Tecnologia de ultrassom micro e macrofocado ganha espaço em protocolos que buscam recuperar sustentação e contorno sem recorrer necessariamente ao preenchimento
Segundo Yanna, o LinearZ não produz o mesmo efeito volumétrico de um preenchimento, mas protocolos específicos podem estimular uma resposta do próprio tecido
O rosto também muda quando o corpo muda. Com o passar dos anos, a pele perde firmeza, os contornos se transformam e alguns compartimentos de gordura facial diminuem. O mesmo pode acontecer depois de um emagrecimento significativo: a conquista de um novo peso pode vir acompanhada de uma percepção inesperada diante do espelho, marcada pela perda de sustentação e volume em determinadas regiões.
É nesse cenário que novas estratégias para o cuidado facial começam a olhar para o envelhecimento de maneira mais ampla. Em vez de pensar apenas em retirar a flacidez ou preencher áreas que perderam volume, a proposta é compreender quais estruturas foram modificadas e buscar respostas do próprio organismo. O LinearZ, tecnologia de ultrassom micro e macrofocado, entra nesse contexto com protocolos voltados ao estímulo de colágeno, à melhora do contorno e, segundo a especialista, ao estímulo do tecido adiposo em regiões específicas.
“Quando eu avalio um paciente que passou por um grande emagrecimento ou que apresenta as mudanças naturais do envelhecimento, eu não olho apenas para a flacidez. Existe também uma perda de volume em alguns compartimentos de gordura do rosto, que pode levar à perda de sustentação e de definição dos contornos faciais”, explica a médica Yanna Simões, com atuação em Saúde, Pele e Cabelo. Para ela, a avaliação precisa considerar as características de cada paciente antes da definição do tratamento. “Nem todo paciente que perdeu volume precisa necessariamente repor esse volume da mesma forma. Eu procuro entender quais estruturas foram afetadas e o que aquele rosto realmente precisa para, a partir daí, definir a melhor estratégia de tratamento.”
Entre as regiões que podem receber protocolos específicos estão as olheiras, as têmporas e o terço inferior da face. A médica observa que a procura também aparece entre pessoas que passaram por grandes emagrecimentos e perceberam mudanças no rosto. “O que eu acho interessante no LinearZ é justamente essa possibilidade de olhar para o rosto como um todo. A gente consegue trabalhar a flacidez e estimular colágeno onde precisa de mais sustentação e, nas áreas em que houve perda de volume, utilizar protocolos específicos voltados para o estímulo do tecido adiposo. Então não é tratar o rosto inteiro da mesma maneira, mas entender o que cada região precisa.”
A proposta, no entanto, não é transformar o LinearZ em um substituto dos procedimentos injetáveis. O ácido hialurônico atua como preenchedor e permite uma reposição direta de volume, enquanto os bioestimuladores são aplicados com o objetivo de estimular a produção de colágeno. Já o LinearZ utiliza o ultrassom micro e macrofocado e, de acordo com a médica, pode atuar em diferentes camadas da face. “São tratamentos com propostas diferentes. O ácido hialurônico é um preenchedor, então com ele eu consigo repor volume de forma mais direta e imediata em pontos específicos do rosto. Os bioestimuladores são produtos injetáveis que estimulam a produção de colágeno ao longo do tempo, melhorando principalmente firmeza, sustentação e qualidade da pele.”
A diferença está também na forma como o volume é trabalhado. Segundo Yanna, o LinearZ não produz o mesmo efeito volumétrico de um preenchimento, mas protocolos específicos podem estimular uma resposta do próprio tecido. “Claro que o LinearZ não é um preenchedor e nem vai promover um resultado volumétrico comparável ao ácido hialurônico. São mecanismos completamente diferentes. Mas, com protocolos específicos, podemos observar um aumento de volume naquela região a partir da resposta do próprio tecido. E isso é muito interessante porque, mesmo nos casos em que depois exista indicação de ácido hialurônico, podemos precisar de uma quantidade bem menor de produto para chegar ao resultado desejado, mantendo as características e a naturalidade daquele rosto.”
No centro dessa abordagem está, portanto, a ideia de que cada rosto envelhece de uma maneira e não precisa necessariamente ser tratado por uma única fórmula. “Hoje eu não busco uma única solução para o rosto inteiro. Eu avalio quais estruturas estão sofrendo alterações e, a partir disso, escolho ferramentas diferentes para necessidades diferentes”, afirma a médica. A indicação, por isso, depende de avaliação individualizada, considerando as características, alterações e objetivos de cada paciente. “No final, a ideia não é simplesmente preencher ou aumentar o rosto, mas recuperar sustentação, contorno e equilíbrio de uma forma muito mais natural.”