Recomendação de cardiologistas ganha força após a morte de um jovem de 17 anos durante exercícios em academia no Ceará
(Foto: Agência Brasil)
A morte de um adolescente de 17 anos em uma academia no Ceará reacendeu o alerta de especialistas sobre a necessidade de avaliação médica antes do início de atividades físicas intensas. A recomendação da Sociedade Brasileira de Cardiologia inclui ao menos uma consulta clínica e a realização de um eletrocardiograma.
A realização de consultas e exames preventivos pode reduzir as chances de morte súbita em até sete vezes. Durante o atendimento, o médico — seja clínico geral ou cardiologista — realiza uma anamnese detalhada para checar eventuais sintomas, histórico familiar de problemas cardíacos, além de auscultar o coração e aferir a pressão arterial para identificar fatores de risco.
Principal causa genética
A principal causa de morte súbita durante exercícios é a miocardiopatia hipertrófica, condição de origem genética caracterizada pelo crescimento desorganizado do músculo cardíaco. Por ser hereditária, o levantamento do histórico familiar de parentes que tenham sofrido mal-estar ou óbito durante esforços físicos torna-se etapa indispensável na avaliação.
Apesar dos cuidados, a proibição total da prática de exercícios após diagnósticos médicos é considerada rara. A educadora física Elisiane Cunha aponta que os treinos costumam ser adaptados de acordo com a patologia identificada pelo médico e a capacidade de cada aluno.
A profissional orienta que, dependendo das limitações, modalidades mais leves como caminhada, hidroginástica, natação ou dança podem ser adotadas para iniciar a rotina de forma gradual, respeitando os limites do organismo.
Expansão do setor fitness
O alerta coincide com a expansão do mercado de atividades físicas no país. Dados do Panorama Setorial Fitness, levantados pela Universidade de São Paulo (USP), indicam que o número de CNPJs abertos no segmento saltou de 22 mil em 2015 para cerca de 62 mil nos últimos anos, com projeção de chegar a 70 mil estabelecimentos para atender a demanda de aproximadamente 15 milhões de praticantes no Brasil.