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DESVIOS

Defesa do empresário Murad Aziz entra com pedido de habeas corpus na Justiça

Empresário e irmão do senador Omar Aziz foi preso na última quinta-feira (11) após Operação 'Cashback', que investiga desvio de recursos da saúde no Amazonas 15/10/2018 às 11:18
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Empresário é acusado de tráfico de influência e lavagem de dinheiro (Foto: Márcio Silva)
acritica.com Manaus (AM)

A defesa do empresário Murad Abdel Aziz, preso na operação ‘Cashback’, entrou na Justiça com pedido de habeas corpus. Murad, irmão do senador Omar Aziz, é acusado de tráfico de influência e lavagem de dinheiro. Quatro pessoas apontadas como integrantes da quadrilha que desviava recursos da saúde foram soltas pela Justiça ontem (14).

De acordo com o advogado Simonetti Neto, a defesa pediu a extensão dos habeas corpus dados aos outros quatro acusados. A solicitação foi feita nesse domingo (14) e ainda não há previsão para o retorno do pedido. Murad está preso no Centro de Detenção Provisória Masculino (CDPM II).

De acordo com informações que constam no inquérito 423, da Polícia Federal, Murad operava em conjunto com Jader Helker Pinto, que é suplente de vereador pelo PV. Em conversas que constam no inquérito, Jader e Murad cobram valores em dinheiro de uma empresária que prestava serviços de assistência à saúde no Governo do Estado.  

De acordo com os relatos, Jader se dizia emissário de Murad Aziz e afirmava, para cobrar a empresária, que 'O Estado é nosso', referindo-se à influência que ambos detinham junto ao Governo do Estado. O contrato da empresária foi rompido de maneira abrupta, depois que ela se negou a continuar os pagamentos. 

Operação

A “Operação Cashback”  foi deflagrada na quinta-feira (11) com o cumprimento de 16 mandados de prisão preventiva e outras ordens judiciais, com objetivo de investigar a prática de crimes de peculato, lavagem de capitais e organização criminosa. Os delitos, segundo a PF, foram praticados por empresários que forneciam produtos e serviços à organização social não alcançados na primeira fase da operação Maus Caminhos, em 2016.

A PF apurou que, dentre as fraudes identificadas, o modus operandi utilizado pela organização criminosa para desviar recursos públicos consistia na realização de pagamentos superfaturados, em preço e/ou quantidade, com a posterior devolução de parte do valor pago. Por essa razão, o nome da operação faz alusão ao modelo de compras que devolve parte do dinheiro ao consumidor.

Apenas em um dos contratos dessas empresas com o Estado do Amazonas, no valor de R$ 552 milhões, foi identificada fraude no valor de R$ 140 milhões. As medidas, 16 mandados de prisão temporária e 40 mandados de busca e apreensão, além de mandados de bloqueios de contas e de sequestro de bens móveis e imóveis, foram expedidas pela Justiça Federal, após manifestação do Ministério Público Federal e cumpridas por 150 policiais federais.

Fiscalizações e auditorias complementares foram realizadas pelos órgãos técnicos. De acordo com a Receita Federal, existem indícios de fraudes fiscais da ordem de R$ 100 milhões, cujas autuações podem alcançar R$ 75 milhões. Segundo a Controladoria Geral da União (CGU), foram identificados desvios de recursos públicos da ordem de R$ 142 milhões.

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