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Manaus
DOIS ANOS DEPOIS

Massacre no Compaj: 213 réus serão ouvidos somente em 2019

Testemunhas de acusação foram ouvidas nesta semana e colegiado trabalha para acelerar júri. A audiência está marcada para acontecer no primeiro semestre do ano que vem 29/11/2018 às 02:35 - Atualizado em 29/11/2018 às 07:04
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Foto: Reprodução
Joana Queiroz Manaus (AM)

 Até ontem o colegiado de juízes que está trabalhando na instrução processual do “massacre”  no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), ocorrido em janeiro do ano passado, já tinha ouvido todas as testemunhas de acusação que foram arroladas pelo Ministério Público do  Estado do Amazonas (MP-AM).  Já os 213 réus e as testemunhas de defesa devem ser ouvidas somente no ano que vem. A audiência está marcada para acontecer ainda no primeiro semestre de 2019. 

Para os três juízes que estão no caso, os trabalhos andam conforme o previsto, porém, por se tratar de um caso complexo,  ainda não dá para falar quando o processo será concluído e muito menos quando deverá ocorrer o julgamento. A intenção dos magistrados é que não demore muito tempo.   

Os 213 réus do massacre vão ser julgados por um colegiado, os chamados “juízes sem rostos”, introduzidos no ordenamento jurídico pela lei 12.694/2012, com o objetivo de trazer mais segurança à vida dos magistrados que julgam casos que envolvam organizações criminosas, possibilitando à eles proferirem decisões de modo que não seja revelado qual deles veio a definir seu desfecho. 

 Processos em blocos

 De acordo com o juiz Rafael Almeida Cró, por se tratar de um caso complexo e atípico, a instrução do processo foi dividida em blocos. O primeiro está relacionado aos autores intelectuais do matança, atribuída aos líderes da facção criminosa Família do Norte (FDN), José Roberto Fernandes Barbosa, o “Zé Roberto da Compensa”, Gelson Lima Carnaúba, o “Mano G”, e João Pinto Carioca, o “João Branco, além da esposa de Zé Roberto, Luciane Albuquerque. Para o MP-AM, eles foram os mentores do massacre no Compaj. 

No segundo bloco estão os que difundiram a ordem, que são pelo menos sete: Janes do Nascimento Cruz, o “Caroço”, Florêncio Nascimento, o “Marabá”, Márcio Ramalho Diogo, o Garrote, Claudio Dayam Belfort, o “Maguila”, Márcio José Lopes, o “Doido”, Alex Sandro de Araújo, o “Tatuador”, e Adailton Farias da Silva, considerados os líderes  o massacre dentro da cadeia, conforme o Ministério Público. Os demais réus estão divididos em blocos de dez, o que gerou aproximadamente 22 processos. 

A fase de instrução está acontecendo em regime de mutirão. “Vamos ouvir muitas testemunhas, será feito uma operação de guerra para que possa dar vazão para que estes processos possam, então, tomar o seguimento”, afirmou o juiz.

 Pena máxima

O massacre aconteceu no dia 1º de janeiro de 2017. Foram 17 horas de rebelião. A Polícia Civil finalizou as investigações oito meses depois e encaminhou o inquérito à Justiça. Em novembro de 2017, o MP ofereceu denúncia contra 213 pessoas por vários crimes. Se condenados a pena máxima por todos eles, elas somam juntas 2.162 anos de prisão para cada réu. 

‘Canibalismo’ no presídio

De acordo com o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM),  os 213 indiciados  foram denunciados pelos crimes de homicídio qualificado, tentativa de homicídio, vilipêndio de cadáveres, tortura e associação criminosa. Conforme a denúncia oferecida pelo MP, esses presos também chegaram a obrigar os sobreviventes a comerem os olhos dos que foram assassinados durante a rebelião. 

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