Em sua primeira entrevista após a cassação de seu mandato, em 2017, o ex-governador José Melo afirmou que chegou a escrever uma carta indicando todos os responsáveis pela prisão dele
(Foto: Arquivo A CRÍTICA)
Confirmado como pré-candidato à uma vaga de deputado estadual nas eleições de 2022, o ex-governador José Melo (Pros) afirmou que foi traído pelo senador Eduardo Braga (MDB). Segundo fala em entrevista à rádio Tiradentes, Melo afirma que o sentimento de injustiça com os "verdadeiros culpados" pela sua prisão por desvios na saúde teria levado a quase cometer suicídio.
Essa é a primeira aparição do ex-governador, após a cassação do mandato dele, em 2017, por compra de votos e prisão por suspeitas de desvio de dinheiro público, destinado à saúde. Melo foi categórico ao culpar Braga de usar a sua influência no governo federal para arquitetar a saída dele do Executivo estadual e posterior condenação. À época, o senador era ministro de Minas e Energia no Governo do PT.
Melo justificou que o silêncio durante tanto tempo foi consequência das lições que teve após sucessivas "traições e injustiças". O ex-governador que foi homem de confiança de Braga, disse que havia um acordo com o senador para que ele o ajudasse em sua campanha ao governo do Amazonas, que não foi cumprida, e ao invés disso os dois competiram no pleito em que Melo foi eleito.
"Eu acho que se o Eduardo fosse o vírus ele seria o covid-19. Ficava em todos os ministérios, em todos os cantos. Eu não conseguia governar, porque ele tivaram intervia no governo federal. Eu me considero uma vítima do Eduardo Braga. Primeiro: eu me dediquei igual um desgraçado para elege-lo governador contra o Amazonino, que era uma lenda. Segundo: ele tinha um compromisso formal comigo que era me eleger governador. Terceiro que essa história da Nair Blair foi uma enorme invenção", narrou o ex-governador em referência a acusação de compra de votos ao qual empresaria Nair Blais foi absolvida e ele permaneceu como sendo acusado.
"Me considero uma vítima de alguém que eu confiei e que o povo do Amazonas sempre confiou, mas que eu espero que não confia mais", completou Melo.
Com os olhos marejados, José Melo contou ainda que após a sua saída da prisão mediante uso de tornozeleira eletrônica, ouviu acusações de pessoas nas ruas e escreveu uma carta com 110 laudas na qual narrava as supostas traições de políticos amazonenses, mas que desistiu após a gravidez de uma sobrinha e por isso rasgou e queimou o texto.
"Eu sei que existe o Deus e o diabo e naquelas 110 laudas. Eu escrevi toda a história da minha vida e de todos os políticos que eu convivi. Uma herança maldita para os meus filhos, uma herança maldita para mim que ia tirar a minha própria vida e iria pro inferno. As mágoas desapareceram quando a Helena apareceu na minha vida. Helena é o nome da criança", disse.