Estratégias preventivas, como a estimulação cognitiva, ajudam a preservar a memória, a autonomia e a qualidade de vida durante o envelhecimento.
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O aumento da expectativa de vida é uma realidade em todo o mundo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), até 2030 uma em cada seis pessoas terá 60 anos ou mais. A população nessa faixa etária passará de 1 bilhão, em 2020, para 1,4 bilhão. Já em 2050, esse número deverá alcançar 2,1 bilhões, enquanto a população com mais de 80 anos será três vezes maior do que a atual, chegando a 426 milhões.
Diante desse cenário, promover um envelhecimento saudável torna-se um dos principais desafios da saúde pública. Nesse contexto, o Dia Mundial do Cérebro, celebrado em 22 de julho pela Federação Mundial de Neurologia (FMN), chama a atenção para a importância da prevenção e dos cuidados contínuos com a saúde cerebral.
Mais do que tratar doenças, o foco é adotar hábitos capazes de proteger o cérebro ao longo da vida, reduzindo os impactos do envelhecimento e contribuindo para a manutenção da independência e da qualidade de vida, especialmente entre idosos e superidosos, aqueles com mais de 80 anos.
Entre os principais fatores associados à saúde cerebral estão a prática regular de atividade física, alimentação equilibrada, sono de qualidade, cuidados com a saúde mental e o controle de doenças crônicas. Além desses aspectos, pesquisas têm demonstrado que a estimulação cognitiva desempenha papel fundamental na preservação das funções cerebrais.
Esse tipo de atividade desafia o cérebro constantemente, estimulando habilidades como memória, atenção, linguagem, concentração, raciocínio lógico e resolução de problemas. Exercícios mentais, jogos de estratégia, cartas, atividades com cálculos, como o ábaco, e interações sociais são algumas das práticas que ajudam a manter a mente ativa.
Assim como os músculos respondem positivamente aos exercícios físicos, o cérebro também se beneficia de desafios constantes. Estudos científicos apontam que a estimulação cognitiva pode contribuir para manter ou melhorar o desempenho mental, especialmente durante o envelhecimento.
A professora de música Yara Nunes Galvão, de 101 anos, relata os benefícios da prática.
As evidências científicas reforçam esses benefícios. Uma pesquisa conduzida pelo neurocientista Rafael Gomes Firmino, da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), destaca que a estimulação cognitiva reúne atividades voltadas ao desenvolvimento das capacidades cognitivas e sociais, podendo ser aplicada de forma individual, em grupo ou até mesmo entre diferentes gerações.
Segundo o estudo, essas intervenções têm demonstrado resultados positivos na melhoria da atenção, da memória recente, da participação social e de outras funções cognitivas em pessoas idosas.
Além disso, a estimulação cognitiva contribui para fortalecer as conexões cerebrais, ampliar a chamada reserva cognitiva, favorecer o bem-estar emocional e preservar a autonomia ao longo do envelhecimento.
Embora não exista uma fórmula única para um cérebro saudável, especialistas reforçam que a combinação entre hábitos saudáveis e estímulos mentais representa uma estratégia eficaz para promover uma longevidade mais ativa, independente e com melhor qualidade de vida.
Neste Dia Mundial do Cérebro, o convite é para refletir sobre atitudes que podem ser incorporadas desde cedo, tornando o cuidado com a saúde cerebral um compromisso permanente e um investimento para o futuro.