Neurologista e cardiologista explicam como o Acidente Vascular Cerebral acontece, quais fatores favorecem seu desenvolvimento e por que a prevenção continua sendo a principal aliada.
Os sintomas do Acidente Vascular Cerebral (AVC) costumam aparecer de forma repentina, mas os fatores que favorecem a doença podem se desenvolver ao longo de anos. Hipertensão, diabetes, colesterol elevado e doenças cardiovasculares estão entre as condições que aumentam o risco e reforçam a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.
Segundo o neurologista Ronaldo Rabelo, o AVC pode ser classificado em três tipos: isquêmico, hemorrágico e trombose venosa cerebral. Embora tenham causas diferentes, todos provocam alterações na circulação de sangue do cérebro.
"A consequência direta é o comprometimento ou interrupção da circulação sanguínea para uma determinada parte do cérebro, causando falta de oxigênio e de nutrientes para os neurônios dessa região. O início dos sintomas é sempre agudo, isto é, começa de forma súbita e rápida, e reflete qual ou quais áreas cerebrais foram comprometidas", explica.
Além dos casos em que os sintomas permanecem, o neurologista chama atenção para o Ataque Isquêmico Transitório (AIT), quando a obstrução da circulação é temporária e os sinais desaparecem espontaneamente. Apesar da melhora, ele ressalta que a situação também exige investigação médica, já que pode representar um alerta para um AVC.
Ao notar dificuldade para falar, perda de força em um lado do corpo, desvio na boca ou uma dor de cabeça intensa e diferente das habituais, a recomendação é procurar atendimento imediatamente.
“O tratamento realizado nas primeiras horas pode permitir grande diferença na recuperação do paciente e evitar ou reduzir sequelas de longo prazo e a mortalidade” - Ronaldo Rabelo, neurologista
"Essa pessoa deve ser levada a um pronto-socorro imediatamente. O tratamento realizado nas primeiras horas pode permitir grande diferença na recuperação do paciente e evitar ou reduzir sequelas de longo prazo e a mortalidade", afirma.
Além dos fatores neurológicos, o AVC também está diretamente relacionado à saúde do coração e dos vasos sanguíneos. Segundo o cardiologista Paulo Ferreira, grande parte dos casos de AVC isquêmico e dos infartos tem a mesma origem: a formação de placas de gordura nas artérias, que favorecem o surgimento de trombos e a obstrução da circulação.
"O AVC e o infarto são as complicações mais comuns da doença cardiovascular aterosclerótica, causada por um trombo que se forma sobre uma placa de gordura. Se a obstrução acontece em uma artéria do coração, ocorre o infarto. Se acontece no cérebro, leva ao AVC do tipo isquêmico", explica.
“A base da prevenção e do tratamento da doença cardiovascular está na mudança do estilo de vida” - Paulo Ferreira, cardiologista
De acordo com o especialista, hipertensão, colesterol elevado e diabetes aceleram esse processo ao longo dos anos, muitas vezes sem causar sintomas. Por isso, controlar essas condições e fazer acompanhamento médico regular são medidas importantes para reduzir o risco de complicações cardiovasculares.
"A base da prevenção e do tratamento da doença cardiovascular está na mudança do estilo de vida, com alimentação equilibrada, prática regular de exercícios físicos, sono de qualidade, hidratação e acompanhamento médico. O sobrepeso e a obesidade também merecem atenção porque aumentam o risco de AVC, infarto e outras doenças. Quanto mais cedo esses fatores forem identificados e tratados, maiores são as chances de prevenir complicações", conclui.