Equipamento de ponta identifica perigos submersos e permite mapeamento para aumentar segurança da navegação
Pesquisador André Martinelli opera o sistema de ecobatímetro multifeixe que gera imagens detalhadas do fundo do rio (Daniel Brandão/AC)
O que os olhos humanos não conseguem alcançar sob as águas dos rios amazônicos está, finalmente, sendo revelado em detalhes. O Serviço Geológico do Brasil (SGB) iniciou o uso de um sistema de ecobatímetro multifeixe, uma tecnologia de ponta de mapeamento em 3D avaliada em R$ 2 milhões que promete transformar a gestão territorial e a segurança da navegação na região.
De acordo com André Martinelli, pesquisador do SGB e gerente de Hidrologia e Gestão Territorial, o equipamento não é apenas um sensor isolado, mas um complexo sistema integrado de hardware e software.
Embora adquirido no ano passado, o sistema teve sua operação de estreia em fevereiro deste ano. Durante 15 dias de trabalho intenso, ou seja, totalizando 170 horas e 1.050 quilômetros percorridos, a equipe mapeou uma área de 95 quilômetros quadrados, abrangendo a orla de Manaus, desde a Ponta Negra até o Careiro Várzea.
A operação teve um caráter experimental e de pesquisa. "Foi um primeiro levantamento para ligar e testar o equipamento pela primeira vez, gerando informações sobre Manaus que antes não existiam", afirma Martinelli.
A operação do sistema está longe de ser trivial. Devido ao volume e peso dos componentes, as instalações precisam ser fixadas em embarcações robustas. Atualmente, os testes foram feitos em barcos regionais adaptados, mas o ideal, segundo Martinelli, é a utilização de uma lancha dedicada para garantir a estabilidade dos dados.
"Os custos de manutenção e processamento também são elevados:, ou seja, exige equipamentos de alta performance (cerca de R$ 30 mil) para processar o volume massivo de dados. O sistema gera arquivos pesados que demandam conjuntos de HDs específicos. Apenas em combustível, o custo médio é de R$ 5 mil por expedição, além da necessidade de um corpo técnico especializado. Nesta primeira fase, três especialistas operaram o sistema", explicou o pesquisador
Martinelli ressalta que a aquisição do equipamento vai muito além do interesse acadêmico. O mapeamento detalhado é vital para identificação de canais, embarcações naufragadas e dunas fluviais que podem causar acidentes, além do auxílio no lançamento de cabos de fibra ótica, dutos e construção de pontes.
O Serviço Geológico do Brasil já planeja uma nova ação para mapear o trecho que vai da foz do rio Madeira até Itacoatiara, uma área estratégica para a logística regional. No entanto, a continuidade do projeto depende de disponibilidade orçamentária.
"É uma área de extremo interesse para a navegação, onde o detalhamento do fundo pode evitar prejuízos econômicos e salvar vidas", conclui Martinelli.