Especialistas explicam por que o peso pode não baixar mesmo com dieta e exercício e destacam o papel dos hormônios nesse processo
Para muitas pessoas, o processo de emagrecimento parece não seguir uma lógica simples. Mesmo com alimentação equilibrada e prática regular de exercícios, a balança nem sempre responde como esperado. Nesses casos, é comum que o chamado “metabolismo lento” seja apontado como o principal responsável. A discussão ganha força em um cenário global de aumento do excesso de peso: estimativas da Organização Mundial da Saúde indicam bilhões de adultos acima do peso, o que reforça a necessidade de compreender melhor os mecanismos que regulam o gasto energético e o acúmulo de gordura no organismo.
Embora o metabolismo tenha, sim, influência direta sobre o gasto calórico, especialistas alertam que ele não atua sozinho. Há uma combinação de fatores, que vão desde hábitos diários até o funcionamento hormonal, capaz de impactar a forma como o organismo armazena ou utiliza energia. Por isso, a dificuldade para emagrecer nem sempre está relacionada apenas à disciplina com dieta e exercício.
Muito além da queima de calorias
O metabolismo corresponde ao conjunto de processos responsáveis por transformar os alimentos em energia. Quando mais ativo, maior o gasto energético ao longo do dia. No entanto, sua desaceleração pode estar ligada a diferentes fatores, como a perda de massa muscular, o sedentarismo e padrões alimentares inadequados.
Isso ajuda a explicar por que estratégias baseadas apenas na redução calórica nem sempre funcionam. Ao restringir demais a ingestão de alimentos, o corpo tende a reduzir o próprio gasto energético como mecanismo de defesa, dificultando ainda mais o emagrecimento. Por outro lado, práticas como musculação, maior consumo de proteínas e a manutenção de uma rotina ativa contribuem para preservar a massa muscular e favorecer o metabolismo.
“A melhor forma de manter o metabolismo acelerado é ter uma rotina equilibrada, com boa alimentação e atividade física regular”, completa a especialista.
O peso do sistema hormonal
Se por um lado hábitos influenciam, por outro, o funcionamento hormonal pode ser determinante para o sucesso do emagrecimento. O metabolismo é regulado por hormônios que controlam desde a fome até o armazenamento de gordura, o sono e a resposta ao estresse. Quando esse sistema está desregulado, o corpo pode se tornar mais resistente à perda de peso.
“Tem paciente que chega achando que o metabolismo ‘quebrou’ porque está comendo errado. Muitas vezes, o que existe é um eixo hormonal desorganizado, tireoide funcionando abaixo do ideal, insulina alta, cortisol cronicamente elevado, perda de massa magra e, nas mulheres, uma transição hormonal já em curso. Sem corrigir isso, o corpo não responde como deveria”, explica o médico Dr. Arthur Victor de Carvalho.
Alterações como resistência à insulina, disfunções da tireoide e níveis elevados de estresse podem favorecer o acúmulo de gordura, especialmente na região abdominal, além de provocar sintomas como cansaço constante, fome desregulada e dificuldade para manter resultados.
“Quando o paciente diz ‘eu faço tudo e não emagreço’, isso precisa ser levado a sério. Não é uma frase de desculpa. Muitas vezes é um sinal clínico. O corpo pode estar inflamado, com baixa massa magra, insulina desregulada, cortisol alto, hormônios sexuais em queda. Nessa situação, insistir só em restrição é empurrar o organismo ainda mais para o modo de defesa”, afirma o especialista.
Diante desse cenário, a abordagem mais atual tem se afastado de soluções simplistas. “Quando o sistema hormonal volta a funcionar a favor do paciente, o emagrecimento deixa de ser uma guerra diária. O corpo não precisa ser forçado o tempo todo. Ele precisa ser compreendido e tratado com precisão”, conclui Dr. Arthur Victor de Carvalho.
Mais do que focar apenas na balança, o objetivo é compreender o organismo como um sistema integrado, ajustando hábitos, investigando possíveis desequilíbrios e buscando estratégias individualizadas.