CENÁRIO

No AM, municípios negam ter aplicado vacina vencida e culpam Ministério da Saúde

Ao menos mais 13 cidades do Amazonas teriam recebido lotes vencidos

Giovanna Marinho
02/07/2021 às 21:05.
Atualizado em 09/03/2022 às 01:05

(Foto: Divulgação)

O secretário de Saúde de Manacapuru, Rodrigo Balbi, disse ao A CRÍTICA que o município distante 98,8 quilômetros de Manaus, está verificando a situação das possíveis doses de vacinas vencidas, denunciadas nesta sexta-feira (02) na reportagem da Folha da São Paulo, junto à Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), mas até o momento não foram encontrados lotes de vacinas que estivessem fora do período adequado. Manicoré, Parintins e Manaus já se pronunciaram.

Balbi, acredita que o erro dificilmente seria das instâncias menores, devido o alto controle no recebimento dos lotes. Ele acredita que a falha pode ter ocorrido no sistema do Ministério da Saúde que apresentou instabilidades nos últimos dias. Segundo a reportagem, 88 manacapuruenses teriam sido imunizados, com vacinas impróprias para uso.

“Jamais deixaríamos à disposição da sociedade vacinas vencidas. Se o erro ocorreu foi no Ministério da Saúde. Aqui você tem um controle de lote das vacinas e antes da distribuição daquelas doses há uma conferência das datas de validade”, justificou o secretário, acrescentando que a situação coloca em dúvida a lisura da aplicação das vacinas e abre precedente para o movimento de anti-vacina.

Já o município de Manicoré, a 338 quilômetros da capital, negou a aplicação de 104 vacinas fora do vencimento estabelecido pelas fabricantes e afirmou que todas as doses foram revisadas e estavam todas dentro do prazo de validade.

“O controle é bastante rígido no controle desde a chegada até a distribuição para as UBS onde são aplicadas nos braços dos bacuraus”, indicou a Prefeitura por meio da Secretaria de Comunicação. 

Os dois municípios seriam os lideres estaduais na aplicação de doses foram do prazo de validade seguidos pela capital, Manaus. Ao menos mais 13 cidades do Amazonas teriam recebido esses lotes, são eles: Borba (2), Humaitá (2) Ipixuna (2), Tefé (2), Anori (2), Caapiranga (1), Jutaí (1), Manaquiri (1), Parintins (1), Pauini (1), Rio Preto da Eva (1), São Sebastião do Uatumã (1) e Tabatinga (1).

Secretaria de Manaus

A Secretaria de Saúde de Manaus emitiu um comunicado afirmando que está verificando as denúncias, mas que não há registro da aplicação de doses vencidas.

Em relação à reportagem da "Folha de S. Paulo" sobre o suposto uso de vacinas vencidas no país, a Secretaria Municipal de Saúde de Manaus (Semsa) informa que, desde o início da campanha de imunização contra a Covid-19, não houve registro de lotes vencidos na Divisão de Imunização do Município (Divim), nem a aplicação de qualquer dose fora do prazo de validade.

 

A secretaria esclarece que todos os lotes recebidos são devidamente registrados nos sistemas de informação, onde também são cadastrados os dados do vacinado, local e hora da aplicação da dose, além dos dados do vacinador. As informações são repassadas ao Ministério da Saúde, para monitoramento e transparência do processo de vacinação. A Semsa vai apurar, junto ao DataSus, a possibilidade de erros nos registros no sistema do Ministério da Saúde.

 

A Semsa orienta que, em caso de dúvidas, os usuários podem abrir manifestação junto à Ouvidoria Municipal do Sistema Único de Saúde (SUS), por meio do telefone 0800-092-1603 e 98842-6835, exclusivo para mensagens de WhatsApp.

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