Esquecimento, procrastinação e desorganização podem acompanhar uma pessoa por décadas antes de levar à investigação. Especialistas afirmam que o diagnóstico, mesmo tardio, pode ajudar a compreender essa trajetória
Para algumas pessoas, a descoberta do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) acontece somente depois dos 30, 40 ou até 50 anos (Divulgação)
Para algumas pessoas, a descoberta do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) acontece somente depois dos 30, 40 ou até 50 anos. O diagnóstico pode surgir quando dificuldades antigas começam a interferir de maneira mais evidente no trabalho, nos relacionamentos e na rotina.
O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento, com manifestações que se iniciam na infância, mas nem sempre são reconhecidas naquele período. Em muitos casos, a pessoa aprende a compensar as dificuldades ou simplesmente cresce acreditando que é desorganizada, preguiçosa ou pouco disciplinada.
Para a psicóloga Bárbara Couto, o diagnóstico clínico considera os sintomas, a trajetória do paciente e o histórico familiar. A avaliação neuropsicológica também pode ser utilizada para investigar atenção, memória e funções executivas, principalmente quando existe dúvida em relação a outras condições.
"O laudo não é uma sentença. É um documento que explica como aquela pessoa funciona e abre caminho para adaptações. Ele não diz o que você não pode fazer. Ele ajuda a entender como você pode fazer de um jeito que funcione melhor para você". Luanda Rosa, neuropsicóloga
Entre as manifestações do TDAH estão desatenção, hiperatividade e impulsividade, que podem aparecer de maneiras diferentes em cada pessoa. Segundo Bárbara, quem apresenta predominantemente sintomas de desatenção pode ter dificuldade para concluir tarefas, organizar atividades, manter o foco em trabalhos longos e lembrar compromissos. Já a hiperatividade pode se manifestar pela inquietação constante, dificuldade para relaxar e necessidade de estar sempre em movimento.
O diagnóstico tardio não significa que a condição tenha surgido naquele momento. Segundo a neuropsicóloga Luanda Rosa, características do TDAH podem permanecer sem identificação durante décadas, especialmente quando a pessoa desenvolve estratégias próprias para lidar com as dificuldades.
Para Luanda, receber um diagnóstico na vida adulta pode trazer uma nova compreensão sobre experiências que acompanharam a pessoa por muitos anos.
A investigação, portanto, não deve ser feita apenas a partir de listas de sintomas encontradas na internet. “Mais do que observar comportamentos atuais, o especialista procura compreender como essa pessoa se desenvolveu desde a infância e de que forma essas características influenciaram sua vida”, explica a Dra. Luanda.
“Pessoas com TDAH têm baixa autoestima, estão sempre frustradas com elas, com os erros constantes, têm sentimento de inadequação muito grande porque têm rendimento muito menor que as outras pessoas e precisam estar sempre se esforçando muito”. Bárbara Couto, psicóloga
No caso do TDAH, o tratamento pode envolver acompanhamento psiquiátrico e psicológico, conforme as necessidades de cada paciente. Bárbara destaca que a medicação deve ser acompanhada regularmente por um médico e pode ser combinada a intervenções psicológicas.
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A terapia também pode contribuir para o desenvolvimento de estratégias de organização, manejo dos impulsos e planejamento da rotina. “Quando o TDAH é descoberto, é muito importante que familiares entendam o comportamento para apoiar e não cobrar ações e atividades que são difíceis para ele”, finaliza Bárbara Couto.