Treinamento

Operação Amazônia: CMA realiza maior exercício militar de sua história

Ação de treinamento está sendo realizada na cidade de Barcelos

Antonio Ximenes
15/07/2021 às 13:08.
Atualizado em 22/03/2022 às 15:04

(Foto: Divulgação)

A Cidade de Barcelos, no Médio Rio Negro, está cercada por 535 militares do exército fortemente armados.  Trata-se da Operação Amazônia (maior exercício militar da historia do Comando Militar da Amazônia - CMA). Na simulação de ação, eles combatem um núcleo de aproximadamente 200 guerrilheiros e colaboradores de uma nação inimiga, que invadiu o território nacional. De acordo com o treinamento, sete embarcações fortemente armadas descobriram mais de mil munições de diversos calibres, que estavam em um esconderijo submerso no Rio Negro, nas proximidades da sede do município.

Na ação de treinamento, militares do 5º Batalhão de Infantaria de Selva de São Gabriel da Cachoeira (5º BIS) e do 3º Batalhão de Infantaria de Selva (3º BIS) estão patrulhando as águas do Rio Negro, o espaço urbano e a zona rural da cidade, que é o centro do maior exercício militar da Amazônia Ocidental, que é coordenado pelo Comandante do Comando Militar da Amazônia (CMA), Estevam Theophilo, que também exerce a função de Comandante do Teatro de Operações da Operação Amazônia.

Ainda no exercício militar, homens com metralhadoras pesadas como a de calibre .50 instalada estão no aeroporto local, tropas com atiradores de elite (snipers), helicópteros, aviões de transporte de tropa e barreiras fluviais, a região está conflagrada.

"Nós temos a 2ª Brigada de Infantaria de Selva de São Gabriel da Cachoeira mobilizada na Operação Amazônia e nos deslocamos para Barcelos com o 5º BIS com o que temos de mais letal, com o objetivo de derrotar os guerrilheiros da nação inimiga Vermelha, que atuam no Médio Rio Negro", disse o general de brigada Alexandre Ribeiro de Mendonça, comandante da 2a Brigada de Infantaria de Selva Ararigboia, depois de ter sobrevoado a região em um helicóptero, do 4º Batalhão de Aviação do Exército (4º BavEx).

O exercício militar avançado de adestramento da Operação Amazônia, é uma demonstração que forças regulares do exército podem superar a guerrilha, que age como força irregular e infiltrada junto à população. Para isso, a preparação dos combatentes é uma das de maior nível de exigência militar.

"Nós estamos 24 horas em ação de inteligência, comando e controle e de comunicação estratégica da situação. É uma guerra em que temos que agir com muito cuidado, porque a população está no meio dela", disse o comandante do 5º BIS, tenente-coronel Carlos Andres Schmitt, das forças da nação Azul.

Na simulação, uma área de 28 quilômetros de comprimento por 15 quilômetros de largura está sendo vasculhada, tanto no espaço urbano como na zona rural e nas águas, onde com a grande cheia do Rio Negro, a maior da história em 119 anos, tem dificultado o trabalho do exército da nação Azul, mesmo com diversas patrulhas fluviais revistando as embarcações de todos os portes que chegam ou saem do município.

"Nós conhecemos a região e sabemos como lidar com os ribeirinhos, mas, mesmo assim, a guerrilha Vermelha está nos dificultando chegar aos seus líderes, porque além de Barcelos ser o segundo maior município em extensão de terras do Brasil, há uma cheia histórica. Nosso efetivo está vasculhando todas as embarcações, comércios de alimentos, farmácias, postos de combustíveis, oficinas e controlando a circulação de pessoas nos bairros e nos rios, para identificar quem são os colaboradores da guerrilha e os próprios guerrilheiros", disse o comandante do 3o BIS, o tenente-coronel Márcio Weber de Menezes.

(continua após a foto)

Outras ações

Mas se de um lado há força militar beligerante, de outro, o exército Azul tem tomado todas as providências para atender às demandas da população mais carente em comunidades como a Piloto, localizada há cerca de 20 quilômetros da sede do município, e que tem função estratégica por estar às margens do rio Negro em uma posição elevada, que evitou que fosse totalmente alagada pela enchente histórica. Ações na área de saúde com médicos e dentistas têm sido realizadas localmente.

O vice presidente da comunidade Piloto, Genildo Francisco, disse que tem quatro filhos, dos quais três foram soldados do exército em Barcelos e que duas de sua filhas são casadas com soldados. "A gente trabalha com roça e com turismo de pesca, mas grande parte das coisas que temos se deve aos salários que meus filhos e genros ganharam e ganham do exército. Hoje estou vendo os militares aqui com a gente na comunidade, mas conheço eles e sei que o que fazem é proteger as pessoas da região, inclusive, contra os traficantes de drogas que sumiram".

Jamile Rodrigues, 19, casada com o soldado Adriano Pessinga,20, disse que "com os R$ 2,6 mil que o marido ganha vai dar para começar a construir a casa para viver com mais conforto, porque a família aumentou com a chegada do filho Jorge Cauan, que tem um ano e quatro meses".

A família de dona Nelci Duarte Teixeira, que também mora na comunidade Piloto, vive uma situação mais delicada. Pois com a Covid19 os turistas e compradores de artesanato indígena sumiram, ela é da etnia Baré. "A gente tem uma rocinha, pesca e caça, mas a nossa principal renda era do artesanato que está parado, o que fez com que a gente passasse dificuldades", comentou.

Ela gosta muito de animais e tem uma jiboia como mascote da família. "Ela é mansinha e não faz mal a ninguém e vai crescer aos poucos e se acostumar com a gente. Não tem perigo". Com a sobrinha Adriele Rodrigues Teixeira faz artesanatos para vender quando as águas baixarem e a pesca do esportiva do tucunaré estiver retornado ao normal. "Eu ajudo minha tia e me sinto bem dando continuidade ao artesanato que aprendi com ela", disse Adrieli.

Mas o principal problema que eles vivem no momento é com a saúde de Alberto Duarte Teixeira, 24, que em uma caçada levou um tiro acidental na perna e, desde então, sente muitas dores, porque a bala ficou alojada. "Eu gostaria de receber um atendimento médico para retirar este chumbo que dói e poder voltar a trabalhar na roça, quando as águas baixarem", disse.

O general Alexandre Ribeiro de Mendonça disse "que vai providenciar que uma equipe da área de saúde vá até a comunidade e veja a perna do rapaz ferido e que isso faz parte da ação social junto aos comunitários da região. Se for necessário vamos providenciar a retirada da bala ".

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