Rosemary Pinto alertou que cada pessoa infectada por transmitir a doença para, no mínimo, outras três. Segundo ela, contágio pode atingir toda a população de Manaus, caso isolamento não seja respeitado
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"Enquanto tivermos pessoas nas ruas, teremos o maior índice do país". Foi com esta frase enfática que a diretora-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM), Rosemary Pinto, respondeu ao questionamento do porquê do Amazonas estar na liderança proporcional da incidência de casos da Covid-19 no país. A declaração foi feita durante coletiva de imprensa que atualizou os números da doença no estado, na tarde desta quinta-feira (9).
Na tarde de ontem (8), números do Ministério da Saúde (MS) apontaram que, quando comparados a quantidade de caso a cada 100 mil habitantes, a taxa de incidência do Amazonas fica em 19,1, valor que equivale a mais que o dobro da incidência nacional, que é de 7,5 casos a cada 100 mil habitantes. Os números colocaram o AM em estado de emergência para o MS.
"Continuamos batendo na mesma tecla: fique em casa. Cada pessoa que quebra a quarentena e se expõe fora de casa pode transmitir o vírus para, mo mínimo, outras três pessoas, e assim por diante. Vejo ainda muitas pessoas andando por aí, muitas vezes sem proteção alguma, em lotéricas, bancos, ruas. Esse tipo de atitude contribui para que o número de casos no estado esteja tão alto", pontuou a diretora.
Ainda segundo Rosemary Pinto, muitas pessoas pensam que, por não apresentarem sintomas aparentes, acham que não estão infectadas e acabam criando coragem para deixar o isolamento.
"Se a pessoa vê que não está com febre, acaba pensando que não está doente e decide quebrar a quarentena. Sabemos que não é assim que funciona. A única forma de, por exemplo, os 2,2 milhões de habitantes de Manaus não serem contaminados de uma vez é se isolando, mas ainda existem pessoas que ignoram", disse.
Rosemary apelou, ainda, para que as pessoas se atentem aos equipamentos preventivos e hábitos de higiêne, com especial atenção aos mais velhos.
"A maior parte dos nossos óbitos, agora, são de pessoas acima de 60 anos. Essas pessoas possuem, normalmente, outros tipos de doenças e comorbidades, como hipertensão, diabetes, doenças autoimunes, portanto são candidatos a se infectarem e terem os sintomas agravados, o que complica na hora do atendimento médico. Pedimos que essas pessoas usem máscaras, lavem bem as mãos, usem álcool em gel, se preciso for, e que vão à rede de saúde o mais rápido possível caso apresentem sintomas", explicou, ao destacar que muitos óbitos acontecem por já chegarem com quadros irreversíveis nos hospitais.