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Cotidiano
ROTA DAS DROGAS

Polícia Federal descobre novos grupos de narcotráfico atuando no Amazonas

Tais grupos têm modus operandi diferente das facções FDN e PCC: não são violentos, focam no comércio internacional e utilizam meios sofisticados para esconder drogas 12/01/2018 às 15:22 - Atualizado em 12/01/2018 às 16:07
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Crime está ficando cada vez mais sofisticado na logística e na forma de esconder as drogas (Foto: DRE-PF/Divulgação)
Joana Queiroz Manaus (AM)

A Polícia Federal apreendeu ano passado 9,6 toneladas de drogas no Amazonas, 3,2 toneladas a mais que em 2016, quando foram apreendidas 6,4 toneladas. No neste mesmo período que a PF descobriu que novos grupos narcotraficantes estão operando por aqui.

De acordo com o delegado Caio Avanço, da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), o aprofundamento das investigações levou à descoberta destas outras redes de tráfico nacional e internacional no Estado. Diferentemente das facções criminosas Família do Norte (FDN) e Primeiro Comando da Capital (PCC), esses grupos são “autônomos” e não agem com violência. 

“As facções criminosas (FDN e PCC) por algum tempo tiveram o domínio do trafico na capital. Hoje não tem mais aquele monopólio como nos cartéis colombiano, em que havia um controle total do tráfico e que tinham que trabalhar para eles ou morriam”, comparou.

Conforme as investigações, nesses grupos as funções são bem definidas. Têm os responsáveis pela fronteira, têm os chamados operacionais, além os responsáveis pelo transporte e os que recebem a droga e mandam via aérea, usando mulas, para o Brasil ou para o exterior, principalmente para a Europa.  Mas, parte dessa droga ainda fica para ser consumida aqui.

Courrier

Em fevereiro do ano passado, por exemplo, a “Operação Courrier” desarticulou uma organização criminosa dedicada ao tráfico internacional de cocaína, que  era baseada em Manaus e operava  um sofisticado esquema de remessa da droga pura para o exterior, ocultando o ilícito em materiais industriais e fazendo uso de empresas de logística com alcance global.

A ocultação dos entorpecentes era feita de maneira a impossibilitar a localização dos mesmos pelos processos tradicionais de fiscalização, inclusive raios-X, uma vez que eram selados em cilindros e peças de metálicas por profissional da área que se colocaram a serviço do crime organizado. A cocaína traficada pela organização criminosa era de elevado valor no mercado ilícito de drogas, explorando como principais rotas de tráfico, a Europa, América do Norte e Ásia.

No curso das investigações foram feitas diversas apreensões de entorpecentes no Brasil, que gerariam lucros astronômicos para a quadrilha, caso tivessem chegado ao destino final.

Balanço das ações

Balanço das ações de repressão e combate ao tráfico de droga da Polícia Federal no Amazonas em 2017 mostram crescimento no aumento do número de toneladas apreendidas pelo órgão.

De acordo com Caio Avanço, 2017 foi um ano proveitoso, com resultados positivos para operações que conseguiram desarticular grupos criminosos até então desconhecidos, porém bem estruturados, que estavam abastecendo os mercados nacional e internacional com drogas.

Conforme o delegado, também no ano passado, a Polícia Federal no Amazonas apreendeu 9.686,2 toneladas de droga, enquanto que em 2016 foram 6.429,1 toneladas. Aumentou ainda o número de armas apreendidas com os traficantes. Foram cinco fuzis, quatro espingardas, e um revólver calibre 38. Em 2016 foram apreendidos apenas um fuzil, uma espingarda e duas granadas. “Eles estão utilizando lanchas rápidas e muito armamento”, disse o delegado.

Elite na mira

No último domingo (7),  superintendente da PF no Amazonas, Alexandre Saraiva, disse em entrevista ao A CRÍTICA que o órgão pretende rastrear o dinheiro do tráfico de drogas para chegar aos verdadeiros beneficiários do crime. “O nosso foco não deve ser apenas carregamentos e prisões. Deve ser também o motor financeiro do tráfico de drogas”, disse.

Na visão do superintendente, além de apreender a droga, a polícia precisa apreender bens, chegar às contas bancárias e, assim, aos verdadeiros beneficiários do tráfico de drogas.   Para ele, há a necessidade de ser feita uma operação específica sobre o tráfico, “onde o carregamento é apenas a materialidade do crime”.

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