Saúde

Corpo inflamado: principais fatores

O que está por trás do mal silencioso que afeta peso, pele e energia

Gabrielly Gentil
03/05/2026 às 18:37.
Atualizado em 03/05/2026 às 18:37

Alimentação é um dos principais fatores impactantes da inflamação (Imagem da internet)

Muito além de um termo da moda, a inflamação crônica de baixo grau tem ganhado espaço nas discussões sobre saúde por ajudar a explicar sintomas comuns do dia a dia, como cansaço persistente, dificuldade para emagrecer e falta de energia.

De acordo com o médico endocrinologista, Dr. Mário Quadros, essa condição se trata de um tipo de inflamação silenciosa e persistente no corpo. “Diferente da inflamação comum (aguda), ela não causa sinais óbvios como dor intensa, vermelhidão ou febre, mas fica ativa por meses ou anos, afetando lentamente o organismo. A aguda possui sinais típicos e é causada por vírus, bactérias, toxinas ou trauma”, explica.

O que causa a inflamação

Esse estado inflamatório costuma ser resultado de um conjunto de fatores do dia a dia, principalmente ligados ao estilo de vida. A alimentação é um dos principais deles.

“Dietas ricas em ultraprocessados, açúcar, farinhas refinadas e gorduras trans aumentam a inflamação. Além disso, excesso calórico constante também contribui. Por outro lado, falta de nutrientes anti-inflamatórios, como ômega-3, fibras e antioxidantes, piora o quadro”, alerta o médico.

Outro ponto importante é o acúmulo de gordura corporal, que passa a ter um papel ativo no funcionamento do organismo e ajuda a sustentar um ambiente inflamatório contínuo. “O tecido adiposo, especialmente o abdominal, funciona como um ‘órgão inflamatório’, liberando citocinas pró-inflamatórias”.

Esse mesmo desequilíbrio também impacta a forma como o corpo regula o açúcar no sangue, ampliando os efeitos desse processo no metabolismo. “Altos níveis de glicose e insulina estimulam vias inflamatórias. Isso conecta inflamação com condições como diabetes tipo 2”, completa Quadros.

Segundo ele, além da alimentação, outros aspectos da rotina também contribuem para esse desequilíbrio.

“A falta de exercício reduz a produção de substâncias anti-inflamatórias naturais do corpo. Dormir pouco ou mal aumenta cortisol e altera o sistema imune, favorecendo inflamação. O excesso de cortisol ao longo do tempo desregula a resposta inflamatória e pode aumentar inflamação sistêmica”.

Há ainda elementos menos visíveis, mas igualmente relevantes, ligados principalmente ao funcionamento do organismo. “Alterações na microbiota intestinal aumentam a permeabilidade do intestino, permitindo a passagem de toxinas que ativam o sistema imune”, destaca. Ele também cita toxinas ambientais, infecções crônicas ou silenciosas e desequilíbrios hormonais como parte desse processo.

Dr. Mário Quadros (@marioquadros) é médico endocrinologista

Quando o metabolismo muda

 Com o tempo, esse processo deixa de ser pontual e passa a afetar o organismo de forma mais ampla.

A inflamação crônica de baixo grau não fica só ‘localizada’. Ela interfere diretamente no funcionamento do metabolismo como um todo, especialmente na forma como o corpo lida com energia, gordura e glicose. Reduz a sensibilidade à insulina, aumenta a produção de citocinas inflamatórias, como TNF-alfa e IL-6, e prejudica a função das mitocôndrias”, explica.

Na prática, esse conjunto de alterações ajuda a entender por que diferentes sintomas podem surgir ao mesmo tempo.

Os sinais

Mesmo sendo silenciosa, a inflamação crônica costuma dar sinais no dia a dia, ainda que de forma sutil. Entre os mais comuns estão o cansaço persistente, a fadiga mesmo após dormir e a sensação de energia baixa. A dificuldade para emagrecer e o acúmulo de gordura abdominal também aparecem com frequência.

Alterações no apetite, como vontade por açúcar e carboidratos e fome desregulada, também são relatadas, assim como sintomas intestinais. “Estufamento, gases, constipação ou diarreia podem estar ligados a desequilíbrios da microbiota intestinal”, afirma o médico.

Outros sinais incluem dores musculares ou articulares sem causa clara, sensação de “corpo inflamado”, acne persistente, vermelhidão na pele e queda na imunidade, com infecções recorrentes. O impacto também pode atingir o humor e a cognição, com irritabilidade, ansiedade leve, dificuldade de concentração e sono não reparador.

Como reverter

Apesar de ser um processo contínuo, esse quadro não é definitivo. Ele pode ser controlado e, muitas vezes, revertido com alimentação mais limpa, redução de açúcar e ultraprocessados, prática regular de exercícios, sono adequado, manejo do estresse, redução da gordura corporal e cuidado com a microbiota intestinal.

Mais do que mudanças isoladas, o que faz diferença é a consistência. Com o tempo, esses ajustes ajudam o organismo a sair desse estado inflamatório e a recuperar o equilíbrio.

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