Enquanto Roberto Cidade era eleito governador, movimentos sociais lhe direcionaram críticas por atrasos constantes
Denison Vilar, enfermeiro representante do movimento Todos pela Saúde; Lambert Melo, diretor jurídico do Sindicato dos Professores e Pedagogos de Manaus (Fotos: Paulo Bindá)
Sindicatos representantes de profissionais da educação e saúde fizeram um ato unificado em frente à Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALE-AM) nesta segunda-feira (4) para cobrar a recomposição salarial e pagamentos atrasados. O ato ocorreu durante a eleição indireta que confirmou Roberto Cidade (União) como governador.
Segundo o diretor jurídico do Sindicato dos Professores e Pedagogos de Manaus (Asprom-Sindical), Lambert Melo, a Secretaria de Estado de Educação e Desporto do Amazonas (Seduc-AM) não pagou a data-base dos servidores prevista para março deste ano, além haver outras duas em atraso, totalizando 13% de inflação acumulada.
“É preciso ter muita resistência e unidade na luta. Por isso, nós buscamos essa unidade com a área da saúde, com a área da segurança pública, porque é importante que todos nós estejamos unidos para a gente conseguir vencer esse autoritarismo que se estabeleceu no governo do Amazonas desde a chegada de Wilson Lima e que nós imaginávamos que com o Roberto Cidade seria diferente, mas infelizmente ele mostrou que é apenas um continuísmo”, disse.
O sindicalista também criticou o fato de o acesso às galerias da ALE-AM ter sido bloqueado para os movimentos sociais. A segurança local permitiu apenas a entrada da imprensa previamente credenciada para cobrir a eleição indireta ocorrida durante o período da manhã.
A data-base é um mês específico no qual categorias negociam reajustes salariais. No caso dos servidores, a cobrança gira em torno da recomposição salarial pela inflação, que não tem ocorrido, de acordo com a Asprom-Sindical. O ato contou ainda com a participação unificada do movimento Todos pela Saúde, representados pelo enfermeiro Denison Vilar.
Para A CRÍTICA, o profissional da saúde cobrou o pagamento em dia dos salários. Segundo ele, há médicos que estão há nove meses sem pagamento, além de trabalhadores administrativos terceirizados que não recebem desde a morte do dono da empresa MKN, que fazia as contratações. O dono era Abraham Lincoln da Silva Braga, que foi assassinado com 14 tiros em julho do ano passado.
“O que a gente está pedindo aqui é o mínimo, é o que está previsto em lei. É a data-base do profissional da saúde, segurança e educação. Data-base, plano de carreira, concurso público, salário em dia, um auxílio-alimentação para que eu possa passar um dia de plantão e atender bem o cidadão. A gente não está pedindo favor, está pedindo o que está previsto em lei”, disse.
A reportagem procurou a Seduc e a Secretaria de Estado da Saúde do Amazonas (SES-AM) para que se manifestassem sobre os protestos dos trabalhadores e aguarda resposta.