Medicamentos ainda estão em estudo e buscam preservar músculos durante o envelhecimento e o emagrecimento; especialistas reforçam que exercício e alimentação continuam indispensáveis
As chamadas canetas para músculos ainda não são tratamentos disponíveis para uso geral, mas vêm sendo estudadas (Foto: Reprodução)
Depois da popularização dos medicamentos injetáveis para perda de peso, uma nova frente de pesquisa começa a chamar atenção: substâncias desenvolvidas para ajudar o organismo a preservar a musculatura. As chamadas “canetas para músculos” ainda não são tratamentos disponíveis para uso geral, mas vêm sendo estudadas para situações em que a redução de massa muscular representa um risco à saúde.
A preocupação aumentou justamente com o avanço dos tratamentos contra a obesidade. Em processos de emagrecimento expressivo, o corpo pode eliminar, além de gordura, parte da massa magra. O envelhecimento também está relacionado à redução gradual de músculos e, em alguns casos, pode evoluir para a sarcopenia, condição que compromete força, mobilidade e independência.
Como funcionariam os novos medicamentos
Uma das principais estratégias investigadas envolve proteínas como a miostatina e a activina, que participam dos mecanismos naturais responsáveis por regular o crescimento muscular. A ideia das pesquisas é interferir nessas vias para diminuir a perda de tecido muscular ou favorecer sua preservação.
Entre as substâncias que estão sendo avaliadas estão apitegromab, bimagrumab e trevogrumab. Os estudos, porém, ainda precisam esclarecer quais pacientes poderiam se beneficiar, qual seria a melhor utilização e quais efeitos podem surgir com o uso prolongado.
Segundo especialistas, a finalidade dessas terapias não deve ser confundida com a busca estética por músculos maiores. O interesse médico está principalmente em situações de perda muscular relevante.
Outro ponto de atenção é que aumentar o volume dos músculos não significa necessariamente aumentar a força na mesma proporção. A capacidade funcional também depende da coordenação, do sistema nervoso e da adaptação provocada pelo exercício.
O impacto das canetas para emagrecer
Especialistas ouvidos sobre o tema ressaltam que o uso de medicamentos para emagrecer sem acompanhamento pode favorecer uma ingestão insuficiente de proteínas e micronutrientes. Por isso, o acompanhamento da composição corporal e da força pode ser importante durante o tratamento.
A recomendação é que a alimentação continue fornecendo quantidade adequada de proteínas e outros nutrientes necessários à manutenção dos tecidos. Também é preciso observar sinais como redução da força, dificuldade para realizar tarefas cotidianas e perda excessiva de peso sem preservação da massa magra.
Movimento continua sendo essencial
Mesmo que os medicamentos avancem e eventualmente sejam aprovados para determinadas situações, eles não substituem a atividade física. Exercícios de força, como a musculação, estimulam a musculatura e ajudam a preservar força e capacidade funcional.
De acordo com especialistas, a combinação entre treinamento, alimentação adequada e, quando necessário, tratamento medicamentoso é que pode oferecer melhores condições para preservar os músculos. A ideia, portanto, não é trocar a academia por uma injeção, mas desenvolver novas ferramentas para pessoas que enfrentam maior risco de perda muscular.
Também permanecem dúvidas sobre a segurança das substâncias em desenvolvimento. Pesquisas já registraram efeitos adversos em alguns estudos, e o acompanhamento por períodos mais longos será necessário para compreender os possíveis riscos de interferir nos mecanismos que regulam naturalmente o crescimento muscular.
Por enquanto, as “canetas para músculos” pertencem ao campo da pesquisa. Seu eventual uso deverá depender dos resultados dos estudos, de aprovação pelas autoridades sanitárias e de indicação médica para situações específicas — e não como uma alternativa rápida para quem simplesmente deseja ganhar músculos.
A possibilidade de utilizar essas terapias em conjunto com medicamentos para emagrecimento é uma das questões estudadas. Isso porque a redução acelerada de peso pode vir acompanhada de perda de massa muscular, especialmente quando não há cuidado com alimentação e atividade física.