Especialista explica que a produção de leite depende principalmente de mecanismos fisiológicos e hormonais
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Mesmo com o acesso cada vez maior à informação, muitos mitos sobre a amamentação continuam sendo compartilhados entre familiares, amigos e nas redes sociais. A crença de que existe "leite fraco", de que beber cerveja preta, chás ou consumir determinados alimentos aumenta a produção de leite e até a ideia de que o bebê chora porque o leite materno "não sustenta" ainda fazem parte da realidade de muitas mulheres. Segundo a médica nutróloga e docente da Afya Educação Médica, Bruna D'Avila, essas afirmações não encontram respaldo científico e podem gerar insegurança, comprometendo a experiência da amamentação.
"O leite materno é um alimento vivo, dinâmico e adaptado às necessidades do bebê. Sua composição se modifica ao longo da mamada e também ao longo do tempo, justamente para atender às diferentes necessidades da criança. Por isso, não existe, na prática, o conceito de 'leite fraco'", explica.
A médica destaca que outra crença bastante difundida é a de que determinados alimentos ou bebidas seriam capazes de aumentar significativamente a produção de leite. Entre as recomendações populares mais conhecidas estão o consumo de canjica, cerveja preta e diferentes tipos de chás. No entanto, de acordo com a nutróloga, essas práticas não possuem evidências científicas robustas.
"É importante separar a alimentação adequada da mãe dos chamados alimentos que aumentam o leite. Não existe um alimento universalmente comprovado como capaz de aumentar a produção de leite materno de forma significativa. Inclusive, bebidas alcoólicas não são recomendadas como estratégia para estimular a lactação", afirma.
Médica Bruna D´Avila
Conforme Bruna D'Avila, embora uma alimentação equilibrada e a hidratação sejam fundamentais para a saúde da mulher durante esse período, elas não são, isoladamente, responsáveis pela produção de leite. "A produção de leite depende principalmente dos mecanismos fisiológicos e hormonais da lactação e do princípio da oferta e demanda. Quanto mais frequente e eficientemente o leite é removido das mamas, maior tende a ser o estímulo para sua produção."
A especialista acrescenta que outros fatores também podem interferir nesse processo, como pega inadequada do bebê, intervalos muito longos entre as mamadas, introdução precoce e desnecessária de complementação, além de estresse, privação de sono e algumas condições clínicas ou medicamentosas.
"Quando existe uma percepção de baixa produção, o mais importante é investigar a causa e não simplesmente buscar um alimento ou suplemento para 'aumentar o leite'", ressalta.
A nutróloga também chama atenção para o impacto emocional que essas crenças podem provocar nas mulheres. Para ela, a insegurança em relação à quantidade de leite muitas vezes está relacionada ao cansaço, à privação de sono, à ansiedade e à pressão social.
"A mulher precisa ser acolhida e orientada, e não culpabilizada. Amamentar pode ser uma experiência muito potente, mas também pode ser desafiadora. Reconhecer essa realidade faz parte de um cuidado verdadeiramente humanizado", destaca.
Além dos cuidados com o bebê, Bruna D´Avila reforça que a saúde materna também deve estar no centro da atenção. Durante a lactação, as necessidades nutricionais aumentam e, por isso, a mulher precisa manter uma alimentação adequada, variada e suficiente para esse período, respeitando suas necessidades individuais.
"Não é o momento de fazer dietas restritivas ou buscar uma perda de peso acelerada. A recuperação materna e a saúde metabólica também precisam fazer parte desse cuidado. Uma mulher bem nutrida, acolhida, orientada e apoiada tem melhores condições de vivenciar esse processo com mais segurança e tranquilidade", comenta.
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