saúde bucal

Antes do implante, um olhar para a gengiva

Especialista alerta para sinais como sangramento, inchaço e retração e explica por que a saúde gengival é fundamental antes e depois do procedimento

Luyza Rodrigues
05/10/2026 às 20:23.
Atualizado em 05/10/2026 às 20:23

Quando o assunto é saúde bucal, os dentes costumam ocupar o centro das atenções. Mas, antes de pensar em um implante dentário, existe uma estrutura que também precisa estar saudável: a gengiva. Sangramentos durante a escovação, inchaço, dor, sensibilidade, retração e inflamações recorrentes podem indicar alterações que, quando ignoradas, comprometem não apenas a saúde dos dentes, mas também o sucesso de tratamentos de reabilitação oral.

A avaliação da gengiva deve fazer parte da preparação para um implante. Isso porque doenças gengivais podem evoluir de maneira silenciosa e afetar os tecidos que dão sustentação aos dentes e, posteriormente, também os que ficam ao redor do implante. Para a dentista Tatiana Suky, alguns sinais são perceptíveis no dia a dia, enquanto outros precisam ser identificados durante a consulta odontológica.

“Os primeiros sinais de que o tecido gengival não está saudável são quando o paciente relata sangramento, dor ou inchaço. Quando ele não relata, o dentista pode observar alterações, como um inchaço que pode indicar uma bolsa periodontal, que conseguimos sondar ao redor do dente. Também é possível observar, por meio de radiografias, se o paciente está tendo perda óssea e como está a higiene. Quando existe muita placa bacteriana e muito tártaro, tudo isso leva à inflamação gengival”, explica.

Por isso, alterações na gengiva não devem ser tratadas como algo normal da rotina. A ideia de que determinadas pessoas simplesmente têm uma “gengiva sensível” e, por isso, apresentam sangramento frequente, por exemplo, pode esconder um problema que precisa de avaliação profissional.

“Nenhuma alteração gengival pode ser ignorada. Ela precisa ser observada por um profissional que consiga avaliar e detectar o problema para poder tratar. Não existe ‘gengiva sensível’. Às vezes, o paciente fala: ‘A minha gengiva é muito sensível, qualquer coisa sangra’. Não, isso não é normal. O normal é não sangrar nunca. Mesmo usando fio dental ou escovando, a gengiva não pode sangrar. Se sangrou, ela está doente e precisa de tratamento”, afirma Tatiana.

Além de preservar os dentes naturais, o cuidado com o tecido gengival também está diretamente relacionado à manutenção dos implantes. Assim como os dentes podem desenvolver doenças ao redor da gengiva, os implantes também podem apresentar inflamações e infecções nos tecidos que os circundam. Sem tratamento, o problema pode comprometer a estrutura e levar à perda do implante.

“A importância do tecido gengival está tanto na saúde do dente quanto no sucesso do tratamento com implantes. Assim como podemos ter uma doença gengival ao redor do dente, podemos ter uma doença ao redor do implante. Se isso não for tratado, pode levar à perda do implante. O implante pode amolecer e ser perdido”, alerta a especialista.

A prevenção, nesse cenário, passa por hábitos que precisam fazer parte da rotina, e não apenas aparecer quando surge algum sintoma. A higiene bucal deve ser mantida ao longo do dia, inclusive por quem passa muitas horas fora de casa.

“Os hábitos de higiene, principalmente, são aqueles que precisam fazer parte da rotina e não podem ser interrompidos. Por exemplo, se a pessoa trabalha fora de casa, sai de manhã e só volta à noite, ela precisa ter um kit de higiene bucal, porque durante o dia também deve higienizar a boca. Não pode apenas higienizar de manhã, quando acorda, e à noite, quando vai dormir. São muitas horas sem higiene, e isso pode trazer problemas, independentemente de ter se alimentado ou não. A boca precisa ser limpa adequadamente, assim como os dentes e o tecido gengival”, orienta.

A escolha dos instrumentos também merece atenção. Uma escova macia ajuda a realizar a limpeza sem provocar traumas no tecido, enquanto o fio dental complementa a higienização. Para pacientes com implantes, outros recursos podem ser indicados de acordo com a necessidade individual.

“É importante usar uma escova macia para não machucar o tecido gengival. A escova macia vai limpar o tecido sem causar trauma e também consegue limpar o dente. Além disso, é necessário o uso do fio dental e, em alguns casos, de enxaguantes bucais. Para pacientes que têm implantes, os irrigadores bucais também ajudam a fazer uma limpeza mais completa. São vários recursos de higiene que a pessoa não pode negligenciar. O paciente que tem dente natural, aquele que não tem mais dente natural, que tem implante, prótese fixa ou coroas, todos precisam ter o mesmo cuidado”, destaca.

Mesmo sem dor ou qualquer sinal aparente, as consultas periódicas continuam sendo importantes. A ausência de sintomas não significa necessariamente que dentes e gengivas estejam completamente saudáveis. A avaliação profissional permite identificar alterações que podem não ser percebidas pelo próprio paciente.

“Principalmente, pessoa precisa ir ao dentista porque somente um profissional consegue identificar se realmente está tudo bem, se não existe nenhum problema nos dentes ou no tecido gengival e se está tudo saudável de fato. A profilaxia e a raspagem, quando indicadas, também devem ser realizadas no consultório odontológico”, finaliza Tatiana.

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