Muito mais do que um estimulante, o café reúne cerca de mil compostos bioativos que podem favorecer a saúde quando consumido com moderação. Nutricionista esclarece mitos sobre a bebida
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Para muitos de nós, acordar e passar o café é praticamente um ritual. Tem quem não consiga começar o dia sem uma xícara fervente deste líquido maravilhoso (eu me incluo aqui) e também quem use a bebida como combustível para enfrentar a rotina de trabalho ou treinar com mais disposição. Mas limitar o café à cafeína é ignorar boa parte do que ele realmente tem a oferecer.
Muito antes de virar ingrediente de pré-treinos ou aliado para espantar o sono, o café já chamava a atenção da ciência pelos seus compostos bioativos. Além da cafeína, ele é rico em antioxidantes, como os ácidos clorogênicos, substâncias associadas à proteção das células contra os danos causados pelos radicais livres.
Segundo o nutricionista clínico especialista em saúde mental e produtividade, Hugo Oliveira, esse é justamente um dos motivos pelos quais a bebida vem sendo estudada há décadas.
Hugo Willian, nutricionista clínico
“Hoje, baseado nas meta-análises recentes, como já está comprovado um efeito cardioprotetor e antioxidante, agora o discurso, inclusive dos cardiologistas, já é diferente. Mudou. Ou seja, antigamente eles sempre falavam: ‘Pô, tome com cautela e tudo mais’. Hoje, de fato, se ele for consumido da maneira correta, já não existe mais essa advertência. A advertência existe, logicamente, em doses acima das usuais”, explicou Hugo.
Não é só energia
A cafeína continua sendo a estrela principal da xícara de café, e de fato, existem cerca de 100mg de cafeína num copo de café coado com 200ml. A cafeína atua bloqueando receptores de adenosina no cérebro, reduzindo a sensação de cansaço e aumentando o estado de alerta. É por isso que muitas pessoas percebem melhora na concentração, no raciocínio e até no desempenho físico após consumir café.
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Mas os benefícios não param por aí. Diversos estudos apontam que o consumo moderado de café está associado a um menor risco de desenvolver doenças como diabetes tipo 2, doença de Parkinson, Alzheimer e algumas doenças hepáticas. Isso não depende apenas da cafeína, mas também da combinação de antioxidantes e outros compostos presentes naturalmente no grão.
Café faz bem para quem treina?
Para quem pratica atividade física, o café pode ser um aliado interessante. A cafeína melhora o estado de alerta, reduz a percepção de esforço durante o exercício e pode contribuir para um melhor desempenho em atividades de resistência e força.
Isso explica por que ela é um dos ingredientes mais comuns em suplementos pré-treino. Em muitos casos, uma simples xícara de café já fornece uma quantidade suficiente para produzir esses efeitos, dependendo da sensibilidade de cada pessoa.
“É claro que tem metabolismo que aceita um pouco mais, outros menos, por exemplo, a gente não recomenda café para gestantes, porque o metabolismo da gestante é mais lento, então os efeitos do café são prolongados com esse corpo” alertou.
Ainda assim, nem todo mundo responde da mesma forma. Algumas pessoas podem sentir ansiedade, tremores, palpitações ou dificuldade para dormir, especialmente quando exageram na dose ou consomem café no fim da tarde ou à noite.
Existe quantidade ideal?
Não existe uma regra única para todos, mas, de forma geral, a maioria dos adultos saudáveis tolera bem até cerca de 400 mg de cafeína por dia, cerca de três ou quatro xícaras de café coado, dependendo da preparação.
Mais importante do que contar xícaras é observar como o próprio organismo reage. Pessoas com hipertensão descontrolada, gestantes, indivíduos com transtornos de ansiedade ou maior sensibilidade à cafeína podem precisar reduzir o consumo.
O que pode estragar os benefícios?
Se por um lado o café coado e sem adição de açúcar pode trazer vantagens, por outro, os acompanhamentos costumam pesar mais do que a bebida. Muito açúcar, xaropes, chantilly, coberturas e cremes transformam uma bebida de praticamente zero calorias em uma sobremesa líquida.
O café não é uma bebida milagrosa (aliás, quem disse que precisa ser?). Seus benefícios aparecem quando ele faz parte de um estilo de vida saudável, ao lado de uma alimentação equilibrada, prática regular de exercícios e boas noites de sono.
O nutricionista reforça ainda, que o copo onde tomamos o cafezinho também tem influência sobre seus efeitos. O ideal, segundo ele, é evitar copos de plástico e dar preferência para canecas de vidro ou porcelana.
"Um bom café normalmente é consumido em temperatura elevada, e isso também pesa na escolha do recipiente. Quando usamos copos plásticos, por exemplo, existe a preocupação com a liberação de microplásticos devido ao calor. Como estamos falando de um hábito diário, que se repete ao longo dos anos, vale muito a pena prestar atenção nesses detalhes. O ideal é consumir o café em recipientes de vidro ou porcelana, que são materiais mais estáveis e evitam esse tipo de desgaste", finalizou o nutricionista.
No fim das contas, aquela pausa para o cafezinho pode representar mais do que alguns minutos de energia. Para muita gente, ela também pode ser uma pequena dose diária de saúde. O café tradicional, coado ou expresso, sem excesso de açúcar, continua sendo a opção mais interessante para quem busca aproveitar seus benefícios.