Saúde

Como emagrecer sem perder músculos?

Especialistas explicam por que preservar a massa muscular é tão importante quanto perder gordura e quais estratégias fazem a diferença para um emagrecimento saudável e duradouro

Tiago Melo
04/07/2026 às 18:13.
Atualizado em 04/07/2026 às 18:13

O consenso entre os especialistas é que o sucesso do emagrecimento não deve ser medido apenas pelos quilos perdidos. Preservar os músculos significa manter força, autonomia, metabolismo ativo e maiores chances de sustentar os resultados ao longo do tempo (Divulgação)

A busca pelo emagrecimento nunca esteve tão em alta. Ao mesmo tempo em que medicamentos para perda de peso ganharam popularidade e facilitaram a redução dos números na balança, especialistas alertam para um efeito colateral que costuma passar despercebido: a perda de massa muscular. Mais do que uma questão estética, a redução da musculatura pode comprometer a força, desacelerar o metabolismo e favorecer o temido efeito sanfona.

Hoje, médicos e nutricionistas defendem que emagrecer com qualidade significa perder gordura preservando o máximo possível da massa magra. Para isso, alimentação adequada, consumo suficiente de proteínas, treinamento de força e, em alguns casos, suplementação nutricional fazem parte de uma estratégia que busca resultados duradouros e melhor qualidade de vida.

Músculos também emagrecem

A perda de peso acontece quando o organismo passa a gastar mais energia do que consome. O problema é que, diante de uma redução importante na ingestão de calorias — situação comum em dietas muito restritivas e também entre usuários das chamadas "canetas emagrecedoras" — o corpo pode utilizar não apenas gordura, mas também tecido muscular como fonte de energia.

Segundo especialistas, em alguns casos até 40% do peso eliminado pode corresponder à perda de massa magra, especialmente quando não há ingestão adequada de proteínas nem prática regular de exercícios resistidos.

Marcelo Carvalho, nutricionista, explica que esse processo merece atenção.

"A diminuição do apetite, embora desejada, impacta diretamente o consumo de proteínas, vitaminas e minerais essenciais. Sem um acompanhamento adequado, o risco de deficiências nutricionais e, principalmente, a perda de massa muscular, aumenta de forma significativa."

Além da redução da força física, perder músculos significa diminuir o metabolismo basal — a quantidade de calorias que o organismo gasta em repouso. Isso facilita o reganho de peso após o fim da dieta ou da medicação.

Proteína é a principal aliada

Entre todos os nutrientes, a proteína ocupa papel central na preservação da massa muscular. Ela fornece os aminoácidos necessários para reparar e manter os músculos mesmo durante o déficit calórico.

"A proteína fornece os aminoácidos necessários para preservar o tecido muscular, reduzindo o risco de o organismo usar o músculo como fonte de energia", explica o nutricionista clínico e esportivo Dereck Oak.

Outro benefício é o aumento da saciedade e do gasto energético.

"A digestão da proteína exige mais energia do corpo, o que aumenta o chamado efeito térmico dos alimentos, ajudando a manter o metabolismo mais ativo durante a perda de peso", complementa.

A recomendação varia conforme cada pessoa, mas costuma ficar entre 1,6 e 2,2 gramas de proteína por quilo de peso corporal por dia para quem está em processo de emagrecimento associado à atividade física. Carnes magras, ovos, peixes, laticínios, feijão, lentilha e grão-de-bico estão entre as principais fontes.

Dereck Oak também orienta que a ingestão seja distribuída ao longo do dia.

"O ideal é distribuir a proteína em todas as refeições, especialmente no café da manhã, almoço, jantar e pós-treino."

Exercício e suplementação completam a estratégia

A alimentação, sozinha, nem sempre consegue evitar a perda muscular, especialmente em pessoas que utilizam medicamentos para emagrecer. Por isso, o treino de força passou a ser considerado parte fundamental do tratamento.

Quando necessário e com orientação profissional, suplementos como whey protein, creatina e HMB também podem auxiliar na preservação da massa magra, principalmente em pessoas que apresentam dificuldade para atingir a ingestão adequada de proteínas ou que estão em dietas de baixa ingestão calórica.

Segundo ele, algumas estratégias apresentam bons resultados. "A combinação de creatina e HMB se mostra especialmente eficaz nesse contexto. Juntas, essas duas substâncias oferecem suporte tanto para preservar quanto para recuperar a massa muscular, mesmo em cenários de dieta ou emagrecimento acelerado."

Apesar disso, especialistas reforçam que nenhum suplemento substitui hábitos saudáveis.

"A medicação é uma ferramenta poderosa, mas não substitui a educação nutricional, o suporte comportamental e as estratégias de longo prazo para um emagrecimento que seja verdadeiramente saudável e duradouro", reforça Rodolfo Peres.

Na mesma linha, Dereck Oak conclui que não existe solução isolada: "Ela é fundamental, mas sozinha não emagrece. O emagrecimento de qualidade depende da combinação de alimentação equilibrada, treino regular, sono adequado e bons hábitos de vida”.

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