Após cobrança pública do prefeito Renato Júnior, vice-governador Serafim Corrêa anuncia depósito de R$ 18 milhões para o Passe Livre e afirma que paralisação não foi provocada pelo Governo do Amazonas
(Foto: Jeiza Russo e Divulgação)
A greve do transporte coletivo deflagrada em Manaus nesta segunda-feira (20), em pleno período eleitoral, causou uma disputa de acusações e narrativas entre as administrações dos executivos municipal e estadual, que resolveram se acusar mutuamente de serem os causadores da paralisação dos ônibus na capital.
O prefeito Renato Júnior (Avante) convocou uma coletiva de imprensa na qual acusou o governador Roberto Cidade (União) de ser o responsável pela dívida que causou a greve. Imediatamente em seguida, o Governo do Amazonas também convocou uma coletiva, na qual o vice-governador Serafim Corrêa (PSB) acusou a prefeitura de ter uma dívida mais de dez vezes maior com as empresas de ônibus.
Na coletiva de imprensa convocada de última hora pelo Governo do Amazonas no Palácio da Compensa, para esclarecer informações quanto aos pagamentos do subsídio do Passe Livre Estadual para alunos da rede estadual de ensino de Manaus, o vice-governador Serafim Corrêa (PSB) esclareceu que o impasse decorre de uma divergência de valores entre a administração estadual e o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram).
Enquanto as empresas exigem o pagamento da tarifa técnica integral, a gestão estadual obteve uma decisão judicial, segundo o vice-governador, para quitar apenas o valor da meia-passagem, totalizando R$ 18 milhões referentes a seis meses. Há uma troca de acusações entre as administrações municipal e estadual, que se responsabilizam mutuamente por causarem a atual greve do transporte coletivo.
A rápida resposta do governo do estado se deu após o prefeito Renato Júnior acusar, também em uma coletiva de imprensa, o executivo estadual de ser o grande pivô da greve do transporte coletivo na capital, por falta de pagamento do estado ao Sinetram. “Estou aguardando uma coletiva de imprensa do Governo do Estado, já que o diálogo direto com o governador não foi possível”, disse o prefeito. A resposta veio de pronto!
O vice-governador Serafim Corrêa anunciou o depósito imediato dos R$ 18 milhões para cumprir a obrigação legal e encerrar a participação do Estado no conflito. Ele aproveitou para devolver a acusação do prefeito, afirmando que as recentes greves de ônibus não possuem relação com o governo estadual, sendo motivadas por dívidas da prefeitura que ultrapassam R$ 190 milhões.
“Para contribuir na solução do problema, nós autorizamos a Seduc e a Sefaz que tomem as providências para nas próximas 24 horas depositarem R$ 18 milhões, que é o valor que nós entendemos que é devido referente aos meses de fevereiro, março, abril, maio, junho e julho”, declarou Serafim.
O vice-governador afirmou que, com o cumprimento rigoroso da decisão judicial, considera encerrada a situação de conflito entre o governo do estado e o Sinetram. “O que é responsabilidade do estado está definido numa decisão judicial que é pagar R$ 3 milhões a cada mês. São 6 meses, dá R$ 18 milhões. Como nós temos responsabilidade com dinheiro público, não vamos pagar uma coisa que não corresponda à efetiva prestação do serviço”, pontuou.
Convênio com a prefeitura
Serafim esclareceu ainda que o convênio entre o estado e a Prefeitura de Manaus foi encerrado em 2025. Em 2026, a relação de pagamento do subsídio estudantil passou a ser direta entre o Governo do Estado e o Sinetram. “O convênio foi encerrado em 2025. Em 2026, o que tem que ser pago é uma relação direta entre governo do estado e Sinetram. Não há mais relação entre governo do estado e prefeitura de Manaus”, disse.
O vice-governador aproveitou para devolver a acusação de causador da greve à Prefeitura de Manaus. “A greve de ontem não tem a ver com esse pagamento [do Estado]. Se vocês consultarem o site do Tribunal Regional do Trabalho, a greve diz respeito a um outro débito que não é do governo do estado do Amazonas, mas de outro ente público. Existe um débito de R$ 190 milhões da Prefeitura de Manaus. Então, a greve não foi causada pelo governo do Amazonas”, disparou.