Cinco indígenas da etnia Kamarayano estarão nas três noites de apresentação do boi e participarão da encenação da lenda Kamara, entidade sagrada que representa resistência e ancestralidade para o povo Hixkaryana
Selmo Hixkaryana, representante do povo Kamaryano, participou da coletiva do Boi Garantido ao lado do presidente Fred Góes, que destacou a homenagem à lenda Kamara, a Onça-Mãe, durante as apresentações do Festival de Parintins 2026 (Foto: Daniel Brandão/A CRÍTICA.)
Cinco indígenas do povo Kamarayano, subgrupo do povo Hixkaryana, estarão presentes pela primeira vez no Bumbódromo, em Parintins (distante 369 quilômetros em linha reta de Manaus), para participar da lenda indígena Kamara, a Onça-Mãe, entidade sagrada para essa etnia. Selmo Hixkaryana, 35 anos, da quarta geração dos Kamarayanos, detalhou ao A CRÍTICA, nesta terça-feira (23), a participação na arena.
Kamara, representada visualmente pela alegoria de lenda indígena do Boi Bumbá Garantido. Foto: Jeiza Russo/A CRÍTICA
Os Kamarayanos entrarão na arena com grafismos de Kamara. "Estão aprofundando a nossa cultura e história. Estão levando a nossa resistência. E o povo Kamaryano agradece por isso. Estaremos na arena de cocares, como indígenas Kamarayanos, com grafismos de Kamara, para mostrar a nossa resistência. A resistência da Kamara, essa entidade contada pelas histórias dos nossos avós. Contam que os indígenas se transformavam em Kamara, em onça", declarou Selmo.
Selmo Hexkaryana, 35 anos, quarta geração dos Kamaryanos e neto de Mausá Kamaryano, 87 anos. (Foto: Daniel Brandão/AC)