Segunda-feira, 14 de Outubro de 2019
POSICIONAMENTO

Arthur defende enteado e sustenta que ele não tem ligação com a morte de engenheiro

Prefeito de Manaus afirma que Alejandro Molina Valeiko é dependente químico e que estava dando uma festa quando Flávio Rodrigues dos Santos foi sequestrado por homens encapuzados



arthur_2_ED934BF7-AD6A-4A71-97E5-AC2A25044A13.JPG Prefeito de Manaus, Arthur Neto. Foto: Reprodução/Internet
01/10/2019 às 08:14

Arthur Neto se posicionou na manhã desta terça-feira (01°) em sua página no Facebook sobre a morte do engenheiro Flávio Rodrigues dos Santos, de 42 anos, que desapareceu durante uma festa entre amigos, na imóvel de luxo onde mora o enteado do prefeito de Manaus, identificado como Alejandro Molina Valeiko, filho da primeira-dama do município Elisabeth Valeiko Ribeiro. O chefe do executivo municipal sustentou que o enteado é dependente químico e que não tem ligação com o homicídio.

Escrito às 5h20 da manhã de hoje, no texto Arthur afirma que a casa, localizada no bairro Ponta Negra, na Zona Oeste da capital, foi invadida na noite do último domingo.



"Dois homens encapuzados, 'cobrando' dinheiro a um dos presentes. Um dos meninos se trancou no banheiro e Alejandro recebeu golpe de coronha que lhe abriu a cabeça. Levaram o que queriam: o rapaz Flávio, a quem 'cobravam' pagamento pelo trabalho maldito que leva pessoas à perdição. [...] Sequestraram e assassinaram Flávio, assim como sequestram e matam, todos os dias, aqueles que se tornam dependentes e não conseguem mais pagar aos seus algozes", escreveu o prefeito de Manaus.

Ainda segundo ele, sua esposa entrou em desespero, quando soube que gente "sem caráter" tentava fazer crer que seu filho teria matado Flávio. Em matéria publicada ontem no Portal A Crítica, familiares do engenheiro disseram acreditar que a vítima teria visto algo que não deveria na casa e, por conta disso, foi morta em uma "queima de arquivo".

"Maldade indescritível. Alejandro saiu ferido pela truculência dos invasores e, quando o vimos, seu estado era lamentável: ferido, abatido, com medo de ser morto por tipos parecidos com os que levaram seu amigo, outra vítima das drogas, que se espalham como praga, muitas vezes perto da gente. Elisabeth tomou conhecimento dessa infâmia, quando Alejandro já se encaminhava para internamento numa clínica para dependentes. Revoltado com a mãe que, mais uma vez, o socorria e, outra vez mais, chorava pelo medo de perder pessoa tão amada", afirmou Arthur, que criticou portais de notícias que, conforme ele, chegaram a fazer transmissões ao vivo afirmando inverdades, tendo como objetivo atingi-lo.

"Amargurou minha alma, porque se Elisabeth não fosse minha esposa, não teria havido tanta mentira e tanta tentativa de escândalo. Era a mim que queriam atingir. [...] Fiquei pensando se não estaria prejudicando a arquiteta de renome, de vida cômoda e tranquila, até me conhecer e termos decidido a partilhar a vida", disse.

Sobre a relação do enteado com a mãe, Arthur revelou que Alejandro provocou "sumiços, distância, vida sem sentido, desperdiçando o futuro". "É triste para mim vê-la na sala ou no quarto, calada, triste, chorando, por não poder acarinhar seu menino querido".

Por fim, o prefeito sustenta novamente que Alejandro estava recebendo amigos. "Teria cabimento que sumisse por segundos e voltasse de capuz, armado (ele nunca usou nem canivete) e sequestrasse Flávio? Sim, porque o assassino desse pobre rapaz o sequestrou e, para fazer isso, teve de abrir a cabeça de Alejandro com uma coronhada. E porque Alejandro ficou parte da madrugada cercado por nós, que depois o transferimos para outro lugar, com receio de que a solidão atraísse os bandidos de novo".

E complementou: "Sejamos claros: Alejandro é doente. Padece de um vício que não o abandona. Mas jamais foi ou será um assassino. Bem ao contrário, é vítima de gente que mata e sequestra sem remorso, movida por dinheiro imundo. Manaus está cheia de Alejandros. E de monstros que os exploram impunemente. Sociedade injusta. Pela miséria, fornece soldados para os chefões do tráfico".

Entenda o caso

O engenheiro Flávio Rodrigues dos Santos foi encontrado morto no início da tarde desta segunda-feira, em um terreno no Tarumã, Zona Oeste de Manaus. 

Flávio estava desaparecido desde a noite de domingo, após participar de uma festa no condomínio de luxo, que fica Ponta Negra, também na Zona Oeste da cidade. De acordo com a polícia, a casa onde Flávio, conhecido entre seus amigos como "Panda", estava é da primeira-dama do município, Elizabeth Valeiko. Quem mora no local, segundo a polícia, é o filho dela, Alejandro Molina Valeiko.

A reportagem apurou que a Polícia Civil investiga a hipótese de que Flávio tenha sido morto na própria casa onde ocorria a festa para ser abandonado em outro local e se houve participação dos seguranças da primeira-dama na remoção do corpo. A principal motivação para esta suspeita é que no local onde o corpo foi encontrado não havia vestígios de sangue, o que seria natural em mortes por arma branca. 

As investigações estão sendo tocadas por equipes do 19º Distrito Integrado de Polícia e da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros.

Leia o posicionamento do prefeito na íntegra:

05:200 hs. Penso muito na generosidade da nossa gente e pouco nas pessoas de maus instintos. Valorizo a primeira, sempre. Meu enteado Alejandro, filho de minha esposa Elisabeth, é mais um dos milhões de usuários de drogas que as facções criminosas arrebanham em nossa cidade e em nosso país. Sofrido, luta contra o vício há mais de 10 anos.

O tráfico toma conta de tudo e de muitos. Nada se faz de efetivo contra ele, que corrompe consciências e se implanta com força em Manaus. Criou uma "justiça" própria, estabelecendo a pena de morte num país que não a adota. A casa de Alejandro foi invadida na noite do último domingo. Dois homens encapuzados, "cobrando" dinheiro a um dos presentes. Um dos meninos se trancou no banheiro e Alejandro recebeu golpe de coronha que lhe abriu a cabeça. Levaram o que queriam: o rapaz Flavio, a quem "cobravam" pagamento pelo trabalho maldito que leva pessoas à perdição. Principalmente os jovens, muitos deles viciados desde 10 ou 12 anos de idade.

Sequestraram e assassinaram Flavio, assim como sequestram e matam, todos os dias, aqueles que se tornam dependentes e não conseguem mais pagar aos seus algozes. Minha esposa entrou em desespero, quando soube que gente sem caráter tentava fazer crer que seu filho teria matado Flavio. Maldade indescritível. Alejandro saiu ferido pela truculência dos invasores e, quando o vimos, seu estado era lamentável: ferido, abatido, com medo de ser morto por tipos parecidos com os que levaram seu amigo, outra vítima das drogas, que se espalham como praga, muitas vezes perto da gente.

Elisabeth tomou conhecimento dessa infâmia, quando Alejandro já se encaminhava para internamento numa clínica para dependentes. Revoltado com a mãe que, mais uma vez, o socorria e, outra vez mais, chorava pelo medo de perder pessoa tão amada.

Chegaram a fazer transmissões ao vivo, inventando que Alejandro estaria, naquele momento, no Distrito Policial, onde, bem cedo, ele já prestara depoimento. Amargurou minha alma, porque se Elisabeth não fosse minha esposa, não teria havido tanta mentira e tanta tentativa de escândalo. Era a mim que queriam atingir. Talvez por ter organizado as finanças e a previdência de Manaus. Por não se conformarem com tantas obras transformadoras que varrem a cidade inteira. Por não aceitarem o respeito que o Brasil me dedica e que é o meu orgulho.
Fiquei pensando se não estaria prejudicando a arquiteta de renome, de vida cômoda e tranquila, até me conhecer e termos decidido a partilhar a vida.

Falo para mães e pais que, diariamente, perdem seus filhos primeiro para o tráfico e depois para a morte. Mães e pais, indefesos, que não têm voz e nem vez. Mães e pais, cujos filhos viciados, desesperados, mortos, não interessam a quem vive de fabricar manchetes. Mães e pais de cujos filhos Elisabeth procura cuidar como se fossem seus. Mães e pais que convivem com o medo e a incerteza o tempo todo. Isso mesmo que Alejandro sempre provocou em Elisabeth: sumiços, distância, vida sem sentido, desperdiçando o futuro. É triste para mim vê-la na sala ou no quarto, calada, triste, chorando, por não poder acarinhar seu menino querido.

Botemos um ponto final: Alejandro estava recebendo amigos. Teria cabimento que sumisse por segundos e voltasse de capuz, armado (ele nunca usou nem canivete) e sequestrasse Flavio? Sim, porque o assassino desse pobre rapaz o sequestrou e, para fazer isso, teve de abrir a cabeça de Alejandro com uma coronhada. E porque Alejandro ficou parte da madrugada cercado por nós, que depois o transferimos para outro lugar, com receio de que a solidão atraísse os bandidos de novo. Sejamos claros: Alejandro é doente. Padece de um vício que não o abandona. Mas jamais foi ou será um assassino. Bem ao contrário, é vítima de gente que mata e sequestra sem remorso, movida por dinheiro imundo. Manaus está cheia de Alejandros. E de monstros que os exploram impunemente. Sociedade injusta. Pela miséria, fornece soldados para os chefões do tráfico.

Vejo minha esposa, finalmente, conseguir dormir. Isso me acalma o coração. Sei, porém, que o despertar será outro dia de dor pelo filho isolado numa clínica. Que os assassinos de Flavio sejam logo presos e levados a julgamento. Manaus merece paz e verdade. Jamais mentiras e terror.

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Editor do Portal A Crítica

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