Quarta-feira, 13 de Novembro de 2019
APÓS POSTAGEM

Família de engenheiro morto afirma que vai processar prefeito de Manaus por declarações

Arthur Neto afirmou em postagem no Facebook que Flávio Rodrigues dos Santos, de 42 anos, foi vítima de um sequestro por ter alguma dívida com o tráfico de drogas



arthur_11111111111111_EA506BF9-25A7-49D1-9AA1-33C10A980FF0.JPG Foto: Divulgação
01/10/2019 às 14:43

A família de Flávio Rodrigues dos Santos, de 42 anos, encontrado morto na tarde de ontem (30) em um terreno no Tarumã, na Zona Oeste da cidade, vai recorrer judicialmente contra as declarações dadas pelo prefeito Arthur Neto na manhã de hoje (1º), por meio das redes sociais, onde ele afirma que o engenheiro foi vítima de um sequestro por ter alguma dívida com o tráfico de drogas.

Em sua postagem nas redes sociais, o prefeito afirma que dois homens encapuzados entraram na casa de Alejandro Molina Valeiko, seu enteado, para cobrar dinheiro e levar o que queriam, referindo-se a Flávio como sendo o principal alvo, por ser um dependente químico que não conseguia pagar suas dívidas. 



O prefeito ainda relata que o objetivo de acusar Alejandro como principal suspeito, foi com o intuito de atingi-lo politicamente.

Em entrevista ao A Crítica na manhã de hoje, Aline Almeida, que é irmã de Flávio, disse que as palavras do prefeito Arthur são falsas, e que ele não pode se referir a uma pessoa que não conhece e nunca sequer ouviu falar.

“Quem conhece o meu irmão são as pessoas que estão aqui (no velório). Queremos a verdade e que seja descoberto o que aconteceu com ele, pois até o momento não fomos comunicados pela polícia e por ninguém sobre o ocorrido. Meu irmão era uma pessoa de muitos amigos, tinha um coração enorme, era incapaz de fazer mal para um inseto, quanto mais ser traficante ou se envolver com drogas. Jamais vamos aceitar isso e não podemos contar só com justiça divina”, disse Aline.

Para o advogado da família da vítima, Helder Silveira, o prefeito Arthur emitiu uma nota extremamente deselegante e eleitoreira e que pode fazer o que quiser para defender a honra do enteado, pois tem a mídia de graça ao seu dispor.           

“O Flávio era muito tranquilo, não era promíscuo. Não via ele com namorada, era discreto, não tinha jeito de nada. E se ele fosse gay? Ser homossexual não é crime. O que posso afirmar é que algo saiu do controle naquela casa. Agora, se ele fosse adicto, um viciado, ele teria perdido o emprego. Fez viagens pela empresa, foi até pra Itália. Ele não é uma pessoa envolvida com o crime”, disse o advogado.

A defesa da família da Flávio ainda alega que se o carro entrou no condomínio com homens encapuzados e armados, o local tem o registro de entrada e saída, pois, logo foram autorizados.

“O próprio síndico afirma em um áudio que a invasão era uma inverdade e que uma briga ocorreu dentro de uma casa, entre visitantes e condôminos. Se tivessem armados, porque o Flávio foi perfurado por faca nas costas, abdômen e coxas”, destacou o advogado.

Em nota enviada hoje, a assessoria jurídica do Condomínio Residencial Passaredo informou que não ocorreu nenhuma invasão no local no dia 29 de setembro. A informação contesta a versão apresentada pelo prefeito de Manaus que destacou que o imóvel de seu enteado foi invadido por homens armados e encapuzados e de lá teria sido sequestrado o engenheiro Flávio Rodrigues, encontrado morto ontem no bairro Tarumã, na Zona Oeste de Manaus.


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