Estado vai oferecer leitos de UCIs em municípios do interior, prepara maternidade em caso de grávidas infectadas e dialoga com a rede privada para suporte caso seja necessário
(Amazonas tem, hoje, 533 leitos de UTI, sendo 363 na rede estadual )
Com os casos de coronavírus ainda em crescimento no Amazonas - foram 30 novos registros somente de ontem (sexta, 27) para hoje (sábado, 8) -, o Governo do Estado já traça estratégias para o futuro em caso de uma necessidade de ampliação da rede de atendimento.
Com 111 casos confirmados de Covid-19 e cinco pacientes em estado grave, internados em Unidades de Terapia Intensiva - três em hospitais privados e dois no HPS Delphina Abdel Aziz, o Amazonas ainda está longe de uma lotação de suas unidades de saúde. Porém, o Governo do Estado procura se preparar para um caso de explosão da epidemia e já chegou até a sondar hospitais da rede privada para atender pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) caso seja necessário.
O secretário de Atenção Especializada do Interior da Secretaria de Estado de Saúde (Susam), Cássio Roberto Espírito Santo,afirmou que o Estado vem adotando medidas para “minimizar e atender as demandas” e por isso já estuda várias situações, incluindo o uso de leitos de hospitais privados. “O Estado está vendo vários tipos de ações que podem ser tomadas e já procuramos instituições privadas para dar suporte caso seja necessário”, explicou ele.
Desde o princípio da pandemia, a grande preocupação das autoridades de saúde do mundo era uma eventual sobrecarga em hospitais por conta da alta transmissibilidade do coronavírus. Hoje, segundo a Susam, o Estado como um todo dispõe de 533 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), sendo 363 da rede estadual - destes, 50 estão no Hospital Delphina Aziz dedicados exclusivamente a pacientes com Covid-19. O restante é da rede privada, do hospital das Forças Armadas e do Hospital Universitário Getúlio Vargas, estes últimos unidades federais.
Outra medida que está sendo tomada pela Susam para aumentar a estrutura de tratamento da doença no Amazonas é a implantação de leitos de Unidades de Cuidados Intermediários (UCIs) nos municípios-polo do Estado e também em Boca do Acre - por conta de sua proximidade com Rio Branco (AC).
Serão três leitos em cada um dos municípios: Tabatinga, Tefé, Itacoatiara, Manacapuru, Parintins, Eirunepé, Lábrea, Humaitá e Boca do Acre. Cada uma destas estruturas será equipada com respirador, bomba de infusão, monitor multi-parâmetros e leito para o paciente, além de outros equipamentos. De acordo com o secretário Cássio Roberto, cada município, hoje, possui uma unidade de saúde exclusivamente para o tratamento das síndromes gripais. “Caso o quadro do paciente se agrave, ele é removido para um dos hospitais das cidades-polo. Mas em alguns casos vamos fazer a remoção direta para Manaus, como já fizemos”, explicou Cássio.
A ideia, segundo o secretário, não é usar os leitos de UCI como ponto fixo de tratamento dos pacientes do interior. “É importante dizer que esses leitos nos darão um tempo maior para fazer a transferência. Nós não vamos manter os pacientes no interior, eles serão trazidos para Manaus”, destacou.
Mesmo com todas as medidas sendo adotadas para garantir uma estrutura de atendimento aos pacientes, a diretora-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas, Rosemary Costa Pinto, alertou para a necessidade das pessoas permanecerem em casa para reduzir a transmissão do vírus. “Toda a população precisa entender que podemos chegar a um ponto que se nós não ficarmos em casa, nós não teremos condição de atender todo mundo, nem na rede pública, nem na rede privada”, alertou Rosemary.
Maternidades
A rede estadual de saúde também está se preparando para o caso de grávidas contraírem a Covid-19. Apesar de não ser a Síndrome Respiratória com mais potencial prejudicial à saúde de gestantes - a H1N1 costuma ser mais perigosa para mulheres nesta condição, segundo Rosemary Pinto -, o Estado trabalha para oferecer um atendimento adequado quando houver casos com necessidade de internação.
A Maternidade Chapot Prevost, na Colônio Antônio Aleixo, está sendo adequada para isso, uma vez que possui leitos disponíveis. Hoje, no entanto, não há qualquer paciente com Covid-19 na unidade. “Eu não posso mandar uma grávida (com Covid-19) para o 28 de Agosto, para o Hospital da Zona Leste ou para o Delphina. Lá não tem obstetras e médicos especialistas no atendimento destas mulheres. Quem tem são as maternidades”, explicou Rosemary Pinto.
De acordo com ela, as maternidades Ana Braga e Balbina Mestrinho não podem receber eventuais grávidas com Covid-19, uma vez que há gestantes de risco, puérperas de risco e bebês prematuros de risco. Por isso a preparação da Chapot Prevost. “Estamos nos antecipando e preparando a rede para a possibilidade de atendermos um grande número de doentes simultaneamente. É por isso que, mais uma vez, lembramos que é preciso você ficar em casa”.