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Manaus
PROCESSOS

Confira mais denúncias contra médico que agrediu adolescente em trabalho de parto

Médico Armando Andrade Araújo responde na Justiça do Amazonas a três processos 21/02/2019 às 02:59 - Atualizado em 21/02/2019 às 10:22
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Armando (de máscara) foi preso em 2015 por cobrar para fazer partos em maternidades da rede pública. Foto: Reprodução/ Internet
Izabel Guedes Manaus (AM)

Somente na Justiça do Amazonas, o médico Armando Andrade Araújo, flagrado agredindo uma grávida em trabalho de parto na Maternidade Balbina Mestrinho, responde a três processos relacionados ao atendimento de pacientes em hospitais públicos da capital.

Em um deles, o denunciante afirma que ele se negou a fazer o procedimento médico na mulher porque ela seria portadora de HIV. O Caso foi denunciado no Ministério Publico do Estado (MP-AM) e encaminhando para a 10ª Vara Criminal da capital.

Em outro processo, ele e outro profissional foram indiciados por erro médico na cirurgia de uma paciente da Maternidade Dona Nazira Daou, no bairro da Cidade Nova. O caso aconteceu em 2013 e, na época, o marido da vítima, segundo os autos do processo, registrou um boletim de ocorrência afirmando que, na cirurgia para a retirada do feto e o procedimento de laqueadura, os médicos cometeram erro quando não identificaram a presença de líquido amniótico no abdômen da paciente.  O processo ainda esta tramitando na 3ª Vara da Fazenda Pública de Manaus e, de acordo coma última movimentação, no início desse mês, esta aguardando o cumprimento de diligências oficial de Justiça.

Um terceiro processo cita o médico no envolvimento de um esquema pelo qual ele cobrava para a realização de cirurgias dentro de maternidades publicas. Na denúncia, também protocolada no MP-AM, ele, segundo os autos do processo, solicitou de uma paciente o valor de R$ 2,8 mil para a realização do parto. No documento, outro médico também foi citado como parte do esquema, que teria ocorrido dentro da Maternidade Nazira Daou, no ano de 2014.

Em 2015, o médico chegou a ser preso na operação “Jaleco”, quando outros especialistas também foram apontados como integrantes de uma quadrilha especializada em cobrar dinheiro para fazer partos em maternidades públicas de Manaus. Segundo informações divulgadas pela polícia, na época, os médicos cometeram formação de quadrilha e corrupção passiva e majorada no funcionalismo público e eram investigados há pelo menos um ano.

Os casos envolvendo o nome do médico vieram à tona após o vídeo da agressão que ele comete durante um parto viralizar na Internet.  A gravação realizada na Maternidade Balbina Mestrinho há nove meses, mas só repercutiu nesta semana.

A primeira publicação do vídeo que mostra ele batendo na virilha e coxas da paciente e destratando verbalmente os familiares da mulher gerou mais de 27 mil compartilhamentos, até ontem. Nos comentários, várias mulheres reconheceram o ginecologista como responsável pelos partos que fizeram em diversas maternidades da capital e afirmam que também foram destratadas pelo especialista.  Várias dizem que ele é “um monstro” e uma delas afirma que em seu parto a criança fraturou o braço no momento da cesariana.

O outro lado

A reportagem de A Crítica tentou contato com Armando Andrade Araújo, mas até o fechamento da edição não conseguiu localizá-lo.   O obstetra é servidor terceirizado da Saúde do Estado, associado do Instituto de Ginecologia e Obstetrícia do Amazonas (Igoam), que em nota afirmou abominar qualquer forma de violência contra a gestante e informou que só tomou conhecimento do vídeo da agressão na última terça-feira.

O Igoam informou ainda que o caso será encaminhado ao Conselho Disciplinar  para apreciação do caso conforme previsto no Regimento Interno do instituto, resguardando o direito ao contraditório e ampla defesa. O instituto ressaltou, em nota,  que “o fato ocorrido é de caráter individual e não reflete o trabalho coletivo realizado pelos demais sócios da empresa”.

Órgãos se posicionam oficialmente

A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil -  seccional Amazonas (OAB/AM) encaminhou ao Conselho Regional de Medicina do Estado do Amazonas (Cremam) e ao Ministério Público do Estado (MP-AM) um pedido de providências referente à apuração dos fatos que aparecem no vídeo.  O órgão classificou o episódio como “flagrante violação dos Direitos Humanos”, nos artigos 23 e 27 do Código de Ética do Conselho Federal de Medicina (CFM), que trata da ausência de civilidade e desconsideração com a dignidade humana.

Já o Cremam afirmou, em nota, que tomou conhecimento do fato e que abriu uma sindicância para averiguar a situação. Caso seja confirmada infração ao Código de Ética Médica, um processo será aberto, com amplo direito de defesa.

A Secretaria de Estado de Saúde (Susam) informou, ontem, que um processo administrativo foi aberto para apurar denúncia de negligência contra o médico e pediu o afastamento de Armando Araújo ao Instituto de Ginecologia e Obstetrícia do Amazonas (Igoam), empresa ao qual o profissional é associado.

Seis B.Os contra ele desde 2013

A denúncia que viralizou nas redes sociais, registrada oficialmente ontem, é a sexta do tipo registrada contra o médico Armando Andrade Araújo desde 2013, segundo a Delegacia Especializada em Crimes Contra Mulher (DECCM).

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