Especialistas recomendam atualizar vacinas e reforçar cuidados antes de viajar para o Mundial nos EUA, México e Canadá
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No próximo dia 11 de junho é oficialmente realizada a abertura da Copa do Mundo Fifa 2026 no estádio Azteca, localizado na Cidade do México. Especialistas alertam para a importância da atualização da caderneta vacinal antes da viagem aos países-sede do mundial, assim como sinais e sintomas de doenças durante o mundial e ao retornar para os países de origem. Entre todas as medidas preventivas, a vacinação é considerada uma das mais importantes.
Tânia Chaves, médica infectologista e coordenadora do comitê de Medicina de Viagem da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) explicou ao acritica.com que a vacinação é uma das mais importantes intervenções que deve ser realizada antes de viajar, seja para a COPA do mundo, ou mesmo para uma viagem de visita a amigos e familiares ou por qualquer motivo. “O ideal é que o viajante busque orientação com quatro a 8 semanas antes de viajar”, disse.
A especialista alerta para a importância da vacina tríplice viral que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. “Lembrando que o sarampo é das doenças infecciosas mais contagiosas que existem. Um paciente infectado com o vírus pode transmitir para pelo menos 18 pessoas. Pensando na Copa do Mundo que é um evento de massa, em que há uma grande aglomeração de pessoas, além do mundo estar enfrentando uma das maiores epidemias em diferentes países, incluindo México, Canadá e EUA, a vacina tríplice viral deve ser a primeira a ser atualizada”.
As famosas Ruas da Copa em Manaus devem apresentar aglomerações, que podem aumentar a transmissão de vírus respiratórios. Conforme dados do Painel Epidemiológico da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), de janeiro a maio deste ano, Manaus teve 709 casos para Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), sendo sete por Covid-19, 122 por influenza e 580 por outros vírus. O Amazonas soma 973 casos confirmados para SRAG: 10 por Covid-19, 166 por influenza e 797 por outros vírus.
“Aglomerações aumentam a transmissão de vírus respiratórios, especialmente em ambientes fechados e mal ventilados e com contato próximo elevam o risco de contágio. Influenza ou a conhecida gripe, COVID‑19, vírus sincicial respiratório (VSR) e sarampo; outras viroses respiratórias também são frequentes”, pontuou a infectologista. Conforme o Ministério da Saúde (MS), em 2025, o Brasil confirmou 38 casos importados de sarampo, na maioria associado a viagens internacionais ou a contato com áreas de baixa cobertura vacinal.
Tania Chaves, Médica infectologista Coord. do comitê de Medicina de Viagem da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI)
Os viajantes devem ser orientados quanto à presença de febre, tosse , lesões de pele no retorno, conforme orientação da especialista. Outra doença que pode acometer é a Diarreia do Viajante (DV). “É um dos agravos mais previsíveis e incidentes em viagens em aproximadamente 60% dos viajantes independente do destino. Recomendações práticas de segurança alimentar. Os jogos da Copa ocorrerão durante o período de verão nos países-sede, quando temperaturas elevadas podem aumentar o risco de doenças relacionadas ao calor”, pontuou.
O Hantavírus tem chamado atenção da área médica mundial. A Organização Mundial de Saúde (OMS) confirmou em maio deste ano, oito casos da doença, mas descartou um surto mundial. “O hantavírus é uma doença rara associada principalmente à exposição a roedores silvestres em áreas rurais e de mata. Para turistas e participantes da Copa em áreas urbanas, o risco é muito baixo. Os principais cuidados são evitar contato com locais fechados, poeira e ambientes com sinais de infestação por roedores”, explicou a infectologista.
Chaves esclareceu que os riscos aumentam na primavera e no verão, especialmente em atividades ao ar livre e contato com ambientes fechados com presença de roedores. “Nos Estados Unidos , a hantavirose ocorre principalmente na região dos ‘ Four Corners ’ — Arizona, Novo México, Colorado e Utah — associada a áreas rurais, trilhas, cabanas e campings. No Canadá , os casos concentram-se mais nas províncias do oeste, como Alberta e British Columbia . No México , os registros são mais raros e ligados ao norte do país e áreas semiáridas”, disse a médica.
No Brasil vacinas como a Tríplice Viral e contra o Sarampo estão disponíveis em todas as unidades de saúde do país. De acordo com as recomendações brasileiras vigentes, a vacinação contra o sarampo é indicada rotineiramente para indivíduos de 12 meses a 59 anos de idade, conforme esquema vacinal preconizado pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI). De acordo com o MS, o Brasil mantém o certificado de país livre do Sarampo, concedido pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).