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Manaus
OMISSÃO

Enfermeiros que deixaram médico agredir adolescente em parto podem ser indiciados

Segundo delegada, enfermeiros poderiam ter chamado a polícia e agirem de maneira correta 20/02/2019 às 19:07
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Foto: Divulgação
Vitor Gavirati Manaus (AM)

Os profissionais de Enfermagem que participaram do parto em que uma adolescente de 16 anos foi agredida por um médico, e que o vídeo viralizou nas redes sociais nessa terça-feira (19), também podem ser indiciados pelo caso ocorrido na Maternidade Balbina Mestrinho, na Zona Sul de Manaus, em 2018. A informação foi divulgada pela delegada Débora Mafra, titular da Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher (DECCM), nesta quarta-feira (20).

“Uma (enfermeira) se negou a fazer um procedimento errado ali. Essa se safou. Ao mesmo tempo, a maioria estava querendo ajudar a vítima. Nós não vimos um erro assim, a não ser a omissão, porque poderiam ter chamado a polícia. Então muitas delas poderão ser chamadas, sim, e até responderem criminalmente por não agirem da maneira correta”, explicou a delegada.

“Não é correto deixar um médico agressivo ali. Mas ela teve apoio da maternidade, inclusive outro médico se sensibilizou com a causa e terminou o parto dela, fazendo da maneira correta”, contou Mafra.

O vídeo feito por um desconhecido há nove meses viralizou nas redes sociais nesta terça-feira (19). O médico que aparece nas imagens é Armando Andrade de Araújo. A denúncia desta quarta-feira é a sexta do tipo registrada contra o profissional desde 2013, segundo a titular da DECCM, delegada Débora Mafra. Armando já foi preso em 2015, acusado de integrar uma quadrilha que cobrava dinheiro para realizar partos em maternidades públicas de Manaus.

“Ele (Armando) é um profissional da saúde e precisava estar calmo, em paz, passando serenidade naquele momento tão tenso para a família dela em que ele acaba sendo agressivo. Ela chorou demais hoje ao narrar tudo que ela passou ali naquela maternidade. O que era para ser um momento bonito, o nascimento de seu filho, ela tem traumas e traumas profundos”, comentou a delegada.

A partir do depoimento da jovem, Armando vai responder criminalmente por injúria e vias de fato (cometidas no parto) e coação no curso do processo judicial (telefonema da secretária).

“Nós temos que tirar a violência obstétrica do Brasil. A violência obstétrica é teórica ainda. Ela não existe criminalmente como violência obstétrica, entra nos crimes comuns do Código Penal, dentro da obstetrícia. Não tem uma lei especial para isso, como a violência doméstica e o ECA (Estatuto da Criança e Adolescente)”, explicou a delegada Débora Mafra.

De acordo com ela, o médico Armando Andrade de Araújo será notificado e deve ser ouvido pela Polícia Civil até a próxima semana.

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