saúde

Miopia infantil avança impulsionada por rotina hiperconectada

Excesso de telas, menos tempo ao ar livre e rotina hiperconectada aceleram avanço da miopia infantil

Rebeca Beatriz
23/05/2026 às 13:06.
Atualizado em 23/05/2026 às 13:06

Tire suas dúvidas sobre o avanço da miopia infantil. (Foto: Divulgação)

O uso de óculos na infância tem se popularizado, e atualmente é comum encontrar crianças pequenas convivendo precocemente com a miopia, muitas vezes, antes mesmo da alfabetização completa. Este cenário tem preocupado especialistas em diferentes países, e vem sendo tratado como uma questão global de saúde pública, impulsionada principalmente pelas mudanças no estilo de vida das novas gerações.

Segundo profissionais da saúde dos olhos, o avanço da miopia infantil está diretamente ligado ao excesso de atividades realizadas de perto, especialmente diante das telas. O oftalmologista Alex Adorno explica que o uso de telas, em si, não é o único problema.

“O que força o olho a crescer mais do que deveria é o trabalho de perto prolongado tela, livro, caderno, tanto faz. O que mudou foi que as crianças agora ficam horas olhando para perto, sem pausa, muitas vezes com pouca luz. A miopia está aparecendo cada vez mais cedo nas crianças porque elas passam mais tempo em ambientes fechados, com atividades de perto, e menos tempo ao ar livre. O estilo de vida mudou. E isso está adiantando o início da miopia e tornando a progressão mais rápida. Hoje atendo crianças de 5, 6 anos já usando óculos. Há 20 anos isso era bem menos comum”, relata.

Sinais de alerta

Ir ao oftalmologista a cada seis meses é uma forma de prevenir problemas relacionados à saúde dos olhos. Além disso, quanto mais cedo começa o acompanhamento oftalmológico nas crianças, mais rápido se pode tratar e ter sucesso nos resultados.

Mas é necessário ficar atento aos principais sinais de alerta. Entre os principais sintomas de que algo está errado estão o hábito de franzir os olhos para enxergar de longe, sentar-se muito perto da televisão, aproximar excessivamente o celular do rosto, dores de cabeça frequentes e dificuldade para enxergar o quadro na escola.

No entanto, o médico ressalta que muitas crianças sequer percebem o problema.

“Muitas crianças não reclamam porque simplesmente não sabem que estão enxergando mal, acham que é assim para todo mundo. Por isso a consulta preventiva antes dos 4 anos é importante, mesmo sem nenhuma queixa”, orienta.

Em meio à rotina hiperconectada, especialistas reforçam que brincar ao ar livre pode ser uma das formas mais eficazes de prevenção. A exposição à luz natural estimula a retina a liberar dopamina, substância que ajuda a frear o crescimento excessivo do olho.

“Duas horas por dia ao ar livre reduzem o risco de desenvolver miopia e desaceleram a progressão em quem já tem. Não precisa ser esporte. Brincar na rua, correr, andar de bicicleta já ajuda”, explica Adorno.

A recomendação para o uso de telas varia conforme a faixa etária. Para crianças entre 2 e 5 anos, o indicado é limitar o tempo recreativo a uma hora por dia. Para os maiores, a orientação é criar pausas frequentes.

“A cada 20 minutos olhando para perto, a criança deve passar pelo menos 20 segundos olhando para longe. O problema é permanecer cinco ou seis horas seguidas no celular sem nenhum intervalo”, alerta.

Embora não tenha cura, a miopia infantil pode ser controlada e desacelerada quando identificada precocemente. Atualmente, tratamentos como colírios de atropina em baixa concentração, lentes ortoceratológicas e óculos com tecnologia específica já ajudam a reduzir a progressão do problema.

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