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Thelma Assis relembra atuação em Manaus durante a pandemia: 'Era uma sensação de impotência'

Médica relembrou como sua atuação na linha de frente durante a crise de oxigênio marcou sua trajetória na medicina e a impulsionou a abraçar o trabalho voluntário

Amariles Gama
08/09/2024 às 11:43.
Atualizado em 08/09/2024 às 11:44

Thelminha considera o trabalho voluntário na linha de frente da Covid-19 em Manaus, durante a crise do oxigênio, o mais desafiador de sua carreira como médica. (Foto: Divulgação)

Mais de três anos depois, a médica e campeã do Big Brother Brasil (BBB) 20, Thelma Assis, compartilhou detalhes sobre sua experiência como voluntária em Manaus, em 2021, durante um dos momentos mais críticos da pandemia de Covid-19. Em entrevista exclusiva ao A CRÍTICA, Thelma relembrou como sua atuação na linha de frente durante a crise de oxigênio marcou sua trajetória na medicina e a impulsionou a abraçar o trabalho voluntário como parte de sua vida.

Thelminha, como também é conhecida, atuou em uma das maiores unidades de saúde do Amazonas, o Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, em Manaus. Na época, ela tentou realizar o trabalho de forma anônima, ajudando doentes com Covid-19, enquanto muitos morriam por asfixia nos hospitais da cidade, que naquela época colapsava com a falta de oxigênio.

No entanto, sua atuação veio a público quando funcionários das unidades de saúde publicaram fotos nas redes sociais ao lado da médica.

"A experiência em Manaus foi uma das mais difíceis da minha atuação como médica. Tenho 12 anos de formada e foi desafiador vivenciar aquilo. Havia muita gente em estado grave, pacientes intubados, e lidar com a resiliência da equipe foi extremamente intenso. Não só dos médicos, mas de todos os profissionais que já estavam há mais de um ano na linha de frente, com o psicológico sensível, vulnerável", relatou.

Sensação de impotência na linha de frente

Na época, Thelma havia acabado de sair do BBB como campeã da edição e se deparou com um turbilhão de incertezas diante de uma doença que devastava famílias em todo o mundo. Antes de entrar para o reality show, ela trabalhava como anestesiologista em três hospitais públicos de São Paulo e era responsável pela sedação de pacientes no centro cirúrgico.

"Eu lembro que havia uma demanda imensa por vagas na UTI, e não havia vaga para todo mundo. Era uma sensação de impotência, sabe? Apesar de eu estar lá (em Manaus) de forma voluntária, sempre que a gente volta de um trabalho, assim como voltei recentemente do Rio Grande do Sul, a gente fica com a sensação de que gostaria de ter feito muito mais", explicou Thelma.

Um novo propósito: a medicina voluntária

Thelma afirma que a experiência em Manaus, apesar de ter sido o mais desafiador de sua carreira, trouxe um novo propósito para sua vida. Diante de um momento de dificuldade, uma semente foi plantada, e hoje, a médica afirma que carrega o propósito de ter a medicina voluntária como um pilar em sua vida.

"Foi um aprendizado. Daquela situação nasceu o propósito que eu carrego comigo agora, de ter a medicina na minha vida sempre de forma voluntária. Depois de Manaus, entrei para a ONG Zoé, que atua no Norte, no Pará, e monta centros cirúrgicos do zero com a ajuda de parceiros e realiza expedições em terra ou em barco", contou Thelminha.

Ela afirma que, em novembro, irá retornar ao Pará para trabalhar na ONG, que leva assistência médica e serviços de saúde para comunidades remotas.

Thelma contou ainda que passou nove anos de sua vida estudando para obter a formação de médica e anestesista. Refletindo sobre sua jornada, ela revelou que a experiência em Manaus também lhe trouxe uma certeza importante:

"A experiência em Manaus confirmou que todo o conhecimento que eu tinha adquirido até ali não se perdeu. Voltei a atuar após um ano fora, e, mesmo questionando se ainda sabia exercer a medicina, foi bem ali, na linha de frente, com pessoas muito graves, necessitando de cuidados muito delicados, que, de alguma forma, consegui ajudar. Isso é o grande propósito da medicina: usar o conhecimento para ajudar de alguma forma", disse.

Thelma também compartilhou a reação dos colegas médicos durante o trabalho voluntário. Ela destacou que só compartilha isso hoje porque já passou, mas, na época, procurou evitar explorar o assunto.

"No começo, alguns ficaram receosos por eu ser ex-BBB, sem saber se eu estava ali para me promover ou denunciar algo. Mas, no final, entenderam que eu estava lá para ajudar. Foi uma certificação para mim de que o trabalho voluntário tem que ser feito de forma cuidadosa e respeitosa, principalmente em situações de calamidade", disse.

A telemedicina como solução

Além do trabalho voluntário, Thelma também comentou sobre o impacto da pandemia na medicina, destacando o avanço da telemedicina como uma solução que surgiu da dor, mas que veio para ficar. Ela defendeu o uso dessa tecnologia tanto no Sistema Único de Saúde (SUS) quanto na saúde privada, reconhecendo que, mesmo em momentos de crise, há oportunidades para melhorar e otimizar os serviços de saúde no país.

Ela conversou com exclusividade ao  A CRÍTICA durante sua participação na primeira edição do Afya Summit, que ocorreu em São Paulo (SP), no fim de setembro. O evento discutiu temas como o futuro da medicina, empreendedorismo e saúde mental, com a participação de referências nacionais e internacionais.

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