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Manaus
ELEIÇÃO 2018

Indefinição na composição de chapa prejudica campanha de David e Vanessa

Queda de braço na Justiça Eleitoral e risco de o PT sair de vez da Coligação “Renova Amazonas”, atrapalha campanha e prejudica tanto David Almeida, que concorre ao governo pelo PSB, quanto Vanessa Grazziotin (PCdoB) que visa o Senado 27/08/2018 às 02:58
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Foto: Reprodução/Internet
Náis Campos Manaus (AM)

Com o afastamento do PT, por força judicial, da campanha do PSB, que tem David Almeida como candidato ao governo, a coligação “Renova Amazonas” é vista por analistas consultados pela reportagem como fragilizada. Quem também perdeu fôlego, mesmo com o apoio forçado dos petistas por decisão da Justiça Eleitoral, foi a senadora Vanessa Grazziotin, que  vê uma ala do PT se rebelar contra sua campanha após a parlamentar ter colocado a executiva nacional do partido em choque com o diretório estadual.

Por tabela, a candidata ao governo dos comunistas, Lúcia Antony pode amargar um palanque esvaziado, apenas com o apoio velado de um Partido dos Trabalhadores dividido.

Os socialistas pretendem reverter a situação da saída do PT da coligação por via judicial, tanto que o vice de David Almeida, o advogado Jorge Guimarães, ainda permanece na chapa e faz campanha para o candidato ao governo. “Nós estamos ajudando a campanha do nosso governador e aguardando uma decisão definitiva também, já que houve um questionamento do PT Nacional, via TRE. Saiu um parecer do MP dizendo uma coisa e a decisão do juiz dizendo outra”, avalia.

Guimarães refutou os boatos de que David Almeida não fazia questão de sua presença na coligação ao garantir que existe, sim, uma articulação para que ambos caminhem juntos nessa campanha. “Nós nunca tratamos disso, ele nunca me falou disso, muito pelo contrário, a gente tem se articulado para estar presente, em breve, em várias ações conjuntas. Já estamos caminhando juntos, os proporcionais levando o nome dele e assim que sair uma decisão favorável a consolidar a coligação, nós estaremos em breve, se Deus quiser, estaremos em várias ações juntas”, justificou o advogado.

Desmobilização

Na avaliação do especialista em direito eleitoral, Elso do Carmo, esse imbróglio  na esquerda deve prosseguir e ocasionar uma desmobilização na militância e nos cargos proporcionais, deputados estaduais e federais. “O PSB recorrendo ao TRE-AM o processo vai para julgamento do pleno. Se o pleno do tribunal reforçar a decisão do juiz Marco Antonio, o PT todo sai da coligação”, avalia.

Nesse caso, conforme o especialista, as chances de o PT coligar com a senadora Vanessa para cargos majoritários e com o David Almeida para proporcional serão zero. “Isso não tem amparo jurídico”, disse o advogado. Segundo ele, os prazos da Justiça Eleitoral são muitos curtos e avalia que o impasse será resolvido antes do dia 31, início da propaganda eleitoral no rádio e na TV.

Por outro lado, Vanessa discorda de que essa queda de braço a torne enfraquecida para o pleito, mesmo perdendo o apoio de alas do próprio PT, seu maior aliado. “Como pode ser fraco um palanque que representa o candidato mais bem posicionado à Presidência da República? Pelo contrário, temos um dos mais fortes palanques. Representamos no Amazonas um movimento nacional que quer garantir o direito do presidente Lula de ser candidato, o líder absoluto na pesquisa”, afirmou.

Blog: Carlos Santiago, advogado e analista político

“Sem união política, sem uma somatória financeira e sem uma estratégia eleitoral inteligente para vencer o pleito, os partidos de esquerda no Estado já entram nas eleições 2018 acenando ao eleitor e aos militantes que não querem ganhar o governo e eleger uma bancada numerosa de legisladores.  As brigas dos caciques do PT, do PSB e do PCdoB já inviabilizam uma coligação ampla e com força eleitoral, além dividir o tempo de televisão e rádio, os recursos de campanha e a militância. Posição diferente dos dirigentes nacionais”.

Blog: Vanessa Grazziotin, senadora da república candidata à reeleição,

“Em todos os momentos procuramos o diálogo, como sempre digo: entre aliados não pode haver veto. A aliança em torno do PSB, PT e PCdoB, que é nacional, aqui no Amazonas foi resultado de diversas conversas e em nenhum momento foi nos dito lá atrás que não faríamos parte dessa coligação, deixaram para fazer isso na véspera do processo. Quando fizemos o registro da nossa candidatura, entretanto, deixamos claro que continuávamos abertos ao diálogo e assim continua sendo. Cada coligação  segue seu caminho”.

Reeleição ao Senado ameaçada

Essas indecisões sobre as alianças podem respingar na reeleição da senadora Vanessa Grazziotin e nas pretensões da colega de partido, Lúcia Antony que entrou na disputa pela vaga no governo de Estado de última hora. Com a saída do PT da aliança com o PSB, os petistas foram orientados pela executiva nacional da legenda a caminhar ao lado da senadora, o que contrariou alguns membros locais. “O Brasil está se mobilizando em torno disso e no Amazonas não é diferente, este é o nosso lado”, pondera Vanessa.

Já Lúcia Antony afirma que o problema existe, mas será resolvido. “Vamos conversar e garantir um palanque para o projeto nacional . O Brasil e o Amazonas são maiores que as nossas vontades. Acredito na militância que decidiu mudar o curso dessa triste história de retrocesso e de retirada de direitos dos trabalhadores”, avalia.

Para o analista político, Marcel Valin, o PSB, de David Almeida não poderia ter dito que não aceitaria  Vanessa Grazziotin na legenda. “Era sabido  da proximidade da senadora com a presidente nacional do PT (seu maior aliado), a também senadora Gleisi Hoffmann”, analisa Valin.

Blog: Lúcia Antony, ex-vereadora e candidata ao governo do Estado pelo PCdoB

“Agora,  é claro que a gente precisa divulgar mais essa campanha  e a gente só vai poder fazer isso com o material.   A minha estratégia de campanha vai ser a Região Metropolitana e os municípios onde a gente tem partido estruturado, onde a gente possa receber apoio de lideranças, aí a gente vai chegar até lá”.

“ Não é uma programação extensa, porque região metropolitana se consegue fazer praticamente em quatro dias. Caminhadas pela manhã, reuniões e minicomício à tarde tem como você cobrir. O problema são os deslocamentos para os outros municípios, porque envolve a questão financeira. Tudo está sendo analisado e a gente está correndo atrás para ver se consegue o apoio financeiro”.

“Atrapalha muito porque a gente já não estava programada para ser candidata. Então a gente está correndo atrás do prejuízo. Mas eu penso que as manifestações que eu tenho recebido a partir do momento que a minha candidatura foi lançada, dos debates que a gente tem participado, a gente tem recebido muita declaração de apoio”. “Então tem muita gente vindo me procurar, querendo apoiar, se colocando à disposição e eu acho que isso é muito importante”.

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