Maus Caminhos

Evandro Melo diz que ‘entrou’ em processo porque teve que administrar crise na Saúde

Irmão do ex-governador José Melo foi o segundo a ser interrogado nesta terça-feira pela Justiça Federal

Larissa Cavalcante
06/08/2019 às 15:31.
Atualizado em 22/03/2022 às 18:10

(Foto: Jair Araújo)

O ex-secretário estadual de Administração, Evandro Melo disse ao ser interrogado nesta terça-feira (6), no processo oriundo da Operação Manaus Caminhos, que se envolveu na ação porque teve que administrar a crise na Saúde que o Amazonas enfrentou durante a gestão de seu irmão, o então governador José Melo, também réu no processo.

Segundo denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF), Evandro tinha pleno conhecimento das atividades criminosas do médico e empresário Mouhamad Moustafa, apontado como líder do esquema que desviou recursos milionários da Saúde do Estado, e colaborava com a liberação de verbas.

Em depoimento, Evandro negou às acusações. Ele afirmou que atuava dando apoio ao governo e como técnico. “Jamais fui político. Eu simplesmente o auxiliava [José Melo] na retaguarda, pois não gostava de estar à frente dessas coisas”, declarou, acrescentando que não gostava de ser chamado de o número 2 do governo Melo, pois para ele a alcunha pertencia ao então vice-governador, Henrique Oliveira.

Questionado sobre o papel dentro dos cargos que assumiu na gestão de crise de autorizar ou liberar pagamentos a fornecedores, Evandro disse que nunca liberou nenhum. Segundo ele, apenas auxiliava o governador na administração da crise para suplantá-la. Fora do comitê, ele destacou que não tinha influência sobre o pagamento dos fornecedores, contrapondo assim a denúncia apresenta pelo MPF de que ele teria liberado quase R$ 9 milhões para a organização criminosa.

Sobre Mouhamad, Evandro declarou que não tinha uma relação de amizade com o empresário, mas que o mesmo chegou a ir à sua casa para reclamar de pagamentos e tentando discutir sobre um decreto que autorizava as secretarias a renegociar os contratos com os fornecedores. Além disso, ele teria se interessado sobre a doença rara que a esposa de Evandro tem.

“Eu nunca recebi pagamento do Mouhamad, nem pedi para mim ou para terceiros”, afirmou Evandro, na sede da Justiça Federal, na Zona Centro-Sul de Manaus. Segundo o MPF, ele intercedia junto ao então governador e aos secretários de Fazenda e Saúde, também investigados no processo, para abrir créditos suplementares e destinar mais recursos às empresas usadas para as práticas de desvio.

De acordo com o MPF, a quantia destinada a Evandro como propina foi a maior entre os secretários: R$ 300 mil mensais, que totalizaram R$ 5,7 milhões.

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