Excesso de telas, sedentarismo e consumo de ultraprocessados impulsionam avanço da obesidade infantil; no Brasil, 16,5 milhões de jovens convivem com excesso de peso
(Foto: Reprodução)
A obesidade já superou a desnutrição como principal forma de má nutrição entre crianças e adolescentes em idade escolar no mundo. No Brasil, cerca de 16,5 milhões de jovens entre 5 e 19 anos convivem com sobrepeso ou obesidade, segundo dados do Atlas Mundial da Obesidade 2026. O avanço do problema preocupa especialistas, que apontam o excesso de telas, o sedentarismo e a alimentação baseada em produtos ultraprocessados como alguns dos principais fatores associados ao aumento dos casos.
Dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) apontam que, atualmente, 391 milhões de crianças e adolescentes estão acima do peso no mundo. O levantamento mostra ainda que a obesidade entre jovens de 5 a 19 anos saltou de 3% em 2000 para 9,4% em 2025, ultrapassando os índices de desnutrição.
No Brasil, o cenário também se agravou nas últimas décadas. O índice de obesidade entre crianças e adolescentes subiu de 5% em 2000 para 15% em 2022, enquanto o sobrepeso passou de 18% para 36% no mesmo período.
Aos 12 anos, Maria Cecília decidiu mudar a rotina após perceber que estava em um quadro de obesidade. Acostumada a passar grande parte do tempo no celular e com hábitos sedentários, ela começou a praticar atividades físicas e adotou uma reeducação alimentar. A mudança trouxe reflexos não apenas na saúde, mas também na autoestima e no convívio social.
“Antes eu ficava muito no celular, não tinha muito uma vida tão social. Agora eu me sinto mais leve”, relatou. A adolescente também contou que reduziu o consumo excessivo de doces e passou a se sentir mais disposta durante a rotina diária.
Especialistas alertam que a obesidade infantil vai além da questão estética e pode desencadear problemas de saúde cada vez mais cedo. Entre as doenças associadas estão diabetes tipo 2, hipertensão, colesterol elevado e alterações metabólicas. Além dos impactos físicos, crianças com obesidade também podem enfrentar ansiedade, depressão e baixa autoestima.
A nutricionista infanto-juvenil Rayane Colares explica que doenças antes mais frequentes na fase adulta passaram a surgir precocemente entre crianças e adolescentes. Segundo ela, o tratamento exige avaliação individualizada da rotina alimentar, do tempo de tela, da prática de exercícios físicos e até do ambiente familiar.
Quando associada à prática regular de atividades físicas, a mudança alimentar tende a apresentar resultados mais consistentes. O educador físico Rodrigo Nóbrega destaca que o esporte contribui não apenas para a saúde corporal, mas também para o desenvolvimento social e emocional das crianças.
“Saúde e bem-estar é o principal”, afirmou.
Os relatórios internacionais também apontam o impacto da publicidade de alimentos ultraprocessados voltada ao público infantil. Em pesquisa realizada com 64 mil jovens de mais de 170 países, 75% afirmaram ter visto anúncios de refrigerantes, snacks e fast foods na semana anterior, enquanto 60% disseram que a propaganda aumentou a vontade de consumir esses produtos.
Entre as principais medidas recomendadas por especialistas estão a redução do tempo de tela, incentivo à prática esportiva, alimentação escolar mais saudável e diminuição do consumo de bebidas açucaradas e alimentos ultraprocessados.
A previsão do Atlas Mundial da Obesidade é que o número de crianças e adolescentes com excesso de peso no mundo ultrapasse 500 milhões até 2040.