Quinta-feira, 23 de Maio de 2019
DÍVIDAS

Tropical Hotel 'fecha' por tempo indeterminado e vai realizar cortes

Segundo o SindHotel-AM, 80% dos profissionais devem ser dispensados. A Amazonas Energia cortou a energia do hotel e alega dívida de R$ 8 milhões



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O Tropical fica localizado na Zona Oeste de Manaus. Foto: Arquivo AC
16/05/2019 às 13:00

O Hotel Tropical Manaus suspenderá as atividades comerciais por tempo indeterminado. A decisão do estabelecimento acontece após a Amazonas Energia cortar o fornecimento do local por uma dívida estimada em R$ 8 milhões. O hotel localizado na Zona Oeste da cidade até tentou funcionar com o gerador, mas o sistema sobrecarregava diariamente. Segundo o Sindicato dos Empregados do Comércio Hoteleiro do Estado do Amazonas (SindHotel-AM), 80% dos profissionais da empresa devem ser dispensados.

Mesmo com os problemas, o assessor de imprensa do estabelecimento, Paulo Roberto, descartou o fechamento do hotel. "Não vai fechar, não é uma realidade nossa. Vamos passar por um processo de reestruturação para resolver o problema. A energia foi cortada e estávamos funcionando com o gerador próprio, mas ele não sustenta a carga total do hotel, de vez em quando caí, então precisamos fazer esse procedimento", disse.

Para evitar problemas com os clientes por conta das quedas de energia, o hotel decidiu suspender as atividades por tempo indeterminado. O assessor citou um prazo de uma semana para fazer a reestruturação, mas o período pode se prolongar. Segundo o representante do Tropical Manaus, a conta de energia do hotel custa mensalmente de R$ 500 mil a R$ 600 mil.

"Não é legal para o hóspede ficar passando por essa situação, de quedas de energia. Precisamos de uma semana para encontrar outra matriz energética, mas também estamos trabalhando com um prazo de 15 a 60 dias para voltar a receber hóspedes. A suspensão das atividades começou ontem”, explicou Paulo.

Questionado sobre os valores das cobranças, o assessor destacou que a Amazonas Energia alega que o hotel tem uma dívida de R$ 8 milhões pelos serviços de energia. O estabelecimento não reconhece esse valor. "A Eletrobras [atual Amazonas Energia] alegou que era em torno de R$ 20 milhões, mas acabou dando um desconto e chegou a R$ 8 milhões. O hotel queria colocar um investimento à venda, mas não teve como pagar. Eles não tiveram paciência, cortaram o sistema e retiraram até os fios. A Eletrobras alega essa dívida, mas não reconhecemos", afirmou.

Durante período "indeterminado", o Hotel Tropical procurará outra matriz energética para voltar a receber clientes. "Não vamos receber hóspedes ou clientes durante este período. Vamos fazer uma readequação energética, que era fornecida pela Eletrobras. Eu não posso falar o que vai acontecer ainda, porque nem eu sei, mas a energia solar é uma das soluções”, comentou o assessor.

Por conta desta "readequação", funcionários do hotel devem ser dispensados nos próximos dias. A quantidade de pessoas que serão cortadas não foi informada por ele. "Funcionários serão dispensados por conta desta reestruturação, porque não vamos ter como manter. Não temos a média de quantos sairão, mas acontecerá", completou.

80% da folha será afetada, diz sindicato

O presidente do SindHotel-AM, Gerson Almeida, lamentou a suspensão das atividades no Tropical Hotel. Segundo ele, o estabelecimento é um patrimônio de Manaus e do Estado.

"Estou em busca de fazer uma ação para resolver essa questão do saldo negativo do tropical, porque é uma questão do município e Estado. O hotel é um patrimônio da nossa região. Ficamos preocupados e tristes, por ser cidadão do Amazonas e representante da categoria. A nossa maior preocupação é com 300 profissionais, porque existem pessoas que dependem disso", comentou.

O representante do sindicato lamentou também a falta de diálogo da Amazonas Energia com o hotel e criticou a atitude da concessionária em cortar os serviços. "Ela (Eletrobras) tem os argumentos dela em relação à dívida do hotel, mas isso deve ser tratado com outro raciocínio, buscar uma solução para fazer algo. Como vão pagar algo se matam de vez uma galinha, fica inviável para qualquer coisa. Estamos buscando uma conversa com o presidente da Eletrobras", disse.

Gerson revela que durante uma reunião, o Hotel Tropical informou que 80% do quadro de funcionários da empresa será afetado. “Fomos lá conversar e realmente eles nos falaram que a solução é demitir o quadro de funcionários em 80%. Claro que o sindicato está acompanhando essas situações e eles nos falaram que os trabalhadores serão indenizados à vista, mas claro que alguns casos serão parcelados”, explicou.

O presidente do sindicato também destacou que o estabelecimento tentar apostar em outra roupagem. "Eles estão fazendo uma reestruturação, porque estão apostando em algo nesse momento de dificuldade. Ainda há uma perspectiva para voltarem, mas até então não existe interesse de empresários investirem no local", completou.

Concessionária se posiciona

Por meio de nota, a Amazonas Energia informou que há mais de 20 anos ocorrem diversas tentativas de negociações com o Tropical Hotel Manaus. Segundo a instituição, as suspensões de fornecimento de energia elétrica do hotel, por não cumprimento dos acordos, ocorreram por diversas vezes ao longo dos anos.

A concessionária também informou que a última negociação ocorreu em abril de 2019, quando a Amazonas Energia concedeu desconto de 60%, sobre o valor de uma dívida de mais de R$ 20 milhões. O acordo previa o pagamento de R$ 8 milhões pelo Tropical Hotel, mas também não foi cumprido. Segundo a Eletrobras, desde o ano de 2018 até o presente momento, foram realizados três cortes por inadimplência, entretanto a Distribuidora realizava o religamento mediante liminares.

A concessionária relatou que todo o procedimento realizado foi feito de forma legítima, obedecendo às regras contidas na Resolução 414/2010 da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) – (art. 172), que autoriza a suspensão no fornecimento de energia para todas Distribuidoras de Energia do país, em caso de inadimplemento.

A Amazonas Energia disse tem como maior objetivo a distribuição de energia elétrica em todo o Estado e, para tal, compra energia em grandes blocos e disponibiliza aos consumidores.

A instituição completou que o não pagamento das faturas de energia elétrica, implica em prejuízos principalmente para toda sociedade, pois gera redução da capacidade, expansão e qualidade de energia em todo o Estado.

Corte já aconteceu uma vez

No ano passado, em virtude de débitos com contas de energia no valor de R$ 500 mil, a então Eletrobras cortou o fornecimento de energia elétrica do Tropical Hotel Manaus. A ação teria sido motivada com base em uma  liminar da Justiça que foi contestada pelo estabelecimento.

O hotel, porém, acusou a concessionária de ter agido de forma arbitrária, uma vez que os trâmites do processo ainda não teriam sido concluídos.

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Repórter de A Crítica

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