Brasil, talvez até maior do que a ditadura que eles defendem, a ditadura militar, que durou 21 anos”, afirmou o vereador ao apontar incoerência no discurso de acusação de que o país vive uma ditadura, mas que essa era uma das bandeiras defendidas pela direita. 

Nas falas de Coronel Rosses, o vereador afirmou que a esquerda defende bandidos. Em seu tempo na tribuna, Zé Ricardo rebateu ao questionar a coerência dessa acusação, já que, segundo ele, o grupo político de Rosses defende a dosimetria para reduzir penas aplicadas a criminosos.

“A anistia que eles querem, a dosimetria, é para ter perdão pros criminosos. Caminho livre para um próximo golpe, porque se não tem punição, vamos tentar um golpe de estado e está tudo bem, vamos para casa”, afirmou. O parlamentar aproveitou para criticar a atuação da direita em defender a família, mas não ser favorável a projetos que ajudem as famílias brasileiras, como o lançamento do Desenrola para reduzir o endividamento e o fim da escala 6x1, que dará mais tempo de descanso aos trabalhadores.  

“Espero agora que o Congresso possa estar ao lado dos trabalhadores, para garantir melhores condições de trabalho e garantir mais tempo do trabalhador com sua família. Eu quero saber se os deputados federais e senadores que se dizem a favor da família, se nessas horas estão a favor ou contra a família, porque o trabalhador precisa de mais tempo com sua família, ou ao contrário”, completou.

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