QUEIMADAS NO AMAZONAS

Secretário confirma que Amazonas dispensou equipes federais e reitera reforço contra queimadas

André Lima, secretário extraordinário do Ministério do Meio Ambiente, participou ao vivo do programa Alô Cidade neste sábado e listou ações da gestão federal no estado

Lucas dos Santos
10/10/2026 às 12:58.
Atualizado em 10/10/2026 às 14:45

O secretário extraordinário de Controle dos Desmatamentos e Ordenamento Ambiental Territorial do Ministério do Meio Ambiente, André Lima (Imagem: Reprodução/TV A CRÍTICA)

O secretário extraordinário de Controle dos Desmatamentos e Ordenamento Ambiental Territorial do Ministério do Meio Ambiente, André Lima, confirmou que o governo do Amazonas informou não precisar do apoio federal para combater os incêndios florestais, uma vez que as chuvas estariam contribuindo para controlar as queimadas. A informação foi dada em entrevista à TV A Crítica neste sábado (10).

Por outro lado, o secretário afirmou que, apesar da divergência, é momento de seguir em frente e prestar apoio ao Amazonas. O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, e o presidente nacional do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Jair Schmitt, estão a caminho de Manaus para coordenar as ações.

“O que importa agora é que existe uma necessidade e que nós estamos levando esse apoio ao estado do Amazonas. Existem três sistemas de apoio: do Ministério da Justiça, da Defesa Civil e do Meio Ambiente. Se teve algum problema em relação ao pedido que foi feito ao Ministério da Justiça, o Ministério do Meio Ambiente está levando apoio, recursos humanos, aeronaves”, disse.

André Lima ressaltou que é importante que o governo do Amazonas não apenas decrete situação de emergência, como já fez, mas também formalize a solicitação pelo sistema da Defesa Civil para ter acesso aos recursos da pasta e obter equipamentos e pessoal para o combate aos incêndios.

“O Ibama, o ICMBio e os órgãos federais têm um planejamento durante todo o período de seca. Agora, esse planejamento precisa ser readaptado, porque às vezes determinada situação se agrava numa região e atenua noutra. Neste momento, nós estamos deslocando seis aeronaves que estavam operando em outras regiões para o estado do Amazonas. Se a gente conseguir resolver logo a situação do estado do Amazonas, vamos obviamente voltar a atuar em outras regiões”, explicou.

Segundo o secretário, a área queimada em 2026 ainda é menor do que em 2025, mas a fumaça tem se concentrado na região metropolitana de Manaus devido a fatores meteorológicos e climáticos. O Brasil está sob influência do fenômeno El Niño, que, segundo ele, se manifestou neste ano de forma agressiva, provocando secas intensas na Região Norte e enchentes recordes no Sul.

Ajuda

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou, mais cedo, que quatro aviões, dois helicópteros e quase 300 profissionais chegariam ao Amazonas ainda neste sábado. Segundo o superintendente estadual do Ibama, Joel Araújo, as aeronaves chegariam por volta das 13h à Base Aérea de Manaus, no bairro Educandos, zona sul da capital.

Lula confirmou a informação após entrar em contato com o governador Roberto Cidade (União Brasil) e disse que “o povo do Amazonas pode contar com o governo federal”.

Investigação

Questionado se o governo federal atuaria para esclarecer as causas dos incêndios, André Lima afirmou que essa apuração deve ficar a cargo da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), uma vez que os focos de queimadas não estariam em áreas sob jurisdição federal, como terras indígenas e parques nacionais.

“Se precisar de apoio, a gente pode oferecer eventualmente nas investigações, mas elas precisam ser feitas pela Polícia Militar e Polícia Civil do estado do Amazonas. O que a gente sabe é que tem muitos focos de calor, muito uso irregular de fogo, e essa fiscalização precisa ser feita pelo órgão ambiental e pela Polícia Militar Ambiental”, disse.

Segundo o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), foram aplicados mais de R$ 21,69 milhões em multas por ocorrências relacionadas ao uso do fogo no estado entre 2 de setembro e 8 de outubro, em sete municípios: Careiro, Careiro da Várzea, Humaitá, Manaus, Manacapuru, Manaquiri e Tapauá.

A maior concentração de multas ocorreu em Humaitá, onde os autos somaram mais de R$ 10 milhões. Entre as infrações estavam o uso do fogo sem autorização em áreas agropastoris e a destruição de vegetação nativa.

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