Desde o início da pandemia, o intervalo mais curto entre mil mortes havia sido em maio: 19 dias; recorde negativo em meio à crise de oxigênio também causou forte impacto no interior
((Foto: Márcio James / AFP))
Oito dias. Esse foi o tempo que o Amazonas levou para saltar de seis mil para sete mil mortes causadas pelo coronavírus. Este é, com sobras, o intervalo mais curto já registrado na pandemia para que o Estado acumulasse mil novas mortes pela doença. Os problemas de falta de leitos e insumos, registrados em Manaus, também afetaram o interior, que vê uma escalada de óbitos especialmente nos municípios mais próximos de Manaus.
O boletim do dia 15 de janeiro da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM) trouxe o cômputo de 6043 óbitos causados pela doença. Este boletim registrava apenas as mortes ocorridas até 14 de janeiro - justamente o dia que foi deflagrada, de maneira clara, a falta de oxigênio em diversas unidades de saúde da capital, chegando também a municípios do interior. No boletim do dia 23, que computa as mortes até o dia 22, já são 7051 mortes.
O recorde anterior havia sido registrado em maio do ano passado. Entre 10 a 29 daquele mês, o Amazonas saltou de mil para duas mil mortes em um intervalo de 19 dias. Este período era, até então, considerado o ápice da pandemia no Estado, mas os números atuais deste "janeiro sufocante" já são bem maiores e alarmantes do que os registrados na primeira onda.
Para que se tenha uma ideia do quão grave é a aceleração dos números atuais da pandemia no Amazonas, o Estado levou 80 dias para saltar da casa das quatro mil mortes para as cinco mil - número este atingido no dia 13 de dezembro. De lá para cá, foram apenas 41 dias para o registro de duas mil mortes. Ou seja: a metade do tempo para o dobro de mortes.
Neste período de janeiro, o dia com maior número de óbitos por coronavírus no Amazonas foi justamente o dia 14 de janeiro: foram 111.No dia seguinte, dia 15, foram mais 100 óbitos. No dia 17, foram 104. Todos esses números contribuíram para que, em apenas 20 dias, o Estado superasse, em janeiro, todas as mortes causadas pela Covid-19 nos meses de outubro, novembro e dezembro somados. Entre as quase 1500 mortes computadas somente este mês, está a de um dos maiores símbolos do combate à pandemia no Amazonas: a diretora-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas, Rosemary Costa Pinto.
Impacto no interior
A crise relativa à falta de oxigênio em Manaus teve efeito nos dias seguintes no interior do Estado. E o mais afetado foi justamente o município mais próximo de Manaus: Iranduba, a cerca de 30 quilômetros de Manaus pela AM-070.
Até o dia 14, segundo os boletins da FVS-AM, o município tinha 60 óbitos pela doença. Já no dia 23, já eram contabilizadas 92 mortes. Isso significa que, na cidade, mais de um terço do total das mortes por Covid-19 aconteceram nos últimos dez dias - um claro sinal do impacto da falta de oxigênio na capital.
Manacapuru, a cerca de 100 quilômetros de Manaus e o primeiro município após Iranduba pela AM-070, também teve um crescimento significativo de mortes. O ano começou com 172 mortes no total, no dia 14 elas já eram 189 e dez dias depois este número está em 220.
Outro município que teve um substancial e preocupante aumento no número de mortes nos últimos dez dias foi Itacoatiara, a 270 quilômetros da capital pela AM-010. Até o último dia de 2020, eram 98 mortes na cidade. No dia 14, os dados oficiais marcavam 105 óbitos por Covid-19 - ou seja, uma morte a cada dois dias. Agora, são 142 mortes na cidade - ou seja, 37 mortes nos últimos nove dias, o que dá uma média de quatro mortes diárias.