Médica relembrou como sua atuação na linha de frente durante a crise de oxigênio marcou sua trajetória na medicina e a impulsionou a abraçar o trabalho voluntário
Thelminha considera o trabalho voluntário na linha de frente da Covid-19 em Manaus, durante a crise do oxigênio, o mais desafiador de sua carreira como médica. (Foto: Divulgação)
Mais de três anos depois, a médica e campeã do Big Brother Brasil (BBB) 20, Thelma Assis, compartilhou detalhes sobre sua experiência como voluntária em Manaus, em 2021, durante um dos momentos mais críticos da pandemia de Covid-19. Em entrevista exclusiva ao A CRÍTICA, Thelma relembrou como sua atuação na linha de frente durante a crise de oxigênio marcou sua trajetória na medicina e a impulsionou a abraçar o trabalho voluntário como parte de sua vida.
Thelminha, como também é conhecida, atuou em uma das maiores unidades de saúde do Amazonas, o Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, em Manaus. Na época, ela tentou realizar o trabalho de forma anônima, ajudando doentes com Covid-19, enquanto muitos morriam por asfixia nos hospitais da cidade, que naquela época colapsava com a falta de oxigênio.
No entanto, sua atuação veio a público quando funcionários das unidades de saúde publicaram fotos nas redes sociais ao lado da médica.
Na época, Thelma havia acabado de sair do BBB como campeã da edição e se deparou com um turbilhão de incertezas diante de uma doença que devastava famílias em todo o mundo. Antes de entrar para o reality show, ela trabalhava como anestesiologista em três hospitais públicos de São Paulo e era responsável pela sedação de pacientes no centro cirúrgico.
"Eu lembro que havia uma demanda imensa por vagas na UTI, e não havia vaga para todo mundo. Era uma sensação de impotência, sabe? Apesar de eu estar lá (em Manaus) de forma voluntária, sempre que a gente volta de um trabalho, assim como voltei recentemente do Rio Grande do Sul, a gente fica com a sensação de que gostaria de ter feito muito mais", explicou Thelma.
Thelma afirma que a experiência em Manaus, apesar de ter sido o mais desafiador de sua carreira, trouxe um novo propósito para sua vida. Diante de um momento de dificuldade, uma semente foi plantada, e hoje, a médica afirma que carrega o propósito de ter a medicina voluntária como um pilar em sua vida.
Ela afirma que, em novembro, irá retornar ao Pará para trabalhar na ONG, que leva assistência médica e serviços de saúde para comunidades remotas.
Thelma contou ainda que passou nove anos de sua vida estudando para obter a formação de médica e anestesista. Refletindo sobre sua jornada, ela revelou que a experiência em Manaus também lhe trouxe uma certeza importante:
Thelma também compartilhou a reação dos colegas médicos durante o trabalho voluntário. Ela destacou que só compartilha isso hoje porque já passou, mas, na época, procurou evitar explorar o assunto.
"No começo, alguns ficaram receosos por eu ser ex-BBB, sem saber se eu estava ali para me promover ou denunciar algo. Mas, no final, entenderam que eu estava lá para ajudar. Foi uma certificação para mim de que o trabalho voluntário tem que ser feito de forma cuidadosa e respeitosa, principalmente em situações de calamidade", disse.
Além do trabalho voluntário, Thelma também comentou sobre o impacto da pandemia na medicina, destacando o avanço da telemedicina como uma solução que surgiu da dor, mas que veio para ficar. Ela defendeu o uso dessa tecnologia tanto no Sistema Único de Saúde (SUS) quanto na saúde privada, reconhecendo que, mesmo em momentos de crise, há oportunidades para melhorar e otimizar os serviços de saúde no país.
Ela conversou com exclusividade ao A CRÍTICA durante sua participação na primeira edição do Afya Summit, que ocorreu em São Paulo (SP), no fim de setembro. O evento discutiu temas como o futuro da medicina, empreendedorismo e saúde mental, com a participação de referências nacionais e internacionais.