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Manaus
CRIME AMBIENTAL

Porto Chibatão é embargado após vazamento de óleo diesel no rio Negro, diz Ipaam

Embarcação que pertencia ao grupo Chibatão naufragou e causou o desastre ambiental. Moradores da região foram extremamente afetados 29/08/2018 às 14:41 - Atualizado em 30/08/2018 às 14:28
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Foto: Euzivaldo Queiroz
Priscila Rosas Manaus (AM)

Dois dias após o derramamento de cinco quilômetros de óleo diesel no rio Negro, causado pelo naufrágio de uma embarcação nas proximidades do porto da Ceasa, na Zona Leste de Manaus, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) embargou as atividades do Porto Chibatão, responsável pela embarcação naufragada. O acidente é considerado como um crime ambiental de grandes proporções.

Desde o dia do ocorrido, fiscais do Ipaam estão atuando na área. Segundo o órgão, o grupo Chibatão descumpriu normas de acidentes com manuseio de produtos perigosos no rio e também não apresentou um representante para explicar o ocorrido. Até o momento, o Porto Chibatão ainda não informou a quantidade de óleo diesel vazado da embarcação naufragada, do tipo empurrador. O naufrágio aconteceu na segunda-feira (27).


Foto: Euzivaldo Queiroz

Na manhã de hoje (29), o Ipaam fez uma nova vistoria nas regiões afetadas para poder estipular o valor de uma multa a ser aplicada ao grupo Chibatão. Ontem (28), o órgão ambiental informou que o diesel derramado alcançou cinco quilômetros de extensão na orla direita do rio Negro, do Porto da Ceasa, passando pelo bairro Mauazinho, até as proximidades da estação de captação e distribuição de água do Programa Águas para Manaus (Proama).

Em nota, a direção da empresa J. F. de Oliveira, que pertence ao grupo Chibatão, informou que todas as atividades e esforços estão concentrados nas “tratativas do incidente”. A empresa declarou que também possui uma equipe ambiental treinada e equipada que para atuar no tratamento e recolhimento dos resíduos do derramamento de óleo. Até que todas as informações e evidências sejam apuradas, a empresa não deverá se posicionar novamente sobre o assunto.

Moradores afetados

Das cinco comunidades que compõem a região do bairro Mauazinho, ao menos três foram afetadas pelo óleo diesel derramado no rio Negro. Os moradores da Vila da Felicidade, Jardim Mauá e Mauazinho estão preocupados com o futuro ambiental da área, já que em apenas dois dias as atividades de pesca, lazer e comércio foram completamente prejudicados.

O pescador Lucas Oliveira, 20 anos, relata que no dia do naufrágio, tudo estava tomado pelo óleo diesel da embarcação afundada. “Estava tudo melado de óleo. Estava tudo preto. Isso atrapalhou na pesca, porque o óleo suja a rede e o peixe nem aparece por causa dele”, fala. Ele também se diz preocupado com a saúde das crianças que frequentam o local, seja trafegando de canoa seja para dar mergulhos no igarapé do Mauazinho. “Ninguém vai tomar banho aqui dia de domingo. E também é questão de saúde, porque vivemos da pesca”, complementa.

O óleo continua avançando na região. As embarcações dos ribeirinhos na região estão todas sujas do óleo. No igarapé do Maua, nas divisas do bairro Mauazinho com o Jardim Mauá, o cheiro do resíduo ainda é forte. Aos poucos, fauna e flora estão mostrando os impactos causados pelo acidente. Um cachorro que mergulha no local atingido para fugir do calor, retorna com o corpo cheio de óleo.


Foto: Euzivaldo Queiroz

No Beco do Pescador, na região do Cururu, nas proximidades do Porto Chibatão, árvores e plantas típicas agora apresentam outra marca além da feita pela água em época de cheia do rio: a do óleo negro em contraste com os tons de verde e marrom da nossa vegetação. “Não é óleo diesel. É um mais perigoso, mais bruto”, fala Airton Santos, morador do bairro, olhando a vegetação atingida.

O presidente da comunidade, Verilson Santos, revela que há toda uma preocupação com o impacto ambiental causado pelo acidente, além dos que afetam diretamente à comunidade, como nos casos da pesca, lazer e comércio. “Sabemos que uma hora o óleo desaparecerá, mas fico imaginando o impacto posterior que isso irá causar. Estamos pedindo que alguém tome uma providência ou faça algo para revitalizar”, solicita. Segundo ele, há outros locais em que o óleo está avançando.

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