Um dos vereadores disse que o "normal" é um homem se relacionar com uma mulher e que "todos deveriam buscar a heterogeneidade"
Com argumentos retrógrados, vereadores da Câmara Municipal de Manaus dedicaram a manhã desta terça-feira (23) para criticar a decisão do juiz Cássio André Borges, do Tribunal de Justiça do Amazonas, que derrubou resolução que proibia a discussão sobre diversidade sexual e étnico-racial no ensino municipal. Um dos vereadores chegou a dizer que “educar um filho é responsabilidade dos pais”, e que “isso é o que determina a lei de Deus”.
“A justiça, através do juiz Cássio Borges, decidiu barrar a resolução que incentivava o amplo debate sobre o tema antes de sua aplicação. Ou seja, para a Justiça não há discussão. Esse tema vai ser empurrado goela abaixo das famílias queiram ou não”, disse Raiff Matos (DC).
Raiff alegou que houve um grande conflito e intromissão dos poderes. Neste caso, ele se referiu apenas ao judiciário e não citou que eles, vereadores, também querem interferir na abordagem de temas transverssais nas escolas. E ainda completou: “com a decisão da justiça num domingo, a Justiça interferiu num ato administrativo do próprio Conselho Municipal de Educação”.
Sem fundamentação, o vereador Ivo Neto (Patriota) resolveu “colaborar” com o pronunciamento, justificando ser “cristão e membro da renovação carismática católica”. "Vou defender sempre a família".
Já Mitoso (PTB) sugeriu estender a discussão sobre o que chamou de "ideologia de gênero" até meia-noite. “Ô tema bom para se discutir, em defesa da família temos que ficar aqui até altas horas da noite”, disse.
O vereador Professor Samuel (PL), argumentou que não é contra os homossexuais, mas "que tem que acompanhar o que é normal na sociedade". “O normal é o homem e a mulher [...] Não podemos achar que um cidadão (Cássio Borges) possa decidir em mexer com a questão que nós sabemos, as famílias sabem, como direcionar a vida dessas crianças e desses jovens [...] Eu sou hétero, os homens e as mulheres devem buscar a questão da heterogeneidade”, disse o vereador Professor Samuel (PL).