Sexta-feira, 27 de Novembro de 2020
COLAPSO

Sistema de saúde no Amazonas tem ocupação de 95%, diz secretário

Rodrigo Tobias informou que o Amazonas possui 69 respiradores, sendo que 19 podem ser utilizados no momento e 53 estão em recuperação devendo estar disponíveis até a próxima semana



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06/04/2020 às 15:45

Numa escala de zero a 100 para um colapso da saúde pública o Amazonas aparece atualmente numa faixa de 95%. A afirmação é do secretário estadual de Saude, Rodrigo Tobias, em coletiva on line realizada agora há pouco durante divulgação do boletim com atualização de informações sobre monitoramento de casos e medidas de prevenção e controle do novo Coronavírus (Covid-19). No momento, são 532 casos confirmados, com 19 óbitos.

“O sistema de saúde do Estado do Amazonas ainda não entrou em colapso nesta ideia de que não existe leitos de UTI para aqueles que precisam. Entretanto, nosso sistema é limitado. Hoje eu falo isso mas, amanhã, esses números podem aumentar e aumentando haverá uma maior probabilidade de ocupação desses leitos. Portanto, se eu pudesse colocar em uma escala de zero a 100, hoje, diria que estamos próximo de 95%, ou seja, 5% de capacidade de leitos vazios de UTI”, calcula ele.



O secretário disse que não se deve, no momento, se pensar apenas em leitos de UTI. “Precisamos entender que estamos em um período sazonal, onde  além do Coronavírus temos outros vírus que produzem o que chamamos de Síndrome Respiratória Aguda. Temos o metapneumovírus, o adenovírus, Influenza A e B que se se confundem com o quadro clínico do Covid-19. Nossos leitos estão sendo ocupados tanto pelos casos confirmados de Covid-19 quanto os de suspeitos e em investigação. Como se não bastasse  tudo isso, veio o Covid para anunciar que, provavelmente nosso sistema possa entrar em colapso nos próximos dias. Preciso dizer, em responsabilidade nossa do Estado, que hoje, não, mas provavelmente nos próximos dias não teremo mais leitos de UTI no setor público e tambem no privado com os casos confirmados de Covid-19”, alerta Tobias.

Além dos apelos diários pelo isolamento em casa e ações básicas como a definição do Hospital Delphina Aziz como unidade de referência para atendimento a infectados pelo Coronavírus, o Estado anunciou parceria com o Centro Universitário Nilton Lins para utilização do hospital da instituição, o que representará mais 400 leitos hospitalares no combate ao Covid-19, afirmou o secretário.

“Estamos em meio a uma pandemia onde o vírus tem uma taxa de transmissibilidade muito alta e então nosso plano de contigência foi pensando em centralizar todos os casos em duas unidades hoje, no caso Delphina Aziz com os casos graves, e como hospital de campanha ou retaguarda o Hospital Nilton Lins, que faz o trabalho com os leitos clínicos. Ou seja, antes de agravarem os pacientes vão para o Hospital Nilton Lins e caso se agravem vão ser utilizados os leitos de UTI no Delphina Aziz. Em outros Estados foi feita a opção de alugar hotel e construir estrutura de campanha dentro de estádios e centros de convenções e estádios. No caso do Amazonas  nós já tínhamos um hospital que estava obsoleto e vazio e com muita responsabilidade o governador, junto com a secretaria de Estado, fizemos a visita e hoje, em tempo hábil, estamos fazendo os últimos ajustes e detalhes necessários para que, em sete dias possamos ocupar os 400 leitos clínicos do Hospital Nilton Lins”, garantiu ele.

Tobias informou que o Amazonas possui um total de 69 respiradores, sendo que 19 podem ser utilizados no momento e 53 estão em recuperação devendo estar disponíveis até a próxima semana.

“Além de tudo isso, com relação aos ventiladores fizemos com pelo menos 3 semanas de antecedência a compra de ventiladores mas, por conta do mercado do produto, por ser o respirador objeto de desejo de todo e qualquer sistema no Brasil e no mundo essas compras deram desertas e, em face dessa condição, estamos buscando outros fornecedores para essa aquisição. Quero muito em breve dizer que parte dessa compra estará chegando ao Amazonas. Só preciso de confirmações se eles virão da China ou  provavelmente dos Estados Unidos se assim o presidente Donald Trump liberar suas fronteiras”, informou o secretário da Susam.

Carentes 

Ao ser questionada sobre a preocupação com a população moradora em áreas carentes da capital, a diretora-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM), Rosemary Costa, explicou que não se pode mais falar em epicentro do Coronavírus em Manaus pois no início da epidemia o maior número de casos eram registrados nas Zonas  Oeste e Centro-Sul mas, hoje, estão disseminados em toda  a cidade. 
“E se o vírus está em toda a cidade vai afetar a população de menor renda. Medidas estão sendo tomadas pelo Governo do Estado para essa população”, disse ela, sem dar detalhes na coletiva on line.

A representante da FVS-AM voltou a reforçar a necessidade da população se resguardar e ficar em casa durante esse período do Coronavírus. “Nós podemos reduzir esses números, a questão das UTIs e o agravamento das mortes se ficarmos em casa e obedecermos todas as medidas preconizadas pelos decretos do Governo do Estado. Vamos evitar de nos expormos. O vírus está circulando e a tendência é de agravamento e prevemos agravamento progressivo a partir de agora. O número de casos pode ser limitado e a curva achatada para que pacientes graves possam ser atendidos na rede pública e partícular. Depende de você se isolar, mantenha objetos pessoas limpos e evite ao máxim transmitir o vírus, As medidas tem que ser feitas. Você pode salvar vidas”, alertou a diretora-presidente da Fundação.

Repórter de A Crítica

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