Especialistas explicam por que preservar a massa muscular é tão importante quanto perder gordura e quais estratégias fazem a diferença para um emagrecimento saudável e duradouro
O consenso entre os especialistas é que o sucesso do emagrecimento não deve ser medido apenas pelos quilos perdidos. Preservar os músculos significa manter força, autonomia, metabolismo ativo e maiores chances de sustentar os resultados ao longo do tempo (Divulgação)
A busca pelo emagrecimento nunca esteve tão em alta. Ao mesmo tempo em que medicamentos para perda de peso ganharam popularidade e facilitaram a redução dos números na balança, especialistas alertam para um efeito colateral que costuma passar despercebido: a perda de massa muscular. Mais do que uma questão estética, a redução da musculatura pode comprometer a força, desacelerar o metabolismo e favorecer o temido efeito sanfona.
Hoje, médicos e nutricionistas defendem que emagrecer com qualidade significa perder gordura preservando o máximo possível da massa magra. Para isso, alimentação adequada, consumo suficiente de proteínas, treinamento de força e, em alguns casos, suplementação nutricional fazem parte de uma estratégia que busca resultados duradouros e melhor qualidade de vida.
A perda de peso acontece quando o organismo passa a gastar mais energia do que consome. O problema é que, diante de uma redução importante na ingestão de calorias — situação comum em dietas muito restritivas e também entre usuários das chamadas "canetas emagrecedoras" — o corpo pode utilizar não apenas gordura, mas também tecido muscular como fonte de energia.
Segundo especialistas, em alguns casos até 40% do peso eliminado pode corresponder à perda de massa magra, especialmente quando não há ingestão adequada de proteínas nem prática regular de exercícios resistidos.
Marcelo Carvalho, nutricionista, explica que esse processo merece atenção.
Além da redução da força física, perder músculos significa diminuir o metabolismo basal — a quantidade de calorias que o organismo gasta em repouso. Isso facilita o reganho de peso após o fim da dieta ou da medicação.
Entre todos os nutrientes, a proteína ocupa papel central na preservação da massa muscular. Ela fornece os aminoácidos necessários para reparar e manter os músculos mesmo durante o déficit calórico.
Outro benefício é o aumento da saciedade e do gasto energético.
A recomendação varia conforme cada pessoa, mas costuma ficar entre 1,6 e 2,2 gramas de proteína por quilo de peso corporal por dia para quem está em processo de emagrecimento associado à atividade física. Carnes magras, ovos, peixes, laticínios, feijão, lentilha e grão-de-bico estão entre as principais fontes.
Dereck Oak também orienta que a ingestão seja distribuída ao longo do dia.
A alimentação, sozinha, nem sempre consegue evitar a perda muscular, especialmente em pessoas que utilizam medicamentos para emagrecer. Por isso, o treino de força passou a ser considerado parte fundamental do tratamento.
Quando necessário e com orientação profissional, suplementos como whey protein, creatina e HMB também podem auxiliar na preservação da massa magra, principalmente em pessoas que apresentam dificuldade para atingir a ingestão adequada de proteínas ou que estão em dietas de baixa ingestão calórica.
Segundo ele, algumas estratégias apresentam bons resultados. "A combinação de creatina e HMB se mostra especialmente eficaz nesse contexto. Juntas, essas duas substâncias oferecem suporte tanto para preservar quanto para recuperar a massa muscular, mesmo em cenários de dieta ou emagrecimento acelerado."
Apesar disso, especialistas reforçam que nenhum suplemento substitui hábitos saudáveis.
Na mesma linha, Dereck Oak conclui que não existe solução isolada: "Ela é fundamental, mas sozinha não emagrece. O emagrecimento de qualidade depende da combinação de alimentação equilibrada, treino regular, sono adequado e bons hábitos de vida”.