Médica alerta para vulnerabilidade de crianças e idosos e para piora de doenças respiratórias; focos de calor dobram no início de agosto.
(Foto: Jorge Alberto/A CRÍTICA)
A fumaça das queimadas no Amazonas tem elevado o alerta para a saúde da população, exigindo cuidados redobrados, especialmente para crianças e idosos. A situação, que se agrava com o período de estiagem, afeta diretamente o sistema respiratório, conforme alerta a médica de família Rosana Ferreira.
Segundo a especialista, as partículas finas e gases presentes na fumaça causam processos inflamatórios ao serem inaladas, atingindo desde a mucosa nasal até os pulmões. “As pessoas mais vulneráveis, como as crianças e os idosos, são as pessoas que mais sofrem, que mais padecem nesse momento”, explicou Ferreira. Condições respiratórias preexistentes, como bronquite, Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) e alergias, pioram significativamente, tornando os indivíduos mais suscetíveis a infecções.
Para minimizar os impactos na saúde, a Dra. Rosana Ferreira recomenda hidratação constante, uso de soro fisiológico nasal e, em ambientes fechados, a utilização de vaporizadores para umidificar o ar. É fundamental evitar a exposição de crianças à fumaça e, em dias de alta concentração, preferir permanecer em ambientes internos.
A qualidade do ar em diversos municípios do estado tem sido classificada como “moderada” ou “ruim”, e em alguns casos, “péssima”, como em Anavilhanas. Municípios como Itacoatiara e Parintins já registraram índices preocupantes, com a situação tendendo a piorar à noite, quando as queimadas em áreas de vegetação, especialmente nas zonas Norte e Leste de Manaus, se intensificam. O aplicativo Selva é uma ferramenta recomendada para o monitoramento da qualidade do ar pela população.
O número de focos de calor no Amazonas dobrou nas duas primeiras semanas de agosto. Apuí, no sul do estado, lidera o ranking de municípios com maior incidência de incêndios, seguido por Novo Aripuanã, Careiro, Autazes e Presidente Figueiredo.
A situação em Apuí é particularmente alarmante. Um incêndio na região já dura mais de duas semanas e se estende por cerca de 200 km. A suspeita é de que o fogo seja resultado de “grilagem” de terras para abertura de roçados e pastagens. O Corpo de Bombeiros local, embora ciente da gravidade, enfrenta um dilema: a distância do incêndio (200 km da área urbana) impede a atuação direta sem deixar o município desamparado para outras emergências.
Este cenário remete à crise de fumaça que Manaus enfrentou em 2023, evidenciando a necessidade de políticas públicas eficazes para combater as queimadas e seus impactos. A recorrência do problema sublinha a urgência de ações para reverter o quadro e proteger a saúde dos amazonenses.