Domingo, 21 de Abril de 2019
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SAÚDE

Busca por medicamento que previne o HIV aumenta 214% no Amazonas, aponta FMT

Desde setembro de 2018, número de pessoas que utilizam a PrEP no Estado aumentou de 161 para 507. Procura é maior por parte de gays e homens que fazem sexo com outros homens mas não se consideram homossexuais


19/03/2019 às 21:09

Em seis meses, a procura pelo Truvada – medicamento que praticamente elimina o risco de contrair HIV/Aids – aumentou 214% na capital. De acordo com dados da Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), 507 pessoas têm consumido o remédio pela Profilaxia Pré-Exposição (PrEP). Apesar do aumento, a dispensa do Truvada ainda é considerada baixa. Em um ano, 1.880 novos casos de HIV foram registrados no Amazonas.

A PrEP entrou em atividade no Amazonas em janeiro de 2018. Conforme último balanço publicado pelo Portal A Crítica em setembro do ano passado, 161 pessoas faziam parte do tratamento entre janeiro e agosto de 2018. O número aumentou e agora 507 pessoas consideradas integrantes dos “grupos de vulnerabilidade” vêm consumindo o Truvada regularmente.

De acordo com o coordenador da PrEP na FMT, Reinan Brotas, o aumento é significativo, mas ainda é tímido comparado à quantidade de pessoas dentro dos grupos chamados de “risco”. “O ideal é que a gente alcance pelo menos 30 pessoas por semana, mas também sabemos que tem a questão da equipe, a estruturação do serviço, então a gente vem se preparando para isso”, explicou.

Apesar do aumento da procura, coordenador afirma que público interessado ainda é pequeno (Foto: Euzivaldo Queiroz)

Procura

Dos 507 pacientes dentro da PrEP, 76% são gays, homens que fazem sexo com outros homens mas não se consideram homossexuais e lésbicas. Em seguida surgem os casais sorodiferentes, que são 15% da demanda. Mulheres trans são 4% do público e 2% são travestis.

Reinan explica que o objetivo é chegar ao público com maior incidência ao vírus (travestis e mulheres trans), entretanto, argumenta que a falta de informação ainda é um problema. Isso, segundo ele, explicaria o fato dos gays serem a maior parte do público que utiliza a PrEP como forma de prevenção.

“A gente sabe que boa parte dessa população tem ensino superior completo, são pessoas que já conheciam a PrEP antes. Eles já chegam aqui preparados, do que falar, do que dizer. Ainda não conseguimos alcançar ou por falta de conhecimento nessa população que tem ensino médio, que trabalha na rua, os profissionais do sexo”, conta.

Uma alternativa para levar o procedimento até esse grupo de risco seria expandir o serviço para outra unidade de saúde. O local deve passar a oferecer o medicamento ainda este ano. “A gente já tem uma equipe e só falta a estruturação do serviço lá. O paciente vai ser atendido com uma equipe de assistentes sociais, médicos e enfermeiros”, explica.

Consulta

Os interessados em utilizar a PrEP devem procurar a FMT e realizar um agendamento. Na primeira consulta, o paciente é atendido por uma equipe multidisciplinar e em seguida faz exames para avaliar o uso do medicamento. “Mesmo com o uso do medicamento a gente aconselha que se utilize preservativo. O medicamento impede a infecção do HIV, mas sabemos que há outras doenças como sífilis, hepatite, HPV, entre outras”, ressalta Reinan.

O uso do Truvada pode ser diário depois do terceiro mês, prazo do acompanhamento feito pela FMT. Ao iniciar a PrEP, o paciente fica protegido no sexo anal depois do 7° dia de ingestão do medicamento. Para o sexo vaginal são necessários 21 dias. “A finalidade dele não é curar o HIV, por isso ele só é utilizado em pessoas que não têm o vírus. Ele é mais uma prevenção no combate”, explica.

Truvada

O medicamento responsável pela prevenção do HIV se chama Truvada, que é a combinação dos antirretrovirais fumarato de tenofovir desoproxila (TDF) e entricitabina. Desde o início das pesquisas iniciadas na Europa, cientistas já haviam notado a eficácia do medicamento para impedir a replicação do vírus, e consequentemente bloquear o surgimento da Aids. Em Manaus, a pesquisa começou há dois anos com pacientes selecionados para testes, mas só em 2018 a distribuição do medicamento recebeu autorização do Ministério da Saúde.

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