Comer ou não comer?

Alface no centro de nova polêmica: nutrientes compensam os recursos gastos no cultivo?

Pesquisas afirmam que folha concentra menos nutrientes do que outros vegetais e pode gerar muito mais desperdício

acritica.com
30/08/2026 às 10:03.
Atualizado em 30/08/2026 às 10:03

(Foto: Reprodução)

Poucos alimentos parecem tão simples quanto a alface. Presente em saladas, sanduíches e acompanhamentos, ela costuma ser associada a uma alimentação leve e saudável, mas
também carrega uma fama de ter pouco valor nutricional. Como é composta em grande parte por água e não apresenta a mesma concentração de proteínas, calorias e alguns nutrientes encontrada em outros vegetais, surge a dúvida: será que vale mesmo a pena colocar alface no prato?

A resposta passa por uma questão mais ampla. Nenhum alimento precisa, sozinho, concentrar todos os nutrientes necessários ao organismo. A alface pode contribuir com fibras, água e micronutrientes dentro de uma alimentação variada. Ao mesmo tempo, suas
folhas estão entre as partes dos alimentos que mais acabam no lixo quando murcham, quebram ou simplesmente deixam de parecer bonitas. Em um cenário em que uma parcela significativa da comida produzida no mundo é desperdiçada, aprender a aproveitar melhor o que já chegou à cozinha pode ser tão importante quanto escolher o que vai para o prato.

Mais do que uma folha

A alface pode não ser um alimento de alta densidade nutricional, mas isso não significa que seja inútil do ponto de vista alimentar. Por ter bastante água, ajuda a compor a hidratação diária, enquanto suas fibras participam do funcionamento intestinal e contribuem para a sensação de saciedade. Além disso, suas características fazem com que seja uma opção interessante para complementar refeições sem acrescentar grande quantidade de calorias.

O principal ponto, portanto, não é transformar a alface em protagonista da alimentação, mas entendê-la como parte de um conjunto. Vegetais, frutas, leguminosas, cereais e fontes de proteínas oferecem nutrientes diferentes e se complementam. Uma alimentação equilibrada não depende de um único ingrediente, mas da variedade.

E há outro aspecto que merece atenção: jogar fora um alimento porque ele perdeu a aparência perfeita não significa que tenha deixado de ter utilidade. Folhas murchas ou quebradas, por exemplo, podem ganhar novas funções na cozinha, desde que estejam
próprias para o consumo.

Aproveitamento integral

As folhas que já não estão bonitas o suficiente para compor uma salada podem ser utilizadas em preparações como sopas, sucos, vitaminas e molhos. O mesmo princípio vale para outros vegetais: cascas podem ser aproveitadas em caldos, cremes ou preparações assadas, enquanto sementes podem se transformar em acompanhamentos e pequenos lanches.

A ideia de aproveitar integralmente os alimentos também ajuda a diminuir as perdas dentro de casa. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), 60% do desperdício de alimentos ocorre nos lares. Compras em excesso, armazenamento inadequado e o esquecimento do que já está na geladeira estão entre os fatores que favorecem esse descarte.

No caso das folhas, alguns cuidados simples fazem diferença. Antes de comprar, vale
conferir o que já existe em casa e escolher uma quantidade compatível com o consumo da família. Na geladeira, os alimentos que precisam ser consumidos primeiro devem ficar em posição de fácil visualização. Assim, diminui a chance de a alface — ou qualquer outro vegetal — ser esquecida até perder completamente a condição de consumo.

Desperdício começa antes do lixo

Combater o desperdício também passa por mudar a relação com a aparência dos alimentos. Cenouras tortas, pepinos com formatos irregulares, frutas com pequenas imperfeições e folhas quebradas podem continuar adequados para o consumo. A aparência, por si só, não determina o valor nutricional de um alimento.

Outra estratégia é servir porções menores e repetir quando necessário. O princípio é simples: é melhor colocar no prato apenas aquilo que será consumido do que transformar o excesso em resto. O mesmo vale para o preparo. Planejar as refeições e pensar em diferentes usos para um mesmo ingrediente pode reduzir consideravelmente o que termina na lixeira.

Talvez não seja necessário banir a alface do prato. A questão é entender seu lugar na alimentação e, principalmente, evitar que suas características contribuam para o desperdício. Em vez de transformar a folha em vilã, especialistas sugerem variar os vegetais da dieta, aproveitar melhor os alimentos e adotar um consumo consciente.

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