Sexta-feira, 24 de Maio de 2019
MANIFESTAÇÃO

Após fechar Djalma Batista, indígenas prometem ir à ALE-AM nesta quarta-feira (27)

Protesto é contra a municipalização da saúde indígena e possível extinção da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), órgão vinculado ao Ministério da Saúde



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Foto: Gabriel Veras
26/03/2019 às 21:42

Indígenas de várias etnias do Amazonas prometem fazer um protesto nesta quarta-feira (27) contra a municipalização da saúde indígena. As lideranças vão se reunir na sede do Núcleo Estadual do Ministério da Saúde, localizado na avenida Djalma Batista, na Zona Centro-Sul de Manaus, no início da manhã, e reivindicar contra a possível extinção da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), órgão vinculado ao Ministério da Saúde (MS). Ontem (26), indígenas bloquearam parte da avenida para chamar a atenção da sociedade. O fechamento da Sesai foi citado pelo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, em recentes declarações. 

A previsão dos organizadores é que pelo menos 500 índios participem do ato. O grupo deve fazer um ato simbólico no Núcleo Estadual e depois seguir, em caminhada, até a  Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), na avenida Mário Ypiranga, no bairro Parque Dez.  Na Casa Legislativa, a intenção é chamar a atenção dos deputados para a gravidade do problema. Segundo eles, caso a Sesai seja fechada, o serviços do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) serão diretamente afetados.

É esse o questionamento da Coordenação das Organizações e Povos Indígenas do Amazonas (Coipam), conforme explica o representante do órgão,   Zenilton  Mura. “Nós  vamos fazer a defesa da saúde indígena e que isso permaneça na Sesai. Essa experiência da municipalização nós já tivemos e não foi boa. E como o ministro aponta algumas indicações de que pretende acabar com o órgão, a gente vai se manifestar. Ela tem que permanecer e é isso que nós queremos”, pontuou ele.

Para o presidente do Conselho Indígena do Alto Solimões, Elivaldo Kokama, se o fechamento ocorrer  a saúde indígena vai ser afetada. “A Sesai é a única secretaria que ainda atua dentro das nossas áreas. Eles precisam estruturar melhor o SUS, porque hoje a gente sabe a situação que se encontra. Eles querem extinguir e deixar a saúde na mão dos municípios?”, questionou.

Cimi pede revisão

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi), em nota publica, pediu que o Ministério da Saúde reveja sua posição e solicitou que o Ministério Público Federal (MPF) se posicione contra as perspectivas de municipalização e da política de atenção à saúde indígena.

Mudança é questionada por lideranças indígenas do AM

No inicio do mês, lideranças indígenas vinculadas ao Fórum de Presidentes dos Conselhos Distritais de Saúde Indígena e das Organizações Indígenas de todo o País denunciaram uma série de ações que estão paralisando o sistema de atenção à saúde desses povos.  A reclamação foi feita durante a 102ª Reunião da Comissão Intersetorial de Saúde Indígena (CISI), realizada em Brasília.

No Amazonas alguns lugares, como a comunidade Baniwa no alto Rio Negro, já vem sentindo os reflexos dessa situação. É o que disse o diretor da Organização Indígena da Bacia do Icana, André Baniwa.

“Aqui no Alto Rio Negro e em muitos lugares do Estado, eles estão sem pagamento há três meses. Por isso essa proposta é uma situação bem difícil. Ela está carregada de malícias, não só reformas. A municipalização   vai trazer muitos processos e muitas lutas. Enquanto isso,  o objetivo é criar argumentos para acabar com os DSEIs”, explicou. 
 


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