Bem Estar

Superidosos desafiam estereótipos e redefinem o envelhecimento

Rotina ativa, prevenção e hábitos saudáveis impulsionam longevidade com qualidade de vida no Brasil

Gabriel Machado
18/04/2026 às 18:10.
Atualizado em 18/04/2026 às 18:10

Especialistas destacam que vínculos sociais, propósito de vida e acesso à informação são fatores decisivos para manter autonomia e bem-estar ao longo do envelhecimento (Freepik.com)

O conceito de envelhecimento está passando por uma transformação silenciosa - e profundamente inspiradora. Cada vez mais, pessoas acima dos 60, 70 e até 80 anos vêm rompendo estereótipos ao manter uma rotina ativa, autonomia funcional e qualidade de vida elevada. São os chamados superidosos, um grupo que vem despertando o interesse da ciência e da sociedade.

Para a endocrinologista Rebeca Cavalcante, essa mudança está diretamente ligada à evolução da medicina e ao acesso à informação. “Mais do que viver mais, passamos a compreender a importância de envelhecer com saúde e qualidade de vida, buscando manter independência, autonomia e funcionalidade. O envelhecimento deixou de ser visto apenas como um processo de perdas e passou a ser encarado como uma fase da vida que também pode ser ativa, produtiva e plenamente aproveitada”, disse ao VIDA.

Esse novo perfil também é reflexo de mudanças no estilo de vida e de uma sociedade mais consciente. O cirurgião plástico Euler Ribeiro Filho destaca o impacto desse contexto. “A evolução da própria civilização no contexto médico, nutritivo e informativo modificou muito a capacidade de longevidade da população. Hoje, o que é classificado como idoso pela Organização Mundial da Saúde já não corresponde mais à limitação de décadas atrás”.

A nutricionista ortomolecular Karol Gadelha reforça que o ambiente atual favorece escolhas mais saudáveis. “Hoje, vemos mais pessoas nas academias, mais opções de atividade física e uma sociedade mais consciente sobre saúde. A própria indústria alimentícia acompanhou esse movimento, oferecendo produtos com menos sódio, mais proteína e menos açúcar”.

Entre os principais fatores que sustentam esse envelhecimento ativo, estão hábitos consistentes ao longo da vida. Rebeca reforça que não há um único segredo, mas sim um conjunto de pilares. “Atividade física regular, principalmente com foco em força, mobilidade e equilíbrio, alimentação equilibrada, sono de qualidade, acompanhamento médico e saúde mental são fundamentais. Pessoas que mantêm vínculos sociais e propósito tendem a envelhecer com mais vitalidade”.

A manutenção da autonomia também passa pelo papel social e emocional do idoso. Euler chama atenção para a importância de se manter ativo e inserido na sociedade. “A permanência da atividade laborativa, o convívio social e a sensação de se sentir útil são fundamentais. Quando o idoso se mantém produtivo e valorizado, isso potencializa a qualidade de vida em qualquer idade”.

Saúde preventiva

Outro ponto decisivo é o avanço da saúde preventiva, que mudou a forma como lidamos com o envelhecimento. “Hoje, sabemos que muitas doenças começam anos antes de se manifestarem. A medicina preventiva permite identificar riscos precocemente e agir antes que eles se tornem problemas maiores”, explicou Rebeca.

Euler também destaca o papel da prevenção e dos avanços científicos nesse cenário. “Hoje, temos diagnóstico precoce e uma medicina mais voltada para evitar doenças antes que elas se instalem. A prevenção, aliada à informação de qualidade, melhora significativamente a expectativa e a qualidade de vida dos pacientes”.

Na prática, isso significa acompanhamento constante e individualizado. Karol ressalta que a nutrição moderna vai além da alimentação. “Hoje, conseguimos identificar deficiências nutricionais, processos inflamatórios e desequilíbrios antes mesmo dos sintomas. Com estratégias personalizadas, é possível manter energia, vitalidade e saúde ao longo dos anos.”

Apesar dos avanços, envelhecer com qualidade no Brasil ainda apresenta desafios importantes. A falta de acesso à saúde preventiva, o custo de um estilo de vida saudável e questões como solidão e sedentarismo ainda impactam diretamente essa realidade. “Envelhecer com qualidade exige preparo. Assim como planejamos carreira e finanças, também precisamos planejar nossa saúde. A longevidade é uma construção diária e, quanto antes começarmos, melhores serão os resultados lá na frente”, encerrou Karol.

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