Lacerda coordenou estudo que apontou a ineficácia da cloroquina para tratar a Covid-19; e Adele Benzaken foi demitida de diretoria do Ministério da Saúde assim que o presidente assumiu o mandato
(Lacerda e Benzaken foram comendadores da Ordem Nacional do Mérito Científico por apenas um dia. Foto: montagem/reprodução)
O presidente Jair Bolsonaro homenageou o médico Marcus Lacerda, da Fundação de Medicina Tropical, com o título de “Comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico”, mas nesta sexta-feira (5) voltou atrás, tornando sem efeito a nomeação publicada no Diário Oficial da União (DOU) de quinta-feira (4).
No novo decreto, Bolsonaro também retira o título concedido à médica amazonense Adele Schwartz Benzaken, diretora do Instituto Leônidas & Maria Deane da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz Amazônia), instituição que esteve à frente de estudos importantes na pandemia, como o sequenciamento que indentificou novas variantes do SARS-CoV-2.
As homenagens estavam incluídas no decreto pelo qual Bolsonaro se autonomeou Grão-Mestre da Ordem Nacional do Mérito Científico.
Marcus Lacerda é o médico que conduziu um estudo no Amazonas, no auge da primeira onda da pandemia, que apontou a ineficácia da cloroquina no tratamento de casos graves de Covid-19.
A constatação do estudo provocou uma série de ataques de bolsonaristas contra o pesquisador, com investigações de promotores da República defensores do “tratamento precoce” e de seguidores do presidente nas redes sociais, inclusive com ameaças de morte.
Até hoje, com um consenso científico internacional sobre a ineficácia do medicamento para a doença viral, Bolsonaro insiste em defendê-lo como tratamento e diz que foi curado por causa dele.
Adele Benzaken foi, por cinco anos, diretora do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle de ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis), HIV e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, mas foi exonerada do cargo com a chegada de Bolsonaro, que declarou assim que chegou ao governo que "Uma pessoa com HIV é uma despesa para todos aqui no Brasil".